'Piauhy' é citado em julgamento da trama golpista; por que o estado mudou de nome
Advogado do Garnier, Demóstenes Torres, mencionou termo durante julgamento nesta terça-feira, 2
Durante o julgamento da trama golpista de 2022, foi mencionado que o estado do Piauí já se chamou "Piauhy", alteração feita pela Reforma Ortográfica de 1943, que simplificou grafias no português.
O advogado do ex-comandante da Marinha Almir Garnier, Demóstenes Torres, mencionou durante o julgamento sobre a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus, por tentativa de golpe de Estado em 2022, que Piauí já se chamou “Piauhy”, com hy. Realmente ocorreu a mudança?
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A resposta é sim. Ainda no século XIX, o estado e a sua capital tinham grafias diferentes, sendo Teresina escrita com th. As formas faziam parte da morfologia da época, que tinha várias semelhanças com o inglês e com o francês como o uso de consoantes dobradas, por exemplo, e a inclusão de letras seguindo o exemplo do grego e do latim.
No entanto, com a Reforma Ortográfica de 1943, houve uma simplificação das palavras. Composto por duas partes, o novo acordo tinha 17 bases de Formulário, sendo elas:
- Base I - Alfabeto: determina a composição do alfabeto português com 23 letras, permitindo o emprego das letras K, W e Y apenas em casos especiais.
- Base II - K, W, Y: apresenta as mudanças gráficas de termos que até então empregavam essas letras - k por qu (antes de e e i) ou por c (antes de a, o e u). O w, substituído por v ou u, de acordo com seu valor fonético. O y substituído sempre por i. As únicas exceções foram as letras que compõem abreviaturas internacionais ou fazem parte de antropônimos estrangeiros.
- Base III - H: esta letra passou a ser conservada apenas no princípio das palavras cuja etimologia o justificasse, nos dígrafos ch, lh e nh, em interjeições e nos compostos com hífen. Foi abolido em compostos sem hífen.
- Base IV - Consoantes mudas: extinção completa de quaisquer consoantes que não se proferirem, ressalvadas as palavras que tivessem variantes com letras pronunciadas ou não.
- Base V - SC: eliminação do sc no início das palavras e manutenção apenas quando os vocábulos já estivessem formados.
- Base VI - Letras dobradas: permanência dos grupos rr e ss com som único e do grupo cc (ou cç) com sons distintos.
- Base VII - Vogais nasais: fixação da grafia dessas vogais.
- Base VIII - Ditongos: regras para a grafia de ditongos orais e nasais.
- Base IX - Hiatos: uso de oe e ue nos verbos terminados em oar e uar na 1ª, 2ª e 3ª do singular do subjuntivo.
- Base X - Parônimos e vocábulos de grafia dupla: fixação de grafias de e/i, o/u, c/q, ch/x, g/j, s/ss/c/ç, s/x, s/z e com os vários valores fonéticos do x.
- Base XI - Nomes próprios: regras do Formulário para aportuguesamentos e nomes próprios. Ressalva ao direito de manter a grafia original dos nomes próprios de empresas.[4] Exceção feita aos topônimos de tradição histórica, tais como "Bahia".[5]
- Base XII - Acentuação gráfica: regras para grafar os acentos nas oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas.
- Base XIII - Apóstrofo: apenas para supressão de letras em versos, reprodução de pronúncias populares, supressão de vogais em palavras compostas com consagração pelo uso, como em d'oeste, d'alho, d'arco, etc.
- Base XIV - Hífen: uso de hífen em verbos e palavras compostas com prefixos e sufixos, além de verbos.
- Base XV - Divisão silábica: determinou que a separação silábica devesse ser feita pela soletração e não mais pela etimologia.
- Base XVI - Emprego das iniciais maiúsculas: apresentou as regras para o uso de maiúsculas, excluindo-o para meses do ano, pontos cardeais, nomes de povos e nacionalidade.
- Base XVII - Sinais de pontuação: uso das aspas (aspas americanas), do parêntesis, do travessão e do ponto final.
Após essa reforma, o português brasileiro passou por mais um acordo até chegar no que conhecemos hoje. Sendo o último o Acordo Ortográfico de 1990, que foi implementado no país em 2009.