Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Estudantes da USP protestam com pizza contra crise no Senado

18 ago 2009 - 15h52
(atualizado às 16h40)
Compartilhar

Estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) participaram nesta terça-feira de manifestação contra a corrupção no Senado, simultaneamente à abertura da exposição do Museu da Corrupção (Muco), no Pátio das Arcadas, no campus universitário do Largo São Francisco, região central da capital paulista.

Garçom serve pizzas para estudantes da USP em protesto contra a corrupção
Garçom serve pizzas para estudantes da USP em protesto contra a corrupção
Foto: Reuters

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), é acusado de cometer uma série de irregularidades na administração do Senado, como empregar pessoas ligadas à sua família e desviar dinheiro público por uma fundação que leva o seu nome.

Onze pedidos para investigar as denúncias contra ele foram apresentados no Conselho de Ética do Senado, mas todos foram arquivados pelo presidente do órgão e aliado de Sarney, Paulo Duque (PMDB-RJ).

Durante o protesto, a presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, Talita Nascimento, leu um manifesto contra a corrupção e a impunidade e, em seguida, foram distribuídas pizzas batizadas com os nomes de parlamentares envolvidos em algum tipo de escândalo.

Segundo o diretor do jornal Diário do Comércio, ligado à Associação Comercial de São Paulo, Moisés Rabinovici, o museu é um acervo de informações sobre todos os escândalos da política brasileira. Com isso, espera-se que a população não esqueça os escândalos, seus resultados e seus protagonistas, principalmente na hora do voto.

Rabinovici disse que a ideia surgiu com a constatação de que cada novo escândalo derrubava o anterior. "Fiquei me perguntando como isso podia acontecer e comecei a pensar em um modo de criar uma memória para isso, e daí ao museu foi um passo", afirmou. A fase de pesquisa durou seis meses, até que o site do museu foi lançado no dia 21 de abril, informou.

O museu virtual, explicou, é um prédio no qual o internauta passeia e entra nas salas que quiser visitar. "Tem uma lojinha virtual com produtos engraçados, que não são vendidos de verdade, uma pizzaria e agência de viagens com todas as viagens feitas pelos parlamentares, entre outras coisas", disse.

De acordo com o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti, o museu é atemporal e não está fazendo críticas, mas pedindo que a sociedade participe de sua história.

"O mundo inteiro vive com o desenvolvimento do capital, de interesses, da concorrência, então, sempre vai haver desvios. Mas é importante que a única forma de direito à liberdade é por meio da participação", afirmou. "Criticar por criticar é fácil. A intenção da associação é que a sociedade entenda que só ela é que muda o curso da história."

A estudante Talita Nascimento lembrou que o ato faz parte de uma campanha do centro acadêmico, realizada desde o ano passado, contra a memória curta. Talita informou que a ideia de unir a manifestação dos estudantes ao Muco partiu do caráter irônico das ações das duas partes.

"Mais a ver com o XI de Agosto, impossível, até porque todas as manifestações do XI sempre tiveram o caráter irônico do nosso lema, que é 'Rindo, Mudam-se os Costumes'", explicou.

"O poder público tem que perceber que a sociedade civil está vigiando o que está acontecendo. É claro que o ato não faz com que haja mais seriedade na política, não força os homens públicos a ter mais respeito com a gestão pública, mas serve como um momento de simbologia, para mostrar que a sociedade civil está vigiando e que isso vai ser cobrado depois", afirmou a estudante.

Escrito pelos estudantes, o manifesto destaca que a reincidência de escândalos faz com que a arte da política, vista com admiração desde a cultura grega, seja encarada como algo digno de escárnio.

Agência Brasil Agência Brasil
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra