Preocupados com redação, candidatos da Fuvest revisam filosofia e efemérides

Primeiro dia da segunda fase do vestibular também tem prova de Português

6 jan 2019
13h41
atualizado às 13h59
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Sentada no gramado em frente à Escola Politécnica da USP, à espera da abertura dos portões, a estudante Beatriz Marasia, de 19 anos, revisava teorias dos filósofos Jean-Paul Sartre, Immanuel Kant e Émile Durkheim. "É difícil prever o tema da redação, mas precisa saber usar as referências e ter base teórica, além de bastante vocabulário e conhecer as estruturas para que o texto faça sentido", diz ela, que quer cursar Medicina. A segunda fase do vestibular da Fuvest, com provas de Português e Redação, teve início às 13 horas deste domingo, 6. Os portões abriram às 12h30. A prova tem duração de quatro horas e a saída é permitida a partir das 16 horas.

A estudante Bruna Chung, de 17 anos, diz que começou a se preocupar em estudar filosofia após o tema da redação de 2017 ("O homem saiu de sua menoridade?"), que abordou conceitos do Iluminismo elaborados na obra de Kant. "Li aquele enunciado na época e não entendi nada. Fiquei muito mais preocupada com filosofia depois disso", afirma. Bruna quer estudar Letras na USP.

Para ela, a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é mais fácil do que a da Fuvest porque aborda "problemas do dia a dia". "Os temas da redação da Fuvest são bem diferenciados, mais filosóficos. Ontem revisei filósofos e teorias", conta Bruna.

Em uma sacola plástica, Henrique Ramos, de 22 anos, levava sanduíche, água, chocolate e frutas para enfrentar as 4 horas de prova. "Pretendo ficar até o último minuto, dedicando duas horas para redação e duas horas para língua portuguesa", explica ele, que tenta Biblioteconomia na Fuvest. Para o candidato, o controle do tempo é a principal dificuldade. Ramos preferiu não arriscar o tema da redação: "Difícil prever. Mas treinei com todas as redações anteriores, li bastante jornal durante o ano e acompanhei notícias do mundo todo."

Já Andreia Gomes da Silva, de 35 anos, diz que seu professor apontou para três possibilidades de tema: suicídio, fake news ou democracia. "Ele acertou o tema da redação do Enem de 2018, então quem sabe?", diz. Andreia, que deseja cursar Letras, diz que a melhor forma de estudar redação é treinando.

Ela quer largar a carreira em Comércio Exterior, na qual está há 11 anos, e parou de trabalhar no fim do ano passado quando passou para a segunda fase. "Sabe aquelas confraternizações e happy hour de final de ano que todo mundo foi? Eu dizia "não posso ir". Me privei muito de vida social", afirma. "Vai valer a pena. Mesmo que eu não passe agora, serve para entrar em contato e ter experiência com a prova."

Após a divulgação das questões, o Estado fará, à noite, a correção das questões no portal estadao.com.br.

Atraso e choro

A candidata Daiane Priscilla de Moura Fernandes, de 19 anos, chegou com 20 minutos de atraso e perdeu o primeiro dia de provas da segunda fase da Fuvest, em Sorocaba, interior de São Paulo. A garota viajou de Pilar do Sul para prestar o exame, mas chegou às 13h20 - o portão fechou pontualmente às 13h. Daiane ficou nervosa e chorou. O pai, que não quis se identificar, disse que ela se enganou sobre o horário de fechamento do portão. "Ela garantiu que seria às 13h30, por isso não tivemos pressa." Daiane tentava vaga para Geografia na USP.

No prédio da Universidade Paulista (Unip), um dos locais de prova, ela foi a única retardatária. Outros dois candidatos entraram faltando poucos minutos para fechar o portão. A maioria já estava nas salas, aguardando o início da prova. Muitos candidatos madrugaram para chegar sem atropelos.

A estudante Natália Vitória Berke, de 19 anos, acordou às 6 da manhã para não correr riscos. Moradora de Porto Feliz, ela faz a prova em Sorocaba, a 45 km, e foi levada pela mãe, a bióloga Vera Lúcia Berke. "Estrada é sempre uma surpresa e, na primeira fase, nos perdemos. Hoje também passei reto no acesso e tive fazer um retorno. Só não tivemos problema porque saímos às 8 horas, com muita antecedência", disse a mãe.

Natália quer fazer Gestão Ambiental na USP. Ela cursou escola técnica estadual, não fez cursinho "por livre e espontânea opção financeira", como disse, mas está otimista. "É minha primeira Fuvest, mas acho que estou preparada. Pesquisei muito para ir bem na redação. Embora ache que vai cair um tema, também me preparei para temáticas atuais."

A candidata Beatriz Zambo, de 18 anos, também foi uma das primeiras a chegar ao local de provas, em Sorocaba. Ela mora em Iperó, cidade próxima, e, na primeira fase, quase perdeu a prova por conta do trânsito. "Havia um congestionamento grande e chegamos em cima da hora", lembra. Beatriz disputa vaga em Medicina Veterinária na USP. "Fiz cursinho, fui muito bem no Enem, está tudo favorável", disse.

Estadão
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