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O que a crise hídrica ensinou ao Sudeste

Mesmo após melhora no nível dos reservatórios, boas práticas de consumo de água precisam perdurar para garantir abastecimento à população

19 set 2016 - 09h17
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SÃO PAULO - Nos últimos dois anos, 80 milhões de pessoas da região Sudeste do Brasil foram castigadas pela seca que já assombra o Nordeste há tempos. Foi a pior crise hídrica nos últimos 80 anos. O estado de São Paulo foi um dos mais afetados e viu o índice dos seus reservatórios despencarem de forma assustadora.

Foto: DINO

Desde 2013 o volume das chuvas começou a cair na região, culminando em uma longa estiagem cujos efeitos no abastecimento de água foram sentidos no ano seguinte em diversas cidades paulistanas. Outros fatores também contribuíram para a seca. A Sabesp, concessionária responsável pelo abastecimento do Estado de São Paulo, estima que pelo menos 30% da água se perca no caminho por causa de vazamentos na distribuição e ligações clandestinas - os famosos "gatos". Na região metropolitana de Belo Horizonte, esse número chega a 40%, segundo a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).

O País também não é o melhor exemplo quando o assunto é economia de água. Pelo menos é o que mostra o estudo da organização Water Footprint, que diz que o brasileiro gasta 2 milhões de litros de água por ano, 46,3% mais do que a média mundial. Somado ao consumo desordenado, ainda há o fator de crescimento da população: de 1960 a 2013, a cidade de São Paulo ganhou 6 milhões de habitantes.

Uma hora, a fonte ia secar. E secou. O sistema Cantareira, o principal reservatório da Grande São Paulo, chegou a operar com 5% da sua capacidade em janeiro de 2015. Por 19 meses, o sistema usou o chamado "volume morto", uma reserva de 400 bilhões de água abaixo do nível das comportadas, para dar conta de abastecer os habitantes. A situação só alcançou algum alívio em dezembro do ano passado, quando os índices atingiram a cota mínima do volume útil.

Outros estados também foram afetados pela crise hídrica. O Rio de Janeiro precisou utilizar o volume morto da represa Paraibuna, após o nível do reservatório chegar a zero pela primeira vez desde que foi criado, em 1978. O Sistema Paraopeba, que abastece a região metropolitana de Belo Horizonte, chegou a operar com 30% de capacidade, sendo que no ano anterior esse índice era de 78%. Enquanto isso, o Espírito Santo teve um prejuízo de R$ 1,390 bilhão para o setor agropecuário, segundo estimativa da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca do Espírito Santo. Neste ano, mais uma vez a estiagem já fez cair drasticamente o nível de diversos mananciais do Estado.

A população ficou em estado de alerta e nunca se falou tanto em economizar água. A ideia de racionamento assombrou a população da região Sudeste por quase dois anos e, em muitas cidades, a escassez de água foi especialmente dura, com uma rotina de improvisos para garantir o mínimo necessário.

A crise hídrica acabou?

Após um período generoso de chuvas no início do ano e com a colaboração da sociedade, o governo do Estado de São Paulo declarou o fim da crise hídrica, o que gerou muitas críticas. No dia seguinte, reportagens mostravam moradores da cidade que ainda conviviam com a falta de água, torneiras secas e muita reclamação. O sistema Cantareira agora abastece 5,7 milhões de habitantes e está com 58% da sua capacidade (considerando volume morto), dividindo sua carga com o Guarapiranga e o Alto Tietê.

Mesmo com a melhora dos índices do reservatórios, especialistas na área dizem que é precipitado falar em fim da crise hídrica, sobretudo porque o comportamento da natureza - no caso das chuvas - é incerto. Eles recomendam que as iniciativas para reduzir o desperdício de água praticadas durante a crise continuem sendo lembradas pelos cidadãos.

"É evidente que não podemos decretar que a crise hídrica acabou. O problema hídrico do Brasil não pode ser resumido à estiagem de 2014, que apenas trouxe à tona uma situação que é de extrema complexidade", destaca Marussia Whately, que lançou recentemente o livro O Século da Escassez.

O que deu certo

O investimento das concessionárias para conscientizar a população nos últimos anos surtiu efeito. Um dos exemplos é o movimento Juntos Pela Água, lançado pela Odebrecht Ambiental em agosto de 2014, com o objetivo de incentivar o consumo inteligente de água inicialmente em Limeira, Santa Gertrudes e Porto Ferreira.

Através do site Juntos Pela Água (www.juntospelagua.com.br) e das redes sociais, a população teve fácil acesso às informações sobre a condição dos mananciais dos municípios, além de contar com dicas sobre como economizar água. Com forte adesão da comunidade, a iniciativa foi para as ruas e reuniu 3 mil pessoas durante um evento de 6 horas em Limeira. A repercussão digital foi ainda maior e ultrapassou a marca de 4 milhões de visualizações no Facebook, Instagram e Twitter.

"A resposta da população foi imediata, mesmo nas cidades sem qualquer risco de desabastecimento. Na ocasião, entendemos que, como empresa de saneamento, tínhamos uma responsabilidade intransferível no processo de conscientização das pessoas", destaca Fernando Santos-Reis, presidente da Odebrecht Ambiental.

Hoje, o portal Juntos Pela Água continua no ar com a proposta de ampliar a discussão em torno da sustentabilidade e mostrar que falar de preservação dos recursos hídricos é também falar do futuro das cidades, da política, dos negócios, da saúde e de outros tantos temas importantes.

Além do movimento, a empresa também intensificou suas ações contra as causas do desperdício, como ligações clandestinas. A unidade de Limeira, por exemplo, opera com índice de perda europeia - 15%, a metade da média de São Paulo.

"Precisamos continuar investindo no fortalecimento de um novo comportamento em relação à água Brasil. Muita coisa já mudou, mas ainda há muito pela frente", completa.

DINO Este é um conteúdo comercial divulgado pela empresa Dino e não é de responsabilidade do Terra
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