Empresário que matou gari em briga de trânsito diz em carta que crime foi "acidente"
O empresário René da Silva Nogueira Júnior, acusado de matar o gari Laudemir de Souza Fernandes em Belo Horizonte, afirmou em carta que o disparo foi um "acidente". O texto, redigido de próprio punho e entregue à defesa em 25 de agosto, buscou esclarecer a situação jurídica e a troca de advogados. "O que aconteceu foi um acidente com a vítima", disse René.
René foi preso em flagrante poucas horas após o crime, quando estava em uma academia. A vítima, de 44 anos, trabalhava na coleta de lixo quando foi atingida a tiros durante uma discussão no trânsito.
Durante audiência de custódia, o empresário declarou que, depois do episódio, levou seus cachorros para passear e negou ter cometido o assassinato. Dias mais tarde, em novo interrogatório, confessou o homicídio. Ele responde por ameaça e homicídio qualificado, acusado de agir por motivo fútil e de impedir a defesa de Laudemir. Atualmente, está detido no Presídio de Caeté, na Região Metropolitana da capital mineira.
Quem defende René agora?
A carta também expôs a disputa em torno da defesa de René. De acordo com a Rádio Itatiaia, a Justiça havia designado o advogado Bruno Silva Rodrigues, do Rio de Janeiro, para representá-lo, substituindo Dracon Cavalcante, que havia assumido o caso poucos dias antes.
Essa já é a terceira mudança de advogados desde o crime. No dia 19, Dracon entrou no processo após a saída de Leandro Guimarães Salles, que alegou "motivos de foro íntimo" para deixar a defesa.
Dracon contou que recebeu com surpresa a notícia da substituição e foi ao presídio conversar com René. Foi nesse momento que o empresário escreveu a carta reforçando o interesse em manter sua representação.
"Me sinto representado tanto pelo Dr. Dracon como pelo Dr. Bruno Rodrigo. Tenho certeza que resolveremos esse mal entendido. Pedi ao mesmo para não sair do meu caso", concluiu René.