Desmatamento ilegal gera 133 autuações e R$ 2,6 milhões em multas em PE
Fiscalização incorporou uma nova estratégia para ampliar a identificação de danos ambientais sem depender exclusivamente de inspeções presenciais.
A Operação Mata Atlântica em Pé embargou 474,40 hectares e gerou R$ 2,6 milhões em multas por desmatamento ilegal em 41 municípios de Pernambuco. Coordenada pelo MPPE com apoio de órgãos ambientais e policiais, a ação utilizou drones, helicópteros e imagens de satélite para autuações remotas. Além da apreensão de maquinário e resgate de aves, os infratores sofrerão restrições de crédito. A iniciativa integrou uma mobilização nacional presente nos 17 estados cobertos pelo bioma.
Coordenada pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), a Operação Mata Atlântica em Pé 2026 embargou 474,40 hectares de áreas desmatadas ilegalmente no estado. A fiscalização também resultou em 133 autos de infração e R$ 2.613.500 em multas.
Os trabalhos foram conduzidos pelo Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente e pela 1ª Regional do Núcleo de Proteção Especializada do Meio Ambiente (Nupema). A operação ocorreu entre os dias 17 e 21 de agosto em 41 municípios da Região Metropolitana do Recife, das Zonas da Mata e do Agreste.
Participaram das ações a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), o Ibama, o Batalhão de Policiamento Ambiental, a Delegacia de Polícia do Meio Ambiente, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o Grupo Tático Aéreo e a Polícia Federal.
Fiscalização utilizou imagens de satélite
A principal novidade desta edição foi o emprego da fiscalização remota. Imagens das plataformas MapBiomas e Brasil Mais permitiram identificar áreas atingidas e lavrar autos de infração sem a presença inicial das equipes nos locais.
Aproximadamente 182 hectares foram embargados com o auxílio dessa tecnologia. Drones e helicópteros complementaram as vistorias presenciais e ajudaram a aumentar a precisão e a velocidade das ações.
A maior multa individual chegou a R$ 200 mil e foi aplicada em Glória do Goitá. Maraial concentrou a maior área embargada em uma única ocorrência, com 31,02 hectares.
Durante a operação, os agentes também resgataram 21 aves e apreenderam equipamentos, entre eles uma retroescavadeira.
Áreas ficam sujeitas a restrições
Além da interrupção das atividades, as propriedades envolvidas podem enfrentar restrições no Cadastro Ambiental Rural, no acesso ao crédito rural e em outros mecanismos previstos na legislação ambiental.
A Operação Mata Atlântica em Pé ocorreu simultaneamente nos 17 estados abrangidos pelo bioma. A coordenação nacional ficou a cargo da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente e do Ministério Público de Minas Gerais, com apoio da Fundação SOS Mata Atlântica.
Segundo a fundação, o desmatamento de florestas maduras do bioma caiu 40% em 2025 e atingiu o menor patamar em quatro décadas de monitoramento. Ainda assim, 8.668 hectares foram destruídos no período.
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