Português e Redação ganham peso na 2ª fase da Fuvest

Com redução do número de dias desta etapa neste ano - de 3 para 2 -, provas se tornaram mais importantes, afirmam especialistas

5 jan 2019
19h38
  • separator
  • comentários

SÃO PAULO - Os candidatos que vão fazer a segunda fase da Fuvest, principal processo seletivo para a Universidade de São Paulo (USP), devem estar atentos às provas de Português e Redação, que serão aplicadas neste domingo, 6. De acordo com coordenadores de cursinhos, com a redução do número de dias do exame - de três para dois neste ano -, cada etapa da seleção se tornou mais relevante para a nota final.

"São dois dias de prova na segunda fase, o que a torna mais leve, mas cada etapa é decisiva. Uma dica importante para os alunos é valorizar bastante as provas de Português e Redação. Às vezes, os candidatos deixam de lado, e é justamente aí que ganham ou perdem (a vaga). As questões específicas costumam ter variação menor de notas, porque, geralmente, são as que os alunos mais se dedicam", avalia Edmilson Motta, coordenador-geral do Grupo Etapa.

Rubens Carnevale, coordenador pedagógico do Vetor Vestibulares, explica que a primeira fase e cada um dos dois dias da segunda etapa correspondem a um terço do total de pontos que o candidato pode alcançar. Até a última edição do vestibular, antes da redução de um dia nas provas da segunda fase, a pontuação estava mais distribuída em cada um dos dias, segundo Carnevale. "A prova de Português ganhou peso com a mudança."

O coordenador, que também é professor de Língua Portuguesa e Redação, diz que é fundamental que o candidato compreenda bem o tema da Redação para ter sucesso. "A Redação deve ter adequação ao tema. Por isso, o aluno deve ler os textos da coletânea antes de produzir, observando a progressão discursiva, que é a coesão e a coerência, e a linguagem adequada. Também tem de saber argumentar. O que dá brilho ao texto é a argumentação."

Ao longo do ano, os cursinhos trabalham diversos temas que, apostam, podem ser abordados na Redação e, de acordo com os especialistas, a fórmula adotada pela Fuvest já é conhecida. "Ao contrário do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que traz um tema da realidade e do cotidiano, a Fuvest costuma pedir um tema de caráter filosófico, que vai refletir sobre a essência do ser humano", afirma Carnevale.

Vera Lucia da Costa Antunes, coordenadora pedagógica do Cursinho Objetivo, classifica a prova da Fuvest como "muito clara". "É tudo muito bem formulado, e ela é rica em gráficos, imagens e tabelas. É importante que o candidato leia o que está sendo pedido e obedeça o comando da questão", afirma.

Após a divulgação das questões, o Estado fará, à noite, a correção das questões no portal estadao.com.br.

Estratégias. Candidatos que não conquistaram a vaga nas edições anteriores contam que mudaram suas estratégias de estudo para tentar alcançar um melhor aproveitamento.

O estudante Vinícius Dioni, de 18 anos, prestou vestibular em 2017 para Engenharia Civil e não foi aprovado. Em 2018, mudou de estratégia e de opção de curso. "Pesquisei mais, conversei com professores e optei por Engenharia Elétrica. Em 2017, não fiz cursinho e nem passei para a segunda fase. Já em 2018, acordava, ia para o cursinho, fazia exercícios o dia inteiro e participava de plantão de dúvidas."

Para a Redação, Dioni tem praticado até três vezes por semana e também, conta, está cuidando da parte emocional. "Um dos problemas que tive no passado é que eu me desesperei. É fundamental ter calma."

A técnica em Enfermagem Isabela Matilde Ralio Cardoso, de 36 anos, está na quarta tentativa e pela primeira vez conseguiu chegar à fase final.

"Desta vez, fiz estudos mais direcionados para atingir os meus focos de deficiência, porque tenho desempenhos diferentes nas matérias. Concentro nas minhas dificuldades e mantenho as matérias que tenho facilidade. Meu desempenho foi muito melhor, fui bem na primeira fase", diz Isabela, que concorre a uma vaga em Medicina.

Prova. Depois de fazerem hoje as provas de Redação e Português (com dez questões), os candidatos partem amanhã para a prova específica - serão 12 questões de acordo com a carreira escolhida. Segundo a Fuvest, 32.178 candidatos disputam as 8.362 vagas nos cursos de graduação da USP. As provas são realizadas em 19 cidades paulistas.

Preste atenção

O que levar

O candidato deve levar um documento original de identidade com foto e caneta esferográfica azul. É permitido lápis para rascunho e levar água e alimentos leves.

O que não levar

É proibido usar equipamentos eletrônicos, como celular, além de boné, óculos de sol, relógio e fone de ouvido.

Onde

O local onde cada aluno vai fazer a prova é informado no site fuvest.br. O candidato deve ficar alerta: o endereço pode não ser o mesmo da primeira fase.

Fechamento dos portões

Nos dois dias, as escolas abrem os portões às 12h30 e fecham às 13 horas (horário de Brasília).

Duração da prova

O candidato tem 4 horas para fazer o exame. É permitido deixar o local a partir de 16 horas.

Aprovados

A 1ª chamada de aprovados será divulgada no dia 24 de janeiro. Outras quatro convocações serão liberadas entre os dias 1º e 22 de fevereiro.

Matrícula

Há uma etapa virtual da matrícula, com uma data para cada chamada, e outra presencial, que nos dias 27 e 28 de fevereiro.

Enem

A USP ainda vai oferecer outras 2.785 vagas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que usa a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para preencher vagas na graduação. As inscrições serão entre os dias 22 e 25.

Estadão

compartilhe

comente

  • comentários
publicidade