Veja exemplo de redação com o tema do Enem 2026
Enem 2026 começa a ser aplicado neste domingo, 8, para mais de 5 milhões de inscritos
A redação do Enem 2026 teve como tema a alorização do Sistema Único de Saúde (SUS) como direito universal. Considerado atual e acessível por professores de redação, a proposta também exige atenção à discussão de estratégias para fortalecer o SUS e garantir o acesso à saúde para toda a população. Thiago Braga, professor e autor do Colégio e Sistema pH, enviou ao Terra um exemplo de como o tema poderia ser abordado. Confira a redação abaixo.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Veja exemplo de redação com o tema do Enem 2026: "A valorização do SUS (Sistema Único de Saúde) como direito universal".
Em 1986, a 8ª Conferência Nacional de Saúde reuniu milhares de pessoas em Brasília e aprovou o princípio de que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Dois anos depois, a frase foi incorporada ao artigo 196 da Constituição e deu origem ao Sistema Único de Saúde, um dos maiores sistemas públicos e gratuitos do mundo. Passadas quase quatro décadas, porém, o SUS é mais usado do que reconhecido, já que boa parte dos brasileiros o enxerga como serviço destinado a quem não pode pagar, e não como direito que pertence a todos. Essa distância entre o que o sistema é e o que ele parece ser decorre tanto da invisibilidade de suas ações cotidianas quanto de uma cultura que trata a saúde como bem de consumo, e ambas enfraquecem o pacto universal que o sustenta.
Em primeiro lugar, a valorização de um direito depende de que ele seja percebido como tal, e o SUS sofre de uma invisibilidade peculiar. Quem se vacina em uma campanha nacional ou é socorrido por uma ambulância na rua raramente associa esse atendimento ao mesmo sistema que imagina restrito à fila do posto, e assim a face mais ampla do SUS, aquela que alcança inclusive quem tem plano de saúde, permanece anônima. A pandemia de covid-19 revelou a dimensão desse desconhecimento, pois foi preciso uma crise sanitária para que o país redescobrisse que os leitos e a vacinação dependiam de uma estrutura pública que sempre estivera ali. Superada a emergência, contudo, a memória se dissipou com a mesma rapidez com que havia surgido, o que mostra que a gratidão esporádica não substitui o reconhecimento permanente de um direito.
Além disso, a cultura que converte a saúde em mercadoria mina a universalidade do sistema. No Brasil, o plano de saúde consolidou-se como símbolo de ascensão social, e o acesso ao atendimento privado passou a ser lido como conquista individual, enquanto o atendimento público ficou associado à falta de alternativa. O geógrafo Milton Santos descreveu esse movimento, em O Espaço do Cidadão, como a substituição do cidadão pelo consumidor, marca do que chamou de cidadania mutilada. Quando quem pode pagar deixa de se ver como titular do direito à saúde, a defesa do SUS torna-se causa de uma parcela da população, e não de toda ela, e um sistema universal perde justamente aqueles que teriam mais voz para exigir sua qualidade. Desse modo, a lógica do consumo não apenas afasta parte dos brasileiros do sistema, mas corrói a ideia de que ele é de todos.
Portanto, valorizar o SUS como direito universal exige torná-lo visível e reconhecido por todos os que dele se beneficiam. Para isso, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, deve inserir no currículo da educação básica o estudo do direito à saúde e do funcionamento do SUS, por meio de materiais didáticos que levem os estudantes a identificar as ações do sistema em seu cotidiano, a fim de que as novas gerações cresçam reconhecendo-se como titulares desse direito, e não como usuárias eventuais de um serviço. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde, responsável pela coordenação nacional do sistema, identificar de forma clara, nas campanhas e nas unidades de atendimento, tudo aquilo que é oferecido pelo SUS, de modo que o brasileiro saiba nomear o direito que exerce. Somente assim o princípio aprovado em 1986 deixará de ser apenas uma frase na Constituição e voltará a ser um compromisso consciente compartilhado por toda a sociedade.
Enem 2026
As provas são aplicadas em dois domingos seguidos, nos dias 8 e 15 de novembro. No total, o exame tem 180 questões objetivas e uma redação, e é dividido da seguinte forma:
- Primeiro dia do Enem - 8/11: prova conta com 45 questões de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; 45 questões de Ciências Humanas e suas Tecnologias; e a redação (texto dissertativo-argumentativo). O exame começa às 13h30 e termina às 19h.
- Segundo dia do Enem - 15/11: prova traz 45 questões de Ciências da Natureza e suas Tecnologias; e 45 questões de Matemática e suas Tecnologias. O exame inicia às 13h30 e vai até as 18h30.

Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.