Dois adultos e bebê de 2 meses são encontrados mortos em cova em Esteio
Polícia Civil de Esteio prende suspeito e investiga assassinato de mulher, jovem e bebê em cova clandestina; saiba detalhes!
A pacata cidade de Esteio, na Região Metropolitana do Rio Grande do Sul, foi palco de uma tragédia que expõe as facetas mais cruéis da violência interpessoal. A descoberta dos corpos de uma mulher de 18 anos, um jovem de 17 anos e um bebê de apenas dois meses em uma cova na Rua Olaria, no bairro Três Marias, em 22 de julho de 2025, mobilizou as forças de segurança e gerou comoção. O caso, rapidamente classificado pela Polícia Civil como feminicídio seguido de duplo homicídio, lança luz sobre a persistência da violência de gênero e a necessidade de debates aprofundados sobre suas causas e consequências.
Detalhes da Investigação: Motivação e Prisões
As primeiras investigações apontam para um cenário alarmante: a mulher, mãe do bebê, teria sido vítima de feminicídio. A principal linha de investigação da Polícia Civil indica que a motivação seria uma ameaça da mulher de expor a existência do filho para a esposa do suspeito, que é o pai da criança. Este desdobramento reforça um padrão preocupante em casos de feminicídio, onde frequentemente o agressor possui uma relação próxima com a vítima. Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, embora de 2020, revelam que mais de 50% dos suspeitos de violência contra a mulher têm ligação direta com a vítima, sendo companheiros, ex-companheiros ou cônjuges, e em 84% dos casos, o agressor é do sexo masculino. No caso de Esteio, a rápida ação policial levou à prisão do pai do bebê e à apreensão de outros dois indivíduos, cujos papéis na barbárie ainda estão sendo apurados. A eficiência da resposta das autoridades é crucial para a elucidação desses crimes e para a busca por justiça.
O Panorama da Violência: Feminicídio e Homicídios no Brasil e no RS
O crime em Esteio não é um caso isolado, mas um reflexo de uma realidade preocupante no Brasil. Em 2024, o país registrou um recorde histórico de feminicídios, com 1.459 casos, segundo o Mapa da Segurança Pública de 2025. Isso significa que, em média, quatro mulheres foram assassinadas por dia por questões de gênero no ano passado, com uma taxa de 1,34 casos a cada 100 mil mulheres. A Região Centro-Oeste apresentou a maior taxa de feminicídios, enquanto o Sudeste, apesar da menor taxa, concentrou o maior número absoluto de vítimas. A Agência Brasil ainda aponta que, em nove estados monitorados, uma mulher foi vítima de feminicídio a cada 17 horas em 2024, evidenciando a urgência da questão em diversas regiões do país.
A violência contra a mulher se manifesta de diversas formas, e os dados mostram que 7 em cada 10 vítimas de feminicídio em 2022 foram mortas dentro de casa, um ambiente que deveria ser seguro. Além disso, o perfil das vítimas de feminicídio em 2022, segundo a Agência Patrícia Galvão, indica que 60% eram mulheres negras e 70% tinham entre 18 e 44 anos.
No Rio Grande do Sul, os dados sobre criminalidade têm apresentado uma tendência de queda geral em 2025. O Estado registrou o menor número de homicídios dolosos em maio de 2025 de toda a série histórica, com 81 ocorrências. No acumulado do ano, houve uma redução de 26% nos crimes contra a vida em comparação com 2024. Contudo, apesar dessa melhora nos índices gerais, o feminicídio e a violência doméstica continuam sendo desafios complexos, exigindo ações contínuas e integradas de proteção e prevenção. O mapa da violência no RS em 2024 mostrou que o interior do estado registrou quase o triplo de homicídios em comparação com a Região Metropolitana, indicando uma distribuição geográfica que também merece atenção.