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Em convenção, PT oficializa chapa Lula-Alckmin à reeleição

2 ago 2026 - 15h46
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Presidente defendeu sua capacidade física, investimento em defesa e proteção de terras raras. Pesquisas indicam vantagem apertada sobre Flávio Bolsonaro no 2º turno.O Partido dos Trabalhadores (PT) oficializou neste domingo (2) a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. Aos 80 anos, o petista disputará sua sétima eleição presidencial e buscará um quarto mandato no Palácio do Planalto.

"Quero dizer a todos os membros do partido aqui presentes: ratificamos, oficializamos. Lula presidente, Geraldo Alckmin vice-presidente", afirmou o presidente nacional do PT, Edinho Silva, durante a convenção realizada no Expo Center Norte, em São Paulo.

O evento reuniu cerca de 3 mil pessoas, entre filiados, ministros e lideranças da base governista, e confirmou a permanência de Alckmin na chapa presidencial.

"Estamos aqui para formalizar, mas também para celebrar esta conquista política histórica, a conquista política que vai reeleger o presidente Lula e o vice-presidente Alckmin, mantendo o nosso país neste caminho de reconstrução das políticas públicas", disse Edinho Silva.

Em seu discurso, Lula procurou rebater questionamentos sobre idade e condição física.

"Quero lutar contra a velhice. Não quero ficar me arrastando. Por isso faço exercícios para as pernas. Por isso faço exercícios para os braços. Por isso caminho uma hora por dia", declarou.

O presidente também comparou sua trajetória eleitoral à de jogadores como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.

"As pessoas não percebem que esta Copa do Mundo para mim é a sétima", afirmou, em referência ao número de vezes em que disputou a Presidência da República ao longo de quatro décadas.

Ao lado da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, Lula afirmou que não pretende concorrer novamente após este mandato.

"Depois de entregarmos o Brasil ao povo brasileiro em perfeitas condições, vamos tirar férias para viver um romance por mais 20 anos", disse.

Lula governou o Brasil entre 2003 e 2010 e voltou ao Palácio do Planalto em 2023. No discurso, também abordou temas que devem marcar a campanha, como a relação com os Estados Unidos e a política de defesa.

"Eu quero estar preparado para ninguém invadir esse país para levar esse presidente, como eles invadiram [Venezuela]", afirmou. "A esquerda tem que parar com essa bobagem de achar que a gente não quer ter preocupação com a defesa."

Economia e campanha

A disputa eleitoral ocorre em um cenário de desaceleração da economia. A projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) é de cerca de 2% em 2026, após expansões de 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025.

A inflação continua pressionada pelos preços de alimentos e combustíveis, enquanto a taxa básica de juros permanece em 14,25%. O déficit nominal do setor público se aproxima de 10% do PIB e a dívida pública supera 80% do produto.

O governo destaca o crescimento da economia, os níveis recordes de emprego e programas sociais voltados ao combate à pobreza. A oposição concentra as críticas no custo de vida, no desequilíbrio fiscal, na segurança pública e em casos de corrupção.

Polarização e disputa eleitoral

A eleição de outubro tende a repetir a polarização entre o campo progressista liderado por Lula e o senador Flávio Bolsonaro.

Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio teve sua candidatura oficializada na semana passada. A família mantém proximidade política com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que nos últimos anos apoiou candidatos de direita em diversos países da América Latina.

Lula criticou a postura de Washington em disputas comerciais que resultaram em novas tarifas contra produtos brasileiros, classificadas pelo governo como politicamente motivadas.

"No Brasil, não aceitamos que ninguém se meta onde não deve", afirmou.

O presidente também indicou que não pretende facilitar a exploração de terras raras brasileiras por interesses estrangeiros.

"Essas terras raras, nem chinês, nem americano, nem francês vão meter o dedo nas nossas terras raras", disse.

Desgastes

As pesquisas mais recentes apontam vantagem apertada para Lula. Levantamento do Datafolha indica o presidente com 48% das intenções de voto, ante 43% de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. Na eleição de 2022, Lula derrotou Jair Bolsonaro por margem estreita.

Flávio inicia a campanha com dificuldades para ampliar sua coligação. Após não obter apoio do PP e fracassar na tentativa de atrair a senadora Tereza Cristina para a vice-presidência, o senador segue em busca de um nome para compor a chapa. Sua pré-campanha também enfrentou desgastes provocados por atritos com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e por investigações sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Lula, por sua vez, foi atingido nesta semana pela decisão do Supremo Tribunal Federal de autorizar a abertura de dois inquéritos para apurar suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. O empresário é investigado por sua suposta relação com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".

gq (Lusa, AFP, OTS)

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