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Oposição teme que Brasil seja "engolido" pela Alca
Marta Vargas/Redação Terra
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Moradores se previnem de possíveis protestos violentos (AP)
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O senador Aloízio Mercadante (PT-SP) disse, durante a visita do primeiro-ministro da França, Leonel Jospin, que o Brasil será "engolido" se entrar na Alca. Segundo ele, não é só a esquerda que se deu conta disso, mas grande parte do empresariado.
"Os americanos têm 74% do PIB da América, eles produzem US$ 7 trilhões por ano. O segundo país, que é o Brasil, não chega a US$ 600 bilhões", disse. Mercadante deu mais exemplos a respeito da diferença de tamanho entre Brasil e os EUA. No setor automobilístico, disse o senador, as montadoras no Brasil produzem 1,6 milhão de veículos por ano, e os EUA, 17 milhões.
"Nossa indústria não vai resistir, não vai conseguir reagir, seja no setor de serviço, seja no agrícola", disse. Para Mercadante, se o País quiser manter empregos e combater a pobreza, precisa manter a economia procurando países mais parecidos, como são os da América Latina.
Para o deputado federal José Genoíno (PT-SP), a Alca é uma ameaça ao Brasil. Segundo ele, se não for muito bem negociada, de tal forma que os interesses brasileiros sejam atendidos, o bloco econômico em curso nada mais será do que uma forma de anexação do Brasil aos Estados Unidos. "É preciso falar grosso. Pedir 50 para receber 30. Assim é que se negocia. Não pode haver simplesmente uma submissão", declarou Genoíno.
A mesma opinião tem o deputado federal Júlio Redecker (PPB-RS). Segundo ele, no entanto, o empresariado nacional tem que estar mais presente, fazendo "lobby" no Congresso para que seus interesses sejam contemplados na Alca. "A Alca não é para amador, e sim para profissional", disse.
O economista Paulo Nogueira Batista Júnior, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), considera que o atual quadro de desenvolvimento do Brasil não é favorável à sua inserção na Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Segundo ele, a forte carga tributária e o alto custo do crédito são entraves para a garantia de condições competitivas adequadas à indústria nacional no caso da queda de barreiras entre os futuros 34 países membros do mercado comum, previsto para ser formalizado em 2005.
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