Brasil República

2 dez 2019
21h23
atualizado em 3/12/2019 às 18h07
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I ‑ Antecedentes

De certa forma, a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889 foi a nossa Revolução Francesa que tardou cem anos a chegar.

Foi com a República que implantou-se o Federalismo, o sistema Presidencialista, a independência dos Poderes, bem como a separação do Estado da Igreja. Terminou-se com a hierarquia baseada no nascimento e na tradição de família, substituindo-a pela forma republicana e democrática baseada no talento pessoal e no mérito.

Ela foi obra de militares e de um escasso grupo de civis do Partido Republicano, fundado em 1873. O que fez com que muitos afirmarem que a República no Brasil não tinha republicanos autênticos e que ela foi constituída por ex-monarquistas convertidos na última hora (Machado de  Assis deixou no conto “A placa” um testemunho vivo dos vira-casaca).

Foto: Reprodução

Os militares e a crise do Império

O Império havia sempre dado preferência pela Marinha de Guerra, arma aristocrática. Foi a longa e dolorosa Guerra do Paraguai, travada entre 1865 e 1870, que terminou por projetar o Exército Brasileiro como força política, ao ter que armar e adestrar milhares de soldados e oficiais. O Império terminou inclinando o peso da balança do poder para os soldados. Também foi fator marcante da atitude cada vez mais republicana por parte da oficialidade o seu contato com os militares da Argentina e do Uruguai durante a guerra paraguaia. Até 1889, o Brasil era o único Império existente na América inteira. Todas as demais nações vizinhas eram republicanas. É claro que a guerra serviu para atiçar o ardor nacionalista das tropas, o que levou a oficialidade a hostilizar cada vez mais o Conde D’Eu, de origem francesa, o marido da Princesa Isabel e provável sucessor de fato do velho Imperador D. Pedro II. Tamanho passou a ser o receio de que o exército desse um golpe depois de sua vitória contra o Paraguai que as autoridades imperiais resolveram cancelar a marcha da vitória que seria realizada pelas tropas vindas da guerra recém finda.

Vários militares converteram-se não apenas ao republicanismo como também ao abolicionismo. Entre eles destacou-se o coronel Sena Madureira, que publicamente parabenizou os jangadeiros cearenses quando aqueles negaram-se a transportar escravos em suas embarcações, apressando a abolição da escravatura no Ceará. Sena Madureira foi repreendido pelo Ministro Civil, que o puniu. Foi que bastou para que vários oficiais se tornassem solidários com Sena Madureira, entre outros o Marechal Deodoro da Fonseca.

Os militares e a abolição

Entremente o movimento abolicionista estimulava tanto no Rio de Janeiro como em São Paulo as fugas em massa dos escravos. As matas do vale do Parnaíba estavam repletas de fugitivos. Seu número chegou a tal expressão que as autoridades imperiais cogitaram utilizar-se do Exército para recapturá-los. Foi então que o Marechal Deodoro da Fonseca enviou-lhes um telegrama negando-se a transformar seus soldados e oficiais em “capitães do mato”. A um Exército que recém vinha de uma guerra vitoriosa, repugnava ser lançado em indignas operações policiais de caça aos escravos fujões. Desta forma eles se colocavam objetivamente a favor da abolição, o que ocorreu logo em seguida.

Os republicanos

Os dois maiores partidos brasileiros eram monarquistas: o Partido Liberal e o Partido Conservador. Desde o governo de conciliação de 1853, eles se alternavam no poder sem grandes litígios. Na prática o Brasil era um país com governo extremamente centralizado, apesar da aparência parlamentarista. Inspirados então pela proclamação da 3ª República francesa, políticos paulistas resolveram primeiro lançar um Manifesto Republicano em 1870 e depois formalizaram a fundação de um partido três anos depois, em 1873.

Quando a República foi proclamada pelos militares em 15 de novembro, os civis republicanos eram uma escassa minoria espalhada pelo país. Na verdade, eram ilhas minúsculas cercadas pelos partidários da monarquia por todos os lados. Mas os esforçados e coesos republicanos exploraram bem os constantes atritos que o exército passou a ter com os governos imperiais.

Influencia da revolução francesa no brasão republicano.

Dada a sua pouca representatividade, eles perceberam que dificilmente a monarquia seria destituída sem o socorro das armas do Exército. Assim a imprensa republicana passou a vigiar cada manifestação dos oficiais, bem como colocou suas páginas para que eles dessem vazão à sua insatisfação. No Rio Grande do Sul o jornal republicano “A Federação”, dirigido por Júlio de Castilhos, não media esforços para abrir mais e mais as brechas abertas entre os oficiais e o Imperador. Inclusive foi num sítio de propriedade de Júlio de Castilhos onde, vários meses antes da proclamação republicana, adotou-se a tática de estimular os militares ao golpe. O resultado revelou-se com a insurgencia do exercito no dia 15 de novembro de 1889.

Influência da Revolução Francesa no brasão republicano.
Influência da Revolução Francesa no brasão republicano.
Foto: Reprodução

 

Fonte: Especial para Terra
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