Olympikus lança o ultratênis de corrida Corre Pace
Olympikus Corre Pace é o tênis de corrida mais moderno fabricado no Brasil e começa a ser vendido dia 7 de março por R$ 1.999,99
Priscila Martins Ortiz - A Olympikus decidiu subir o nível e não foi pouco. No ano em que celebra cinco décadas de história, a marca coloca na pista o Corre Pace, o primeiro "ultratênis" de competição produzido no Brasil com ambição declarada de entrar na conversa global dos supershoes com placa de carbono. Com preço sugerido de R$ 1.999,99 e edição limitada a 1.500 pares, ele já chega fazendo muito barulho mesmo antes do seu lançamento no dia 7 de março.
Mas o Corre Pace não é só sobre leveza e marketing tecnológico. Ele abre espaço para uma discussão mais técnica, especialmente quando analisamos o modelo sob o olhar da fisioterapia esportiva. Com 140 gramas (no tamanho 40) e drop de 6 mm, o Corre Pace é um modelo agressivo. Indicado para corredores de médio-pé e antepé, ele claramente privilegia quem já tem mecânica eficiente e boa capacidade de absorção de carga.
O cabedal Oxitec 5.0, em poliamida ultrafina, oferece ajuste firme e respirabilidade elevada. Do ponto de vista biomecânico, isso favorece melhor propriocepção e controle fino do pé dentro do tênis, fator importante em provas rápidas, onde microinstabilidades podem gerar sobrecarga.
A entressola NT-X Elite (100% PEBA expandido a nitrogênio) entrega o que se espera de um supertênis moderno: alta resiliência e retorno de energia. Espumas supercríticas como essa têm menor densidade e maior capacidade elástica, o que reduz o custo metabólico por passada algo já bem documentado na literatura quando falamos de modelos com placa e espuma de alto retorno.
A placa Carbon-G, com três camadas de fibra de carbono, atua como um elemento de rigidez longitudinal. Na prática, ela reduz a dorsiflexão das articulações metatarsofalângicas durante a propulsão e aumenta o efeito de alavanca no antepé. Resultado: passada mais econômica e sensação de "impulso" para frente.
Já a geometria rocker de 37 graus complementa essa proposta ao facilitar a transição do contato médio para a fase de propulsão. E o solado PROGRIP em PU termofixo chama atenção pela promessa de durabilidade, ponto positivo considerando o asfalto irregular brasileiro.
O olhar da fisioterapia: potência exige preparo
Como fisioterapeuta, minha análise é clara: o Corre Pace é uma ferramenta de performance, não um atalho. Tênis com placa de carbono e espuma supercrítica alteram a mecânica da corrida. Eles aumentam a rigidez do conjunto pé-tornozelo, reduzem a demanda de flexão do hálux, mudam o padrão de carga no complexo tornozelo-Aquiles, podem aumentar o estresse em sóleo e panturrilha em corredores não adaptados.
Isso significa, em termos menos técnicos, que o modelo é excelente para quem já possui boa capacidade de força excêntrica de panturrilha, mobilidade adequada de tornozelo e controle de quadril. Para corredores iniciantes ou com histórico recente de lesão (principalmente tendinopatia de Aquiles, metatarsalgia ou sobrecarga em antepé), o uso contínus pode elevar o fator de risco. É um tênis que potencializa o que o corpo já consegue fazer. Se a base estiver sólida, ele eleva o desempenho. Se houver déficit de força ou controle, ele pode expor essas fragilidades.
Além da pista: o Corre do Amanhã
O lançamento do Pace não veio sozinho. Em parceria com o Instituto Vanderlei Cordeiro de Lima, o programa Corre do Amanhã nasce com uma proposta que vai além do patrocínio esportivo tradicional. Ele estrutura um ciclo de formação de longo prazo para atletas entre 18 a 23 anos anos, com critérios técnicos de seleção e acompanhamento multidisciplinar contínuo.
O projeto carrega a visão de Vanderlei Cordeiro de Lima, medalhista olímpico e fundador do instituto, que entende na prática o impacto que oportunidade e suporte estruturado têm na construção de uma carreira. Serão 10 atletas no total integrando o programa, formando um núcleo de desenvolvimento de alto rendimento. Quatro deles já foram selecionados, iniciando essa primeira etapa do ciclo de formação, enquanto os demais passarão pelo processo técnico de avaliação.