Por que o coelho é o símbolo da Páscoa?
Acompanhado de ovos coloridos, o animal evoluiu de um simbolismo alemão para se tornar uma das principais imagens da data
A Páscoa, celebrada anualmente no primeiro domingo após a primeira lua cheia posterior ao equinócio de outono (no hemisfério sul), marca, para os cristãos, a ressurreição de Jesus Cristo. Ao longo dos séculos, a data e seus símbolos foram ressignificados até assumirem o que é hoje.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
A palavra “Páscoa” tem origem no hebraico Pessach, que significa “passagem”. A celebração surgiu no judaísmo, como forma de lembrar a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito. Após a crucificação de Cristo, a data ganhou novo significado dentro do cristianismo, passando a simbolizar a ressurreição.
Durante a Semana Santa, período que antecede o Domingo de Páscoa, são realizadas missas, procissões e encenações da trajetória de Jesus, conhecidas como “Paixão de Cristo”. Mas, afinal, o que o coelho tem a ver com a celebração?
Diferentes versões sobre a origem do “coelhinho da Páscoa” circulam entre religiosos e historiadores. No entanto, todas compartilham dois elementos em comum: a associação do animal à fertilidade e a ideia de nascimento e renovação. Isso porque o coelho é tradicionalmente visto como símbolo de fertilidade devido a capacidade reprodutiva do próprio animal.
As fêmeas atingem a maturidade sexual por volta dos quatro meses, e a gestação dura entre 30 e 32 dias, podendo gerar de quatro a 12 filhotes por ninhada. Segundo a revista Time, uma das teorias mais difundidas aponta que o símbolo deriva de tradições pagãs, especialmente do festival de Eostre (ou Ostara), uma celebração germânica datada do século VIII que marca o equinócio da primavera e homenageia a deusa da fertilidade de mesmo nome, cujo animal simbólico seria o coelho.
Em algumas representações, Eostre também seria representada como com a cabeça e os ombros de uma lebre, segundo o portal Alchemy England. Os ovos também carregam significado, representando nova vida dentro dessa mesma tradição. Com o tempo, o costume se espalhou e foi adaptado em diferentes regiões, embora não tenha uma comprovação. De acordo com o site History.com, no século XIX, membros da alta sociedade russa passaram a trocar ovos ricamente decorados, muitas vezes adornados com joias, durante a Páscoa.
A versão mais próxima da atual tradição, porém, tem origem na cultura alemã. Os primeiros registros da figura folclórica conhecida como Osterhase aparecem em uma dissertação de 1678 do médico alemão Georg Franck von Franckenau. O texto descreve um costume no sudoeste da Alemanha, no Palatinado, na Alsácia e em regiões próximas, no qual um coelho colocaria ovos e os esconderia em jardins para que crianças os procurassem.
Segundo o autor, tratava-se de uma “fábula contada aos simplórios e às crianças”. Ao longo dos séculos, a tradição se popularizou e foi levada às Américas por imigrantes alemães, consolidando-se como um dos principais símbolos da Páscoa.