Após aluna do Mackenzie desviar mais de R$ 60 mil, jogos universitários terão só metade da verba
Segundo a advogada que representa as vítimas, atléticas terão só metade da quantia que normalmente usam pra promover o InterFAU 2023
Após uma estudante de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie ter desviado R$ 62,5 mil de associações atléticas, os organizadores dos Jogos Universitários InterFAU terão apenas metade da verba disponível para a realização do evento de 2023. A informação é da advogada Simone Haidamus, que representa as vítimas.
De acordo com denúncias feitas por associações atléticas do Mackenzie e de outras universidades, a jovem de 24 anos ocupava o cargo de tesoureira dessas entidades e teria desviado a quantia da organização dos jogos universitários. De acordo com as vítimas, a aluna desviou R$ 3.921,61 da Associação Atlética Acadêmica Arquitetura Mackenzie e R$ 58.583,61 de outras atléticas participantes da competição voltada para faculdades de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo.
Em entrevista ao Terra, a advogada Simone Haidamus afirma que as atléticas foram muito prejudicadas com o desvio do dinheiro, já que no InterFAU de 2022 a organização tinha cerca de R$ 120 mil para realizar o evento. Atualmente, após todo o valor desviado, os organizadores só terão R$ 60 mil, ou seja, apenas a metade da verba que normalmente usavam para os jogos universitários.
Nas redes sociais, a Associação Atlética Acadêmica Arquitetura Mackenzie achegou a postar uma nota informando que este ano os recursos financeiros para realização dos jogos foram reduzidos. "O evento será mais simples, contudo, não menos especial e divertido", diz a nota.
Segundo a advogada, desde que outros alunos suspeitaram do desvio, de início, a suspeita respondia as mensagens e afirmou que iria repor o dinheiro. As vítimas contaram que a estudante alegou o desvio do dinheiro com a justificativa de que o depósito em uma conta jurídica implicaria na cobrança de taxas. Por essa razão, os valores foram depositados em sua conta pessoal.
No entanto, desde setembro do ano passado ela passou a não dar mais nenhum retorno sobre a quantia que deveria ser ressarcida. Os estudantes da Mackenzie dizem que não têm conseguido se comunicar com a suspeita, que teria deixado a faculdade.
"A estudante parou de frequentar a faculdade e não respondeu mais as tentativas de contato dos outros alunos do Mackenzie. Quando a pessoa quer pagar, não há desculpas. Ela tem, inclusive, o número das contas, era só fazer o depósito", diz Simone.
Pelas redes sociais, os alunos descobriram que a agora ex-colega viajou para um programa de estágio na Disney, em Orlando, nos Estados Unidos. Ao Estadão, a defesa da aluna afirma que ela ainda não foi notificada pela polícia e que agiu de forma legítima, sem a intenção de prejudicar os alunos da universidade.
Pai tentou negociar dívida, diz advogada
Ao Terra, a advogada também relatou que o pai da suspeita chegou a negociar o pagamento da dívida da filha, mas pediu que fosse assinado um recibo antes de pagar a quantia que a estudante devia. No entanto, os alunos não aceitaram o acordo, pois afirmaram que o depósito deveria ser feito antes da emissão do recibo. O pai, então, teria se recusado ao resolver o ocorrido.
O Terra entrou em contato com a advogada da estudante para questionar sobre os prejuízos causados às atléticas, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.
Em contato com o Terra, a advogada da estudante, que não quis se identificar, aponta que a jovem ainda não foi oficialmente notificada e soube do inquérito por meio da imprensa. Ela afirma que a estudante nunca se utilizou do dinheiro e só fará o pagamento mediante aceite formal e assinatura de recibo de quitação ou em juízo. Confira, abaixo, a nota enviada pela advogada na íntegra.
"Esclarecemos que sempre houve uma postura proativa e contínua de prestação de contas por parte da jovem injustamente acusada. Ela ainda não foi oficialmente notificada e ficou sabendo do inquérito pela imprensa.
A atual gestão da Atlética Mackenzie se recusa a aceitar o valor apurado pela gestão de 2022, com relação ao INTERFAU (Jogos Universitários das Universidades de Arquitetura e Urbanismo do Estado de São Paulo), realizado de O3 a 11 de setembro de 2022, por discordar desse valor e se recusa a assinar um recibo de quitação (recebimento para guarda). Esse valor sempre esteve disponível para o repasse.
A conta pessoal da jovem era utilizada com conhecimento e anuência da presidente da gestão 2022 para economizar taxas bancárias e evitar a prática das gestões anteriores de pagamento único e exclusivamente em dinheiro vivo.
Como a campanha difamatória deixou claro, a jovem não confia na índole da atual gestão e só fará o pagamento mediante aceite formal e assinatura de recibo de quitação. Ou em juízo. Ela nunca se utilizou desse dinheiro.
Sobre a Disney, não há versão. Há um só fato concreto: ela foi selecionada no Programa de Intercâmbio do parque temático em Orlando (EUA) e, com a ajuda de amigos e parentes, além do próprio salário, viajou e passou uma temporada (de 28 de novembro de 2022 até 16 de fevereiro de 2023) trabalhando muito no Parque. Não há autorização para utilização do nome e de qualquer foto da jovem".