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Estadão Conteúdo

Olympikus lança o ultratênis de corrida Corre Pace

Olympikus Corre Pace é o tênis de corrida mais moderno fabricado no Brasil e começa a ser vendido dia 7 de março por R$ 1.999,99

27 fev 2026 - 15h57
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Olympikus Corre Pace
Olympikus Corre Pace
Foto: Olympikus/Estadão / Estadão

Priscila Martins Ortiz - A Olympikus decidiu subir o nível e não foi pouco. No ano em que celebra cinco décadas de história, a marca coloca na pista o Corre Pace, o primeiro "ultratênis" de competição produzido no Brasil com ambição declarada de entrar na conversa global dos supershoes com placa de carbono. Com preço sugerido de R$ 1.999,99 e edição limitada a 1.500 pares, ele já chega fazendo muito barulho mesmo antes do seu lançamento no dia 7 de março.

Olympikus Corre Pace
Olympikus Corre Pace
Foto: Olympikus/Estadão / Estadão

Mas o Corre Pace não é só sobre leveza e marketing tecnológico. Ele abre espaço para uma discussão mais técnica, especialmente quando analisamos o modelo sob o olhar da fisioterapia esportiva. Com 140 gramas (no tamanho 40) e drop de 6 mm, o Corre Pace é um modelo agressivo. Indicado para corredores de médio-pé e antepé, ele claramente privilegia quem já tem mecânica eficiente e boa capacidade de absorção de carga.

O cabedal Oxitec 5.0, em poliamida ultrafina, oferece ajuste firme e respirabilidade elevada. Do ponto de vista biomecânico, isso favorece melhor propriocepção e controle fino do pé dentro do tênis, fator importante em provas rápidas, onde microinstabilidades podem gerar sobrecarga.

A entressola NT-X Elite (100% PEBA expandido a nitrogênio) entrega o que se espera de um supertênis moderno: alta resiliência e retorno de energia. Espumas supercríticas como essa têm menor densidade e maior capacidade elástica, o que reduz o custo metabólico por passada algo já bem documentado na literatura quando falamos de modelos com placa e espuma de alto retorno.

Olympikus Corre Pace
Olympikus Corre Pace
Foto: Olympikus/Estadão / Estadão

A placa Carbon-G, com três camadas de fibra de carbono, atua como um elemento de rigidez longitudinal. Na prática, ela reduz a dorsiflexão das articulações metatarsofalângicas durante a propulsão e aumenta o efeito de alavanca no antepé. Resultado: passada mais econômica e sensação de "impulso" para frente.

Já a geometria rocker de 37 graus complementa essa proposta ao facilitar a transição do contato médio para a fase de propulsão. E o solado PROGRIP em PU termofixo chama atenção pela promessa de durabilidade, ponto positivo considerando o asfalto irregular brasileiro.

Olympikus Corre Pace
Olympikus Corre Pace
Foto: Olympikus/Estadão / Estadão

O olhar da fisioterapia: potência exige preparo

Como fisioterapeuta, minha análise é clara: o Corre Pace é uma ferramenta de performance, não um atalho. Tênis com placa de carbono e espuma supercrítica alteram a mecânica da corrida. Eles aumentam a rigidez do conjunto pé-tornozelo, reduzem a demanda de flexão do hálux, mudam o padrão de carga no complexo tornozelo-Aquiles, podem aumentar o estresse em sóleo e panturrilha em corredores não adaptados.

Olympikus Corre Pace
Olympikus Corre Pace
Foto: Olympikus/Estadão / Estadão

Isso significa, em termos menos técnicos, que o modelo é excelente para quem já possui boa capacidade de força excêntrica de panturrilha, mobilidade adequada de tornozelo e controle de quadril. Para corredores iniciantes ou com histórico recente de lesão (principalmente tendinopatia de Aquiles, metatarsalgia ou sobrecarga em antepé), o uso contínus pode elevar o fator de risco. É um tênis que potencializa o que o corpo já consegue fazer. Se a base estiver sólida, ele eleva o desempenho. Se houver déficit de força ou controle, ele pode expor essas fragilidades.

Além da pista: o Corre do Amanhã

O lançamento do Pace não veio sozinho. Em parceria com o Instituto Vanderlei Cordeiro de Lima, o programa Corre do Amanhã nasce com uma proposta que vai além do patrocínio esportivo tradicional. Ele estrutura um ciclo de formação de longo prazo para atletas entre 18 a 23 anos anos, com critérios técnicos de seleção e acompanhamento multidisciplinar contínuo.

O projeto carrega a visão de Vanderlei Cordeiro de Lima, medalhista olímpico e fundador do instituto, que entende na prática o impacto que oportunidade e suporte estruturado têm na construção de uma carreira. Serão 10 atletas no total integrando o programa, formando um núcleo de desenvolvimento de alto rendimento. Quatro deles já foram selecionados, iniciando essa primeira etapa do ciclo de formação, enquanto os demais passarão pelo processo técnico de avaliação.

Estadão
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