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Educação

Austrália e Coreia do Sul podem inspirar plano brasileiro de avaliação

Países fizeram mudanças no processo de avaliação; entrega de resultados deve ir além de rankings, dizem especialistas

18 jul 2021 05h11
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Experiências internacionais podem inspirar o Brasil a promover reformas em seu sistema de avaliação para torná-lo mais moderno e conectado às mudanças curriculares. Elas foram apresentadas em um seminário realizado pelo Estadão, Fundação Lemann e Instituto Natura. O evento discutiu as principais conclusões do relatório Reforma da Avaliação Nacional: Principais considerações sobre o Brasil, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Para George Bethell, diretor da Anglia Assessment do Reino Unido e consultor da OCDE no relatório sobre o Brasil, a reformulação de avaliações nacionais, como o Saeb, demanda trabalho para a elaboração de itens e exige recursos financeiros, além de tempo. A Austrália venceu essas barreiras em 2016: o país definiu, com apoio de especialistas, exatamente como a avaliação se alinharia com o currículo. O trabalho é importante, diz Bethell, para que professores e alunos saibam que o currículo será refletido na prova.

Exame da educação básica, Saeb será aplicado para todos os alunos do fundamental e médio no País
Exame da educação básica, Saeb será aplicado para todos os alunos do fundamental e médio no País
Foto: Agência Brasil / Estadão

De forma semelhante ao que ocorre no Brasil, as autoridades estaduais e territoriais australianas têm autonomia para decidir como implementar o currículo nacional. Portanto, era importante que avaliações não só medissem a aprendizagem em relação aos objetivos nacionais, mas também ajudassem a monitorar a implementação do currículo em todo o país.

Outro ponto no processo de reformulação das avaliações diz respeito a como entregar e usar os resultados, para melhorar a aprendizagem nas escolas. Um exemplo citado no relatório da OCDE é o da Coreia do Sul. O país tem um mecanismo de prestação de contas formal. Após identificar escolas com mais alunos abaixo do nível básico de desempenho medido pela avaliação nacional, o governo estabelece apoio por três anos a esses colégios. "O governo local reserva financiamento do Ministério central para desenvolver uma estratégia de melhoria para ajudar essas escolas", diz Caitlyn Guthrie, analista de Políticas do Diretório de Educação e Competências da OCDE.

'Rankings muitas vezes não explicam nada'

Para Maria Helena Guimarães, presidente do Conselho Nacional de Educação, é preciso que as avaliações no Brasil "tenham menos o papel de organizar rankings, que muitas vezes não explicam nada, e sejam usadas na formação continuada de professores". Caitlyn diz que é comum que dados obtidos nas provas sejam usados para ranquear escolas ou redes.

O problema é que essas classificações muitas vezes comparam situações não comparáveis, como escolas de áreas ricas com pobres. Sobre isso, Bethell pondera que os rankings serão feitos - seja pelos jornais ou pelos pais dos alunos - e é difícil impedi-los. "O ponto mais importante é que a informação seja contextualizada", afirmou no evento.

Estadão
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