Hitler e o Anticomintern

24 set 2018
13h39
atualizado às 20h02
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Durante os seis anos de poder que antecederam a Segunda Guerra, de 1933 a 1939, Adolf Hitler engendrou um jogo astucioso no sentido de evitar a situação dramática em que a Alemanha Imperial se encontrou em 1914, isto é ter que lutar em dois fronts simultaneamente. Frente às potencias vitoriosas em 1918 ele se colocou como o campeão do anticomunismo, o líder radical que se opunha com todas as forças à expansão do bolchevismo para as terras do Ocidente. Por outro lado, aos ouvidos de Moscou, manteve um discurso ambíguo denunciando os males da plutocracia capitalista controlada por judeus ardilosos que manipulavam os negócios em seu favor.

Ministro japonês, Hitler e o conde Ciano
Ministro japonês, Hitler e o conde Ciano
Foto: Reprodução

Resultante da sua face profundamente hostil à URSS e ao regime de Stálin, ele promoveu a formação do Pacto Anticominter, assinado em Berlim, em 25 de novembro de 1936, aliança preventiva entre a Alemanha Nazista e o Japão do Micado, estendido à  Itália Fascista em 1937.

Caso houvesse um ataque soviético às potências do Eixo, assim, passaram a se chamar,  agiriam em comum acordo.

Com isto, Hitler esperava garantir a simpatia das posições conservadoras e direitistas dos países da Entente que acreditavam que ele, mais tarde ou mais cedo, se lançaria sobre as estepes da URSS.

Deste modo, não fariam oposição séria ao rearmamento alemão nem à politica de recuperação das fronteiras de 1914, perdidas na Grande Guerra. Posição esta que levou os governos da Grã-Bretanha e da França à politica de apaziguamento ou abrandamento ( satisfazer as exigências do ditador para evitar ao máximo uma nova guerra européia), e que teve seu clímax no famoso Acordo de Munique, acertado em 29 de setembro de 1938.

Naquela ocasião, os governos da Entente, com a concordância de Mussolini,   aceitaram que Hitler retomasse a região dos Sudetos, território que, desde o Tratado de Versalhes, pertencia à República da Tchecoslováquia ainda que povoado majoritariamente por alemães (65%), fosse incorporado ao IIIº Reich em troca da promessa dele de não mais fazer exigências territoriais.

Mesmo que as populações francesas e inglesas, aliviadas pela suspensão temporária da guerra,  exultassem com o resultado que o primeiro ministro Chamberlain e o presidente Daladier obtiveram em Munique, o futuro logo mostrou suas ilusões. Aos observadores em geral estava claro que os vencedores de 1918 haviam capitulado frente ao poder nazista. O que veio a reforçar o enorme desprezo que o Führer devotava aos regimes democráticos e ao clima liberal que então vigia neles. No dia 10 de março do ano seguinte, as tropas nazistas ocupam o restante da Tchecoslováquia a pretexto de ‘ garantir a ordem’, sinalizando que o ditador estava longe de manter-se satisfeito.

Outro feito surpreendente de Hitler foi a realização do sonho dos Pangermanistas: a politica de anexação da República da Áustria, a Anschluss, executada em 12 de março de 1938, quando o Führer, entrando em Viena amparado pela multidão, proclamou na Heldenplazt a transformação do país antes independente numa provincia do Reich: a Ostmark.

Formou-se deste modo o Grande Reich Alemão (Grossdeutsches Reich), unindo alemães e austríacos, sendo a Áustria reduzida ao estatuto de Reichsgaue Ostmark.

Situação confirmada por um referendo, convocado para do dia 10 de abril,  que teve apoio total da população austríaca (99% dos votos)

Entrementes, o prestigio interno dele tornou-o inabalável. Durante os dois últimos anos, desde a remilitarização da Renânia,  ele arrancara concessões e obtivera sucesso sem que nenhum tiro fosse disparado ou sangue derramado.  

Fonte: Especial para Terra

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