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Onde mais falta creche no Brasil?

Nas regiões Norte e Nordeste os pais têm mais dificuldade de encontrar vagas para os bebês

19 jun 2026 - 10h11
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Dados da nova Pesquisa por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) da Educação, divulgados nesta sexta-feira, 19, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam ainda um déficit significativo de vagas para educação de bebês e crianças de 0 a 3 anos no País. As regiões Norte e Nordeste são as mais impactadas.

"Não ter escola ou creche na localidade, falta de vaga ou não aceitação da matrícula por conta da idade da criança" foi o segundo motivo mais citado para que pessoas de 0 a 3 anos não estivessem matriculadas. Entre os bebês de 0 a 1 ano, 28,1% dos pais ou responsáveis apontaram esse fator; entre as crianças de 2 a 3 anos, a porcentagem é de 33,4%.

Boa parte das crianças de 0 a 3 anos está fora da escola por decisão dos pais; no entanto, uma grande porcentagem não encontra vagas no sistema, segundo IBGE.
Boa parte das crianças de 0 a 3 anos está fora da escola por decisão dos pais; no entanto, uma grande porcentagem não encontra vagas no sistema, segundo IBGE.
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

As regiões Norte e Nordeste se destacam como as mais afetadas pelo déficit de creches e escolas para os menores: no norte, 35,5% dos bebês e 44,5% das crianças de 2 a 3 anos estavam fora da creche por esse motivo; no nordeste, as porcentagens foram 36,1% e 37,2%, respectivamente. Segundo os técnicos do IBGE, os dados revelam a deficiência da oferta de creches ou da disponibilidade de vagas na educação infantil nessas regiões.

Ainda assim, a maioria das crianças dos 0 aos 3 anos está fora da creche por opção dos pais ou responsáveis: 64,1% dos bebês e 57,1% dos menores de 2 a 3 anos. Esse motivo é o mais citado em todas as regiões do País. O mais alto para bebês de 0 a 1 ano foi registrado no Centro-Oeste, 73,6%, enquanto o menor foi apurado no Nordeste, 58,5%. Para a faixa etária seguinte, de 2 a 3 anos, a maior porcentagem também foi observada na região Centro-Oeste, 65,5%, a menor, na região norte, 49,4%.

A taxa de escolarização das pessoas de 6 a 14 anos de idade no Brasil é de 99,5%, o que corresponde a um contingente estimado em 26 milhões de estudantes nesta faixa etária inseridos no sistema educacional. Esse nível de escolarização, considerado elevado, se mantém estável desde 2016.

Na faixa etária seguinte, de 15 a 17 anos, a taxa de escolarização é de 93,2%, o que representa uma estabilidade em relação ao ano anterior, 2024. As pessoas de 18 a 24 anos são aquelas que, idealmente, estariam frequentando o ensino superior caso tivessem completado a educação básica na idade recomendada. No entanto, o atraso escolar e a evasão persistem nas etapas anteriores, o que compromete essa meta. Por isso, muitos jovens aos 18 anos ainda estão cursando anos da educação básica, em descompasso entre idade e etapa.

A taxa de escolarização de 18 a 24 anos no Brasil é de 31,5%, similar à de 2024. No entanto, apenas 24,5% dos jovens estavam cursando o ensino superior (a etapa adequada à idade). Outros 7,0% dos jovens dessa faixa etária estavam atrasados, cursando ainda a educação básica.

Diante dessa porcentagem de 24,5% (dos que realmente estão cursando o ensino superior), o Brasil não alcançou a meta de 33% dos jovens matriculados em algum curso superior até 2024. A meta só foi superada entre as pessoas brancas.

"O desafio do País, portanto, envolve reduzir as desigualdades de acesso e conclusão do ensino superior, enfrentar o atraso escolar, bem como garantir a permanência dos jovens no sistema educacional", conclui o levantamento.

Estadão
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