UFMG cobra questões dissertativas; prova começa no domingo
Válvula de escape. É assim que Assaiah Marrazzo da Costa vê os livros enquanto estuda pelo quarto ano seguido para o vestibular de medicina na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Não são aos livros didáticos a que a garota se refere, mas sim a romances. Para Assaiah, aluna do Mais Pré-Vestibular, as ficções a tranquilizam e ajudam na prova de redação. "Li uns 30 livros desde o início do ano. Quando eu não aguento mais ver uma matéria, pego um livro. Um dos meus prazeres é a leitura", diz .A estudante costuma ler os romances durante os 40 minutos que fica no ônibus, no caminho entre sua casa e o pré-vestibular, e quando chega em casa à noite, depois de passar o dia estudando.
Assaiah faz provas em quatro universidades públicas, as mais próximas à sua cidade natal, Ubá (MG), são elas: Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e UFMG. Mesmo tendo sido aprovada em terceiro lugar em medicina no Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), instituição privada, não pode cursar devido ao custo, por isso continua buscando aprovação nas públicas. A prioridade é passar na UFMG, pois mora em Belo Horizonte com o irmão desde os 17 anos, quando saiu de Ubá para estudar. Para ela, as quatro instituições são "excelentes". Entre as diferenças de uma prova para outra, a candidata destaca as questões dissertativas cobradas pela UFMG na segunda fase, questões dissertativas.
O vestibular da universidade é composto por duas etapas. A primeira, de caráter eliminatório, é composta pelas questões objetivas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A segunda, classificatória, é a soma da redação do Enem, com as provas específicas para cada curso - no caso de medicina, os vestibulandos devem responder a questões de biologia, química, língua portuguesa e literatura brasileira. Os exames ocorrem entre 13 e 20 de janeiro. Para Jair Corgozinho, diretor de ensino do Unimaster Pré-Vestibular, a prova tem uma identidade própria pela forma como os conteúdos são abordados, cobrando atualidades e sendo aplicados ao cotidiano. O professor recomenda que os candidatos comecem a estudar cedo, sem esperar o resultado da primeira fase.
O fato de ser discursivo implica que o aluno organize seu conhecimento para saber expressá-lo em forma de texto na prova, mostrando uma boa construção textual, coesa e coerente, além de apresentar argumentos embasados. Até nas questões de matemática, o raciocínio deve aparecer em forma de texto, explicando como o problema foi solucionado.
Assaiah prefere as questões dissertativas, porque acredita ter mais chances de acertar: caso parte da resposta esteja errada, é possível ganhar pontos pelo restante, diferentemente das objetivas, nas quais é erro ou acerto. "Você não precisa decorar, tem que raciocinar as questões. Acho bacana explorar o raciocínio do aluno, vai selecionar pessoas que estudaram bastante", diz.
Durante a correção das provas, além dos conteúdos específicos, são cobrados o entendimento do assunto e o objetivo da questão. É preciso estar atento ao enunciado, observa o professor, atendendo exatamente ao que pede a questão, que pode apresentar verbos como "analise", "justifique" e "explique". As respostas devem ser de forma objetiva e as frases claras, respeitando a norma culta da língua. Corgozinho explica que os alunos precisam treinar com questões dos anos anteriores. "Isso melhora a gramática e o vocabulário", afirma.
Terapia e atividade física
Além de ter aulas pela manhã, revisar a matéria à tarde e dedicar seis horas aos estudos nos finais de semana, Assaiah, neste ano, encontrou outras maneiras de preparar-se para as provas, principalmente para evitar o nervosismo. Mesmo com o apoio da família, ela conta que precisa lidar com a pressão dela mesma, questionando as razões pelas quais não foi aprovada ainda, dificultando o controle emocional. Para resolver esses problemas, a estudante começou a fazer terapia e atividade física e já percebe a melhora. "Senti muita diferença de quem eu fui e de quem eu sou hoje. Estou mais tranquila, consigo me focar mais", conta Assaiah. A ideia de fazer terapia surgiu porque seu pai, psicólogo, recomendou, mas as sessões começaram efetivamente devido ao apoio do irmão e do namorado que percebiam como o lado emocional a prejudicava. A atividade física foi uma sugestão do professor de biologia do curso pré-vestibular, com a justificativa de que, além de liberar substâncias no organismo que dão a sensação de prazer, também ajuda no aprendizado e na concentração.