Review: testamos o novo Olympikus Corre 5 na Maratona de São Paulo
Olympikus Corre 5 mostra evolução com a nova tecnologia de amortecimento PY-VA e com o solado ULTRAX
Priscila Martins Ortiz - A evolução dos tênis de corrida no Brasil passa, inevitavelmente, por modelos que equilibram inovação, acessibilidade e aplicabilidade real. O Olympikus Corre 5 surge como um reflexo claro desse momento e vai além do discurso técnico.
Testamos o modelo (R$ 599,99) na prática durante a Maratona Internacional de São Paulo, um cenário exigente que expõe não apenas o conforto inicial, mas principalmente a capacidade do tênis de manter desempenho ao longo dos quilômetros. Durante a prova, o modelo demonstrou consistência, entregando um conjunto que conversa tanto com o corredor recreativo quanto com quem busca performance.
O principal destaque está na entressola com tecnologia PY-VA, que combina EVA e PEBAX, dois materiais amplamente reconhecidos por suas propriedades de amortecimento e retorno de energia. Na prática e olhando pelo prisma da biomecânica, essa fusão impacta diretamente na eficiência do gesto da corrida. O EVA atua na absorção de impacto, reduzindo a taxa de carga vertical transmitida a estruturas como tornozelo, joelho e quadril. Já o PEBAX contribui com a maior responsividade, favorecendo o retorno de energia durante a fase de propulsão.
O resultado é um comportamento mecânico equilibrado: o pé entra em contato com o solo com menor rigidez, mantendo resposta suficiente para evitar perdas de eficiência, algo essencial, principalmente em provas longas.
Outro ponto relevante é o peso, cerca de 217g (tamanho 40), aliado a um drop de 8 mm. Essas características posicionam o modelo em uma zona interessante entre conforto e performance, favorecendo uma passada mais natural sem exigir grandes adaptações biomecânicas para a maioria dos corredores.
Durante esforços prolongados, como uma maratona, a fadiga promove alterações importantes no padrão de movimento, como aumento do tempo de contato com o solo, redução da cadência e maior sobrecarga em cadeias musculares específicas. Um tênis com boa estabilidade e resposta consistente ajuda a minimizar essas compensações e é justamente nesse ponto que o Corre 5 se destaca.
O cabedal em OXITEC 2.0 atua diretamente na estabilidade do pé dentro do tênis. Mais do que respirabilidade, proporciona um ajuste eficiente, reduzindo micro-movimentos internos que podem gerar perda de energia e aumentar o risco de sobrecarga em estruturas como o tibial posterior e a fáscia plantar.
Solado melhorou a tração
Já o solado com tecnologia ULTRAX entrega tração e durabilidade. Do ponto de vista funcional, isso aumenta a previsibilidade da passada e, na corrida, previsibilidade significa menor necessidade de ajustes neuromusculares a cada contato com o solo, reduzindo o custo energético do movimento.
Durante a corrida, especialmente nos quilômetros finais quando a fadiga se torna determinante o comportamento do modelo se manteve estável e previsível, sem perda significativa de resposta.
E aqui vale um ponto importante: dentro da biomecânica, um tênis "previsível" é um elogio. Significa que ele mantém seu padrão de resposta mesmo com o acúmulo de impacto e fadiga, permitindo que o sistema musculoesquelético trabalhe com maior eficiência e menor desgaste compensatório.
Outro aspecto que reforça sua proposta é a versatilidade. O Corre 5 se posiciona como um modelo capaz de atender tanto treinos quanto provas longas, funcionando, na prática, como um verdadeiro daily trainer. Com consistência, aplicabilidade e um entendimento real das demandas do corredor.
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