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Deputado preso circula por batalhão e volta a ameaçar STF

Transferido para o Batalhão Especial Prisional, em Niterói, Daniel Silveira (PSL-RJ) conversa com apoiadores no portão

19 fev 2021
12h36
atualizado às 12h45
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RIO - Preso desde terça-feira, 16, por ameaçar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e atentar contra a democracia, o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) foi filmado na noite desta quinta, 18, conversando com apoiadores no portão do Batalhão Especial Prisional, em Niterói (Região Metropolitana do Rio), para onde foi transferido a mando da Justiça. Imagens divulgadas pela Globonews mostram o parlamentar ainda circulando pelo pátio do batalhão sem ser incomodado e ameaçando novamente a Corte. Após cumprimentar apoiadores pelo portão, Silveira diz que ainda vai "mostrar para o Brasil quem é o STF".

 Imagens de arquivo do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), que foi preso nessa terça-feira (16), no Rio de Janeiro (RJ) após divulgar vídeo atacando ministros do STF. O deputado foi preso em sua casa em Petrópolis (RJ), após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Os plenários do Supremo Tribunal Federal (STF), e da Câmara dos Deputados julgarão nesta quarta-feira (17), a decisão do ministro Alexandre de Moraes. Fotografia produzida em 11/09/2020.
Imagens de arquivo do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), que foi preso nessa terça-feira (16), no Rio de Janeiro (RJ) após divulgar vídeo atacando ministros do STF. O deputado foi preso em sua casa em Petrópolis (RJ), após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Os plenários do Supremo Tribunal Federal (STF), e da Câmara dos Deputados julgarão nesta quarta-feira (17), a decisão do ministro Alexandre de Moraes. Fotografia produzida em 11/09/2020.
Foto: Saulo Angelo / Futura Press

A transferência da Superintendência da Polícia Federal no Rio para o batalhão, em Niterói, se deu durante a audiência de custódia, na qual a prisão de Silveira foi mantida, e depois de uma vistoria na sala onde o parlamentar estava preso encontrar dois celulares. Consultada pela reportagem, a secretaria estadual de Polícia Militar do Rio não havia se manifestado sobre o episódio até a publicação deste texto.

Durante a audiência de custódia, realiada na tarde desta quinta, 18, a defesa de Silveira buscou um relaxamento da prisão, com a expedição de um alvará de soltura, mas o pedido não foi atendido. Segundo o Estadão apurou, a apreensão dos aparelhos repercutiu mal entre integrantes da Corte e pode dificultar o afastamento da prisão do deputado por parte do Supremo.

Antes mesmo de tomar conhecimento da fala de Silveira na porta do batalhão, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, há havia pedido à Procuradoria-Geral da República (PGR) que analisasse um outro vídeo, divulgado nas redes sociais, em que Silveira se nega a utilizar máscara ao chegar à PF.

Nesta sexta, 19, por ordem de Moraes, os perfis de Instagram e Facebook do deputado federal foram bloqueados. A assessoria de imprensa do deputado informou que as contas foram fechadas e falou em censura. "O instagram do deputado Daniel Silveira foi totalmente fechado para seus seguidores, ou seja, CENSURADO. Estamos testando as demais plataformas", diz um comunicado publicado no Twitter. A reportagem entrou em contato com o Instagram e o Facebook, que ainda não comentaram o bloqueio.

Fake news

Integrante da ala bolsonarista do PSL, Daniel Silveira é investigado nos inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos, ambos em curso no STF. Ele foi preso após publicar um vídeo em suas redes sociais fazendo apologia ao AI-5 e discurso de ódio contra ministros do tribunal.

Além da prisão, a gravação lhe rendeu uma denúncia, formalizada pela Procuradoria-Geral da República, por grave ameaça e incitação de animosidade entre o Supremo Tribunal Federal e as Forças Armadas.

Seu destino está agora nas mãos da Câmara dos Deputados. O plenário vai decidir sobre a prisão na tarde desta sexta. A tendência é manter o parlamentar na cadeia: apenas três lideranças, do PSL, PTB e Novo, orientaram as bancadas a votar pela soltura.

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Estadão
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