Economista sem atuação na área educacional é cotado para secretaria de regulação do ensino privado

Nome foi indicado pelos ministros Abraham Weintraub e Onix Lorenzoni

21 out 2019
08h11
atualizado às 10h53
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SÃO PAULO - O economista Ricardo Braga é o principal cotado para assumir a Secretaria de Regulação e Supervisão do Ensino Superior (Seres), do Ministério da Educação (MEC). Com carreira construída na área financeira, Braga assumiu há pouco mais de um mês o cargo de secretário especial da Cultura do Ministério da Cidadania, o que causou estranheza na pasta pela falta de experiência no setor.

No último dia 16, o ministro Abraham Weintraub demitiu Ataíde Alves que comandava a pasta, considerada estratégica para o ministério já que aprova o credenviamento de novas faculdades e abertura de novos cursos na rede particular de ensino. A secretaria é bastante pressionada por políticos e grupos educacionais. Oficialmente o MEC não confirma a demissão.

Sem experiência na área cultural, Braga também nunca atuou no setor educacional. Fez carreira em bancos e corretoras financeiras, tendo trabalhado por mais de dez anos no banco Votorantim - no mesmo período em que Weintraub atuava no banco. O Estado apurou que Weintraub se refere a Braga como "homem de confiança".

O nome também é uma indicação do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que tenta indicar o chefe da Seres desde o início do governo Bolsonaro. A secretaria é muito conhecida pode ser um local de barganha política. Deputados e senadores costumam pressionar o titular para que haja a liberação de faculdades e cursos em seus redutos eleitorais.

Weintraub já declarou que o setor privado será a prioridade para a expasnsão de vagas e defende a autoregulação das faculdades particulares com a mínima interferência do Estado. O Estado apurou que a demissão de Alves está ligada ao descontentamento de dirigentes e donos de faculdades por falta de agilidade na liberação de novos credenciamentos e também porque estaria travando as discussões para desburocratizar o processo de regulação.

No início do ano, durante a gestão do ex-ministro Ricardo Vélez Rodríguez, o MEC promoveu um "mutirão" nos primeiros meses do ano para acelerar a abertura de novas universidades no País. Pedidos de credenciamento que estavam parados havia anos na pasta foram liberados para análise do Conselho Nacional de Educação (CNE). No entanto, com a chegada de Weintraub esse movimento estagnou, segundo fontes do setor privado.

Cultura

Braga assumiu o cargo na Secretaria de Cultura em 9 de setembro, em substituição a Henrique Pires, que deixou o cargo no final de agosto depois da suspensão do edital que selecionava obras com temática LGBT para serem exibidas em TVs públicas.

Pires afirmou, em entrevistas, que a suspensão foi a "gota d'água" e que pediu exoneração, apesar do ministro da Cidadania, Osmar Terra, ter reivindicado a autoria do pedido de demissão. O ministério, por ocasião da exoneração, disse que Pires não estava desempenhando as políticas propostas pela Pasta.

Braga foi indicado diretamente pelo presidente Jair Bolsonaro, sem consultar Terra que nem conhecia o economista antes da indicação.

Estadão
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