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'Vale Tudo', menos matar Odete Roitman: pesquisa do Datafolha aponta desaprovação do público

A pesquisa mostrou que, para a maioria dos telespectadores, a personagem não deve morrer, mas sim enfrentar punições que mexam com seu estilo de vida.

20 set 2025 - 19h28
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Quem diria que, décadas depois de marcar a televisão brasileira, Odete Roitman ainda movimentaria debates sobre justiça? A icônica vilã de "Vale Tudo", agora vivida por Débora Bloch no remake, continua despertando sentimentos intensos no público.

Débora Bloch que interpreta Odete Roitman.
Débora Bloch que interpreta Odete Roitman.
Foto: Reprodução/TV Globo. / Portal de Prefeitura

Uma pesquisa do Datafolha mostrou que, para a maioria dos telespectadores, a personagem não deve morrer, mas sim enfrentar punições que mexam com seu estilo de vida.

Preferência por punição sem morte

O levantamento indicou que 47% dos entrevistados preferem que Odete Roitman termine pobre, como forma de castigo por suas atitudes. Outros 35% acreditam que a prisão seria a punição ideal, enquanto apenas 4% desejam a morte da vilã.

Esse resultado contrasta com a exibição original de 1988, quando a personagem foi interpretada por Beatriz Segall. Na época, 38% dos entrevistados disseram que gostariam de ver a morte da empresária, considerada símbolo de arrogância e poder.

Perfil do público e aprovação do remake

Segundo o Datafolha, a audiência atual de "Vale Tudo" é composta majoritariamente por mulheres, pessoas negras e integrantes das classes D e E. A pesquisa, realizada nos dias 8 e 9 de setembro com 2.005 brasileiros de 16 anos ou mais, em 113 municípios, apontou ainda que 86% acreditam que Odete precisa ser punida. Apenas 11% defenderam que ela não deveria receber castigo, enquanto 3% não souberam responder.

O remake também recebeu avaliação positiva: 65% consideram a nova versão ótima ou boa, 25% a classificam como regular, e apenas 8% a veem como ruim ou péssima.

Raquel Acioli como contraponto

Se Odete desperta a vontade de punição, a personagem Raquel Acioli, interpretada por Taís Araújo, gera sentimentos de esperança. Para 71% dos entrevistados, a protagonista deve enriquecer como recompensa pela honestidade e pelo esforço. Outros 26% preferem que ela continue pobre, enquanto 3% não opinaram.

Esse contraste reforça a essência da novela, que desde sua primeira versão provoca reflexões sobre ética, desigualdade social e caminhos de ascensão no Brasil.

Temas que mais chamam atenção

O público também foi questionado sobre os assuntos mais importantes da trama. Para 38% dos entrevistados, a representação da crise política e econômica no Brasil é o ponto central da história.

Outros 26% destacaram honestidade e dedicação ao trabalho, 24% citaram corrupção, suborno e chantagens, e apenas 7% afirmaram que os relacionamentos amorosos são os aspectos mais marcantes. Essa leitura reforça como o remake mantém a atualidade do clássico, dialogando com problemas que ainda fazem parte do cotidiano do país.

A personagem, que já entrou para o imaginário popular como uma das vilãs mais icônicas da teledramaturgia, segue provocando reações distintas em cada geração. Enquanto parte do público prefere vê-la perder poder e fortuna, outra parcela defende que o cárcere seria o destino mais adequado. A morte, que dominava o imaginário nos anos 1980, hoje aparece como a opção menos desejada.

Portal de Prefeitura
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