SP: movimento estudantil vai às escolas chamar alunos para novo protesto

A Anel, entidade que faz oposição à UNE, promete mobilizar estudantes nas escolas e universidades para o protesto de segunda-feira

14 jun 2013
17h38
atualizado às 18h37
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<p>Em meio à repressão policial, jovem ergueu flor para simbolizar a paz durante protesto em São Paulo</p>
Em meio à repressão policial, jovem ergueu flor para simbolizar a paz durante protesto em São Paulo
Foto: Fernando Borges / Terra

Jovens ligados ao movimento estudantil estão empenhados em garantir a ampliação das mobilizações contra o aumento das passagens do transporte público. Presente na manifestação de quinta-feira em São Paulo, Assembleia Nacional de Estudantes - Livre (Anel), criada em 2009 como contraponto à União Nacional dos Estudantes (UNE), promete mobilizar alunos de escolas públicas e universitários para um novo protesto na capital paulista, marcado para segunda-feira.

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"Hoje já passamos em algumas escolas e estamos nos organizando para divulgar ainda mais o protesto de segunda-feira, levando o maior número de estudantes para a rua", disse Arielli Tavares Moreira, membro da executiva-nacional da Anel. Segundo ela, a luta pela redução das passagens não é apenas dos estudantes, mas de toda a sociedade. "Por conta dessa indignação com os valores abusivos cobrados por serviço de péssima qualidade é que nos unimos nesta luta, que não é somente dos estudantes, mas de todas as pessoas que dependem do transporte público", afirmou em entrevista por telefone.

Já a presidente da UNE, Virgínia Barros, disse que a entidade também está mobilizada para ampliar a participação nos protestos. Neste fim de semana, por exemplo, um  encontro dos estudantes do Estado de São Paulo terá como prioridade a discussão sobre a participação na luta contra a redução da passagem. "A maioria das pessoas que tomaram as ruas eram estudantes. Vamos seguir mobilizados nesta luta e fazer o que já conseguimos em outras cidades (a redução do valor da passagem), como Porto Alegre e Goiânia", afirmou a jovem.

Protesto de segunda-feira
Na página do Facebook do Movimento Passe Livre, que organiza os protestos em São Paulo, o ato de segunda-feira está marcado para começar às 17h. Segundo a representante da Anel, está ocorrendo uma mobilização para que as manifestações aconteçam em outras regiões do País, além da capital paulista, do Rio de Janeiro e de Porto Alegre . 

"Ontem já articulamos um dia nacional de luta contra o aumento da tarifa não só nas grandes capitais, mas também em Maceió, Belém e outras cidades. Queremos ampliar essa campanha nacional na próxima semana", disse Arielli, aluna de letras da Universidade de São Paulo (USP).

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Segundo ela, os estudantes sempre tiveram à frente das principais lutas do País, como a campanha das Diretas e o impeachment do ex-presidente Collor de Mello, e mais uma vez se unem à luta contra "os abusos dos governantes". "Ontem nós éramos milhares de pessoas na rua, lutando de forma pacífica, contra o abuso do aumento da passagem. A postura da polícia, desde o início, foi de reprimir a mobilização. Mas essa repressão não vai nos calar, sabemos que a população está do nosso lado e isso nos motiva cada vez mais", disse a estudante.

A ideia do movimento é visitar as escolas de São Paulo durante a manhã e a tarde de segunda para conversar com os estudantes sobre a necessidade de ir para as ruas cobrar a revisão das tarifas. "Entre todos os problemas para a população, o aumento das tarifas provoca evasão escolar. Vamos usar todas as nossas forças, vamos para as salas de aula para garantir apoios", disse a jovem.

Cenas de guerra nos protestos em SP
A cidade de São Paulo enfrenta protestos contra o aumento na tarifa do transporte público desde o dia 6 de junho. Manifestantes e policiais entraram em confronto em diferentes ocasiões e ruas do centro se transformaram em verdadeiros cenários de guerra. Enquanto policiais usavam bombas e tiros de bala de borracha, manifestantes respondiam com pedras e rojões.

Durante os atos, portas de agências bancárias e estabelecimentos comerciais foram quebrados, ônibus, muros e monumentos pichados e lixeiras incendiadas. Os manifestantes alegam que reagem à repressão opressiva da polícia, que age de maneira truculenta para tentar conter ou dispersar os protestos.

Segundo a administração pública, em quatro dias de manifestações mais de 250 pessoas foram presas, muitas sob acusação de depredação de patrimônio público e formação de quadrilha. No dia 13 de junho, vários jornalistas que cobriam o protesto foram detidos, ameaçados ou agredidos.

As passagens de ônibus, metrô e trem da cidade de São Paulo passaram a custar R$ 3,20 no dia 2 de junho. A tarifa anterior, de R$ 3, vigorava desde janeiro de 2011.

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Fonte: Terra
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