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Bolsonaro gravará vídeo, mas não vai à rua com Crivella

Presidente se reuniu no Palácio do Planalto com o prefeito e candidato a reeleição no Rio

19 nov 2020
17h56
atualizado às 18h02
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Após encontro com o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) na manhã desta quinta-feira, 19, o presidente Jair Bolsonaro concordou em gravar um vídeo para a campanha no segundo turno das eleições municipais no Rio de Janeiro. O presidente, porém, confirmou que não participará de agendas públicas ao lado de Crivella, como gostaria a equipe do candidato que tenta se reeleger.

O engajamento do chefe do Executivo era visto pela campanha do prefeito como fundamental para reverter a desvantagem em relação a Eduardo Paes (DEM), que lidera corrida pela Prefeitura do Rio. Pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira, 18, indicou Paes com 53% das intenções de votos e Crivella com 23%.

Bolsonaro gravou vídeo de campanha com Marcelo Crivella no primeiro turno.
Bolsonaro gravou vídeo de campanha com Marcelo Crivella no primeiro turno.
Foto: Reprodução/Facebook / Estadão Conteúdo

A reunião entre Bolsonaro e Crivella ocorreu no Palácio do Planalto e não foi registrada em vídeo e fotos numa medida de prevenção para evitar eventual punição da Justiça Eleitoral pelo uso da sede do governo para campanha política. "A conversa foi muito boa. Não teve registro fotográfico por conta da pressão que o presidente está sofrendo do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), por conta do espaço público", disse o deputado federal Otoni de Paula (PSC), que participou da conversa.

O Ministério Público apura em 13 Estados eventuais ilegalidades cometidas pelo presidente em suas lives eleitorais transmitidas diretamente do Palácio da Alvorada. Como revelou o Estadão, especialistas avaliam que a propaganda presidencial utilizando seus canais oficiais e a estrutura do governo infringe a legislação e pode resultar na cassação dos que foram beneficiados.

Sem o compromisso de um empenho maior de Bolsonaro, Crivella voltou ao Rio após o encontro. O vídeo, no entanto, deve ser gravado ainda hoje. "Eu estou indo lá para o encontro com o presidente novamente para ele apenas gravar o vídeo que nós vamos levar para o Rio", disse o deputado.

Bolsonaro, como antecipou o Estadão, havia sinalizado a aliados querer se afastar da disputa municipal não apenas pelo risco de derrota de Crivella, mas também porque não pretende se indispor com Paes, que pode ganhar o comando do Rio, seu reduto eleitoral.

Otoni de Paula, no entanto, nega e diz que o impedimento de Bolsonaro ir para as ruas é apenas jurídico. "(Ir para a rua) foi ideia dele (Bolsonaro), mas a gente teve um encontro com os advogados, né, e aí chegou-se a conclusão que não", disse o parlamentar.

Além de Crivella, o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, o pastor Silas Malafaia, também se reuniu com Bolsonaro, mas negou ter falado sobre eleições no Rio, onde mora. Evangélico como Crivella, que é ligado à Igreja Universal, Malafaia disse que se manterá neutro na disputa porque é amigo dos dois candidatos. "Ele (Bolsonaro) não falou sobre Rio de Janeiro. Agora, eu estou tirando a minha conclusão, se o presidente apoiou o camarada no primeiro turno como é que ele vai ficar fora do segundo? Eu não acredito (nisso)", disse.

Primeiro turno

No primeiro turno, Bolsonaro também se limitou a gravar um vídeo a Crivella e autorizou o uso de sua imagem. Em suas transmissões ao vivo pela internet, Bolsonaro pediu o apoio a Crivella, mas evitou criticar Paes. No fim de outubro, quando anunciou seu apoio ao prefeito, o presidente disse que o candidato do DEM é um "bom administrador" e disse que não haveria problema quem não quisesse votar em Crivella.

"E o outro vocês conhecem também, é um bom administrador, mas eu fico aqui com o Crivella. Não tem muita polêmica, não. Se não quiser votar nele, fica tranquilo. Não vamos criar polêmica, brigar entre nós. Eu respeito os seus candidatos também", disse Bolsonaro.

Filho mais velho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro, que é do mesmo partido de Crivella, disse que está fora da campanha e que cabe ao pai decidir se haverá apoio. "A exemplo do primeiro turno, eu não vou caminhar com ninguém. Mas quem vai decidir é o presidente. Se houver algum apoio a decisão é dele", informou Flávio, por meio de sua assessoria.

Na avaliação de aliados, Bolsonaro pode até se manifestar pontualmente em cidades em que a disputa no segundo turno esteja entre um candidato de direita e outro de esquerda. Entretanto, destacam que deve ser uma posição pessoal, como fez com fez ao responder no Facebook a um apoiador do candidato delegado Eguchi (Patriota), que disputa o segundo turno em Belém, no Pará, com Edmilson Rodrigues (PSOL). "Caso fosse eleitor em Belém/PA certamente votaria nele. Boa sorte para ele", escreveu Bolsonaro, referindo-se ao delegado.

Os resultados do primeiro turno foram desfavoráveis para a maioria de candidatos que Bolsonaro manifestou apoio em sua "live eleitoral". Entre treze candidatos a prefeito que tiveram votos pedidos pelo presidente, dois saíram vitoriosos: o ex-senador Mão Santa (DEM) foi reeleito prefeito em Parnaíba, no Piauí, e Gustavo Nunes (PSL) conquistou a prefeitura em Ipatinga, em Minas Gerais.

A exemplo de Crivella no Rio, o Capitão Wagner (PROS), que também apareceu no "horário eleitoral gratuito" de Bolsonaro, também passou para a segunda etapa da disputa em Fortaleza contra o deputado estadual José Sarto. Wagner, no entanto, não deve usar o apoio de Bolsonaro contra Sarto, candidato de Ciro Gomes e de seu irmão Cid.

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