Na primeira semana desde volta às aulas, escolas estaduais de SP registram 77 casos de covid-19

No mesmo período, na rede particular, foram contabilizados 41 casos e, na rede municipal, apenas um; segundo plataforma, entre 1 de janeiro e 13 de fevereiro, foram notificados 741 casos da doença em escolas de todas as redes de São Paulo

16 fev 2021
15h06
atualizado às 20h45
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SÃO PAULO - As escolas estaduais de São Paulo registraram 77 casos de covid-19 entre alunos e funcionários na primeira semana desde que as aulas foram retomadas, no último dia 8. O balanço, que contabiliza dados até o dia 13 de fevereiro, foi o primeiro levantamento do Sistema de Informação e Monitoramento da Educação para a covid-19 (Simed), plataforma lançada em dezembro do ano passado para monitorar casos suspeitos e confirmados do novo coronavírus nas redes estadual, municipal e privada de todo Estado.

No mesmo período, na rede particular, foram contabilizados 41 casos e, na rede municipal, apenas um. Esse último número é baixo porque muitas unidades ainda não retomaram as atividades.

Dos 77 casos de covid-19 nas escolas do Estado, 15 foram em alunos e 62 entre profissionais que trabalham nas unidades.

Segundo a plataforma, entre 1 de janeiro e 13 de fevereiro, foram notificados 741 casos da doença em escolas de São Paulo, dos quais 456 foram na rede estadual e 271 na rede privada. Na rede municipal, foram 14.

"Não temos cadastro dos funcionários da rede privada, só temos a informação do que foi inserido. Desde janeiro, foram 130 alunos e 141 funcionários infectados, mas não temos os terceirizados. Na municipal, as redes que têm conselho próprio, como São Paulo, terão monitoramento próprio, mas a maioria não retomou as aulas", explica o secretário de Estado da Educação Rossieli Soares, que fez a divulgação do levantamento.

Na rede estadual, dos 456 casos, 83 foram entre alunos. E apenas um foi entre estudantes na rede municipal.

O secretário informou que o monitoramento será realizado semanalmente, tendo como base a análise por semana epidemiológica.

"Vamos monitorar o perfil epidemiológico em ambiente escolar, que vai nos ajudar no processo de implementação de medidas para evitar a disseminação de casos. A unidade de referência é a semana epidemiológica, com dados de domingo até sábado, usando um padrão internacional que é o mesmo padrão do Plano São Paulo."

Segundo Rossieli, 3 milhões de alunos da rede estadual foram autorizados a retomar as atividades escolares, totalizando 90% dos estudantes, e 4,5 mil escolas voltaram a funcionar presencialmente (85%) em 516 municípios (80%).

As aulas foram retomadas com 35% da capacidade e, de acordo com o secretário, o porcentual deve ser mantido, mesmo com regiões dentro da fase amarela do plano de flexibilização.

"Não temos nenhuma previsão de flexibilização na próxima semana. Devemos trabalhar com uma média de 50% na próxima etapa, para organização das famílias. A gente deve estar preparado para outros passos tanto para frente quanto para trás regionalmente."

Para Rosana Richtmann, coordenadora da infectologia do Grupo Santa Joana, ainda é cedo para avaliar os dados, mas ela destacou a importância de analisar os indicadores.

"É bem prematuro chegar a qualquer conclusão, porque a gente não tinha esse número antes. Não sabemos quantos alunos adoeciam por semana e se o índice é maior do que com a volta às aulas. É importante ter esse parâmetro para seguir nas próximas semanas e continuar monitorando casos suspeitos e confirmados."

Interrupção de aulas

Entre 8 e 12 de fevereiro, nove escolas do Estado tiveram aulas temporariamente interrompidas por casos de covid-19. O secretário diz que esse tipo de situação pode ocorrer ao longo dos próximos meses, mas que a definição sempre será feita pela pasta da Saúde.

Membro da Comissão Médica da Educação de São Paulo e diretor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Marco Aurélio Sáfadi diz que a tendência é de que não ocorra um novo fechamento das escolas como foi realizado no ano passado.

"Uma das estratégias exitosas tem sido a formação de bolhas (com casos suspeitos e contactantes). A gente pode dispor de estratégia que permita o fechamento dessas bolhas. Muitas vezes, a ocorrência das escolas reflete a transmissão de vírus na comunidade, mas fechar escolas não parece contribuir para o impacto do vírus na comunidade. Entendemos que permitir que as crianças frequentem é uma atividade essencial. Eventualmente, haverá situações que serão fechadas, mas não como primeira medida."

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Estadão
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