Ligado ao 'combate à ideologia' é nomeado diretor do Inep

Murilo Resende Ferreira teve o nome indicado por integrantes do movimento Escola Sem Partido; diretoria é responsável pelo Enem

17 jan 2019
11h47
atualizado às 12h33
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O governo de Jair Bolsonaro nomeou nesta quinta-feira, 17, Murilo Resende Ferreira para o cargo de diretor de Avaliação da Educação Básica (Daeb) do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), diretoria que é diretamente responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A nomeação foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).

Ferreira, de 36 anos, é doutor em Economia pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e teve o nome indicado por integrantes do movimento Escola Sem Partido, o qual ele também apoia.

Murilo Resende Ferreira foi nomeado diretor de Avaliação da Educação Básica (Daeb) do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep)
Murilo Resende Ferreira foi nomeado diretor de Avaliação da Educação Básica (Daeb) do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep)
Foto: Youtube / Reprodução

Em uma audiência pública no Ministério Público Federal, em 2016, sobre "Doutrinação Político-Partidária no Sistema de Ensino" ele afirmou que professores brasileiros são desqualificados e manipuladores, que tentam roubar o poder da família praticando a "ideologia de gênero".

O novo coordenador do Daeb é professor universitário em Goiás e foi aluno do curso online de Olavo de Carvalho.

Indicação

No dia em que seu nome foi indicado para assumir a Daeb, Ferreira teve o nome questionado por educadores e fundações educacionais que, além de manifestarem preocupação com as posições educacionais do indicado, também apontaram a falta de experiência em educação.

Bolsonaro defendeu a indicação de Ferreira pelo Twitter. "É doutor em Economia pela FGV" e "seus estudos deixam claro a priorização do ensino ignorando a atual promoção da "lacração", ou seja, enfoque na medição da formação acadêmica e não somente o quanto ele foi doutrinado em salas de aula".

Em seguida, seu filho, Eduardo Bolsonaro, completou que os alunos não precisarão mais saber "sobre feminismo, linguagens outras que não a língua portuguesa ou História conforme a esquerda" já que o Enem estará "sob a égide de pessoas da estirpe de Murilo Resende".

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Estadão
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