Governo garante que vai "falar grosso" na discussão sobre a Alca
Marta Vargas/Redação Terra
|
FHC promete criticar protecionismo estrangeiro (AP)
|
O governo tem insistido em demonstrar que vai pisar firme quando o assunto em discussão for a Alca. Nas últimas semanas, membros do Executivo têm garantido que o Brasil vai aderir ao bloco caso este seja vantajoso para o país.
O ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Lafer, disse que o Brasil não assinará o acordo para a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) se os Estados Unidos não cederem em sua atual posição e se esta área não trouxer benefícios para os brasileiros. Segundo ele, o governo não irá assinar "nenhum acordo que não seja globalmente vantajoso para a economia brasileira", mas também descartou a rejeição pura e simples da proposta de criação da Alca.
"A Alca não tem expressão acabada, não é boa ou má, é uma obra em construção", disse o chanceler, acrescentando que o fato das negociações envolverem a maior economia do mundo, os Estados Unidos, deve ser visto como uma oportunidade e não como um ônus.
O presidente Fernando Henrique Cardoso seguiu a mesma linha em seu discurso, criticando, ante empresários estrangeiros, o protecionismo dos países ricos e as regras impostas pela Organização Mundial de Comércio (OMC), enfatizando que, neste cenário, o Brasil priorizará o fortalecimento do Mercosul.
"O Mercosul para nós é um destino, enquanto que a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) é apenas uma opção, à qual vamos aderir apenas em condições favoráveis", declarou o presidente. No mesmo tom taxativo, o presidente criticou as regras rígidas da OMC, que, em sua opinião, beneficiam os países mais desenvolvidos e agravam as diferenças entre ricos e pobres.
"Os países industrializados elaboraram uma montanha de regras protecionistas e às vezes as disfarçam de proteção sanitária", afirmou, em clara alusão à suspensão de importações de carne bovina brasileira decretada pelo Canadá em fevereiro passado, alegando risco do mal da Vaca Louca. "O comércio internacional corre o risco de converter-se em um jogo de discriminação", acrescentou, recordando que a OMC trata de igual maneira os países em situações econômicas diferentes.
volta
|