Redação da Fuvest tem como tema a importância do passado para a compreensão do presente

Neste domingo, 6, candidatos iniciam as provas da segunda fase do vestibular; além da redação, também foram cobradas questões de Língua Portuguesa

6 jan 2019
17h08
atualizado às 18h05
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SÃO PAULO - A redação da segunda fase da Fuvest, vestibular que é uma das formas de acesso às vagas da Universidade de São Paulo (USP), teve como tema a "importância do passado para a compreensão do presente". Neste domingo, 6, além da redação, os candidatos também tiveram que responder a dez questões de Língua Portuguesa.

O enunciado da redação apresentava a imagem de uma escultura de um menino negro jogando um balde de tinta branca na cabeça, além de textos que falavam sobre o incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro, o progresso na história da sociedade e sobre a memória da humanidade.

Para Eva Albuquerque, professora de redação do Cursinho da Poli, a proposta da redação é "contemporânea" e não deve ter trazido dificuldades para os candidatos. Segundo ela, o tema deste ano apresenta uma "quebra" em relação aos anos anteriores, em que a Fuvest cobrava assuntos mais filosóficos e distantes da atualidade.

"A proposta não prendia o aluno para falar apenas sobre o Museu Nacional ou sobre racismo, mas pedia que ele explicasse a importância de se compreender o passado para entender o presente. Ele podia abordar questões sociais, políticas, culturais", diz Eva.

Para Gabriela Carvalho, coordenadora de Redação do Curso Poliedro, a Fuvest aproveitou um tema "relativamente esperado" pelos candidatos - o incêndio do museu - para propor uma reflexão sobre uma situação mais ampla e contemporânea que a sociedade brasileira vive. "A Fuvest, mais uma vez, não se eximiu do papel político que tem. Os vestibulares têm um efeito retroativo, ou seja, os temas que eles cobram vão estar presentes na sala de aula nos anos seguintes. A prova usou o episódio do museu para propor uma reflexão sobre o momento político do Brasil", diz.

Os primeiros alunos a saírem da prova, por volta das 16 horas, disseram que o tema surpreendeu. No texto, eles se dividiram entre citações de exemplos históricos. A estudante Geovanna Gabriela de Jesus Barbosa, 17, citou a relação entre o impacto da escravidão para o racismo atual. Ela quer cursar Gestão de Políticas Públicas. "Achei difícil porque era muito aberto e podia fugir muito fácil do tema. Estou um pouco preocupada", afirma.

A democracia grega como sistema que foi evoluindo até hoje e a forma pacífica com que Gandhi protestava, "o que pode servir de inspiração para os povos de hoje", foram as referências utilizadas por Lucas Dorigo Khater, 17, inscrito para cursar Engenharia Elétrica. Para ele, o tema exigia conhecimento em conteúdo do Ensino Médio, principalmente de História, Filosofia e Sociologia.

Gabriel Afonso, de 19 anos, citou a queda do Muro de Berlim e a preservação de pedaços da estrutura até hoje como forma de lembrança histórica. "Foi um tema que abriu margem para muitas reflexões, com todo tipo de referência", diz.

Língua Portuguesa

Além da prova de redação, os candidatos também precisarão responder a dez questões dissertativas de português, incluindo conteúdos de compreensão e interpretação de textos, gramática e literatura. As questões abordaram ao menos cinco livros da lista de obras obrigatórias: Minha Vida de Menina, de Helena Morley; Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis; Relíquia, de Eça de Queiroz; O Cortiço, Aluísio de Azevedo; e um conto de Sagarana, de Guimarães Rosa.

A prova ainda trouxe uma tirinha da cartunista Laerte e a letra da música "Meu Caro Amigo", de Chico Buarque. As questões abordaram temas como a feminilidade, escravidão e a ditadura militar.

Segunda fase

Neste domingo, a Fuvest realizou a primeira prova da segunda fase do vestibular, com questões de Língua Portuguesa e a Redação. Segundo a organização do exame, foram convocados 35.371 candidatos para essa etapa da seleção, quantidade 62,3% maior do que em 2018. O primeiro dia de exame apresentou um índice de abstenção de 7,7%.

Nesta segunda-feira, 7, os estudantes farão os exames específicos de cada área.

Estadão

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