Ministro israelense contesta acordo para interromper ataques em Gaza e insiste no controle total do território
O ministro da Energia de Israel, Eli Cohen, declarou neste domingo (2) que não existe nenhum acordo para pôr fim aos ataques aéreos em Gaza. A declaração foi feita após um fim de semana de bombardeios das forças israelenses no território palestino, apenas alguns dias depois do anúncio de um acordo.
"No acordo que assinamos com os Estados Unidos, nossa posição é que o Hamas deve ser desmantelado. Essa é a primeira coisa que deve acontecer", declarou Eli Cohen à rádio do Exército israelense. O ministro acrescentou que Israel daria ao Hamas a possibilidade de depor as armas, antes de afirmar: "Sou muito cético quanto à possibilidade de que isso aconteça."
Cohen disse ainda considerar necessário que Israel, que controla cerca de 70% do enclave palestino, assuma o controle total do território. O ministro integra o gabinete de segurança do premiê Benjamin Netanyahu, um círculo restrito encarregado de supervisionar a política de segurança e diplomática de Israel.
Suas declarações ocorrem poucos dias após o anúncio de um acordo sobre o desarmamento do movimento islamista Hamas e a retirada israelense do território palestino. Segundo o texto do acordo firmado pelo "Conselho de Paz" do presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que foi o primeiro a anunciá-lo na noite de quinta-feira (30), tanto Israel quanto o Hamas deverão interromper suas operações militares.
O acordo também prevê "uma retirada progressiva das forças israelenses das áreas que ainda controlam em Gaza", assim como o "desmantelamento dos grupos armados, incluindo o Hamas". No entanto, embora o movimento tenha confirmado o compromisso, Israel ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre o texto.
Pelo menos 13 mortos em 24 horas
Segundo os serviços de saúde da Faixa de Gaza, Israel realizou vários bombardeios neste fim de semana. Os ataques e disparos que continuaram entre a noite de sábado e a madrugada de domingo atingiram diversos edifícios residenciais e deixaram oito mortos, de acordo com a Defesa Civil.
Esses novos bombardeios israelenses no enclave deixaram pelo menos 13 mortos em 24 horas, informou a Defesa Civil neste domingo.
O Exército israelense não comentou imediatamente essas informações. No sábado (1°), limitou-se a afirmar que havia matado três "terroristas", depois de as autoridades de Gaza relatarem oito mortes.
Israel e o Hamas acusam-se mutuamente de violar o cessar-fogo em vigor desde outubro passado, e os ataques israelenses ao território permaneceram frequentes.
O Ministério da Saúde de Gaza informou que 152 pessoas foram mortas no território em julho, o maior número mensal de vítimas desde o início do ano, segundo o órgão. Desde outubro, ao menos 1.222 palestinos foram mortos na Faixa de Gaza, de acordo com o Ministério da Saúde, cujos números são considerados confiáveis pela ONU. O Exército israelense afirma ter perdido cinco soldados no mesmo período, além de um funcionário civil contratado.
(Com agências)
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