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Cúpula do Brics reaproxima líderes de Irã e Emirados Árabes

13 set 2026 - 12h21
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Resumo
Durante a cúpula do Brics na Índia, líderes de Irã e Emirados Árabes Unidos iniciaram uma reaproximação diplomática após romperem relações devido à guerra no Oriente Médio, assinando uma declaração conjunta por moderação. O encontro também marcou a reaproximação entre China e Índia, que convergem na busca por um mundo multipolar, embora divirjam sobre o rumo geopolítico do grupo, refletindo as tensões e os desafios de mediação do bloco ampliado frente à influência das potências ocidentais.

Países romperam relações por estarem em lados opostos da guerra no Oriente Médio. Segundo presidente iraniano, nações querem "virar a página".O Irã e os Emirados Árabes Unidos, cujas relações se deterioraram desde o início da guerra no Oriente Médio, querem "virar a página", afirmou o presidente iraniano neste domingo (13/09). "Pela primeira vez desde a guerra e os incidentes ocorridos no Golfo Pérsico, tivemos uma troca construtiva com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi", disse Massoud Pezeshkian um dia após uma reunião com o xeque Khaled Bin Mohamed Bin Zayed Al Nahyan na Índia, à margem da cúpula do Brics.

Presidente do Irã, Massoud Pezeshkian, participou da cúpula dos Brics em Nova Delhi, na Índia
Presidente do Irã, Massoud Pezeshkian, participou da cúpula dos Brics em Nova Delhi, na Índia
Foto: DW / Deutsche Welle

"Ficou combinado que viraríamos a página, olharíamos para o futuro e o construiríamos juntos", disse Pezeshkian. Depois que ataques de EUA e Israel ao Irã, em fevereiro, deram início à guerra no Oriente Médio, Teerã retaliou contra os aliados dos Estados Unidos na região, sendo que os Emirados Árabes foram os mais afetados.

Os dois líderes questões regionais e internacionais, a redução da tensão, a estabilidade e os esforços para promover a paz e o desenvolvimento na região, informou a assessoria de imprensa de Abu Dhabi no X, sem mencionar qualquer resultado concreto das discussões.

Em agosto, os Emirados Árabes anunciaram que estavam suspendendo as relações comerciais e financeiras com o Irã. Dubai, a maior cidade dos EAU, abriga uma comunidade iraniana profundamente enraizada e é uma importante fonte de sustento econômico para o Irã, que enfrenta dificuldades devido ao peso das sanções dos EUA e da comunidade internacional.

O presidente do Irã também denunciou que a guerra contra seu país impede o acesso da população a "alimentos e medicamentos", em referência ao endurecimento das sanções e ao bloqueio naval imposto por Washington contra Teerã. A inflação anual no Irã atingiu 89% em agosto, e 127,5% no setor de alimentos e bebidas.

Emirados Árabes e Irã aderem a declaração do bloco

Os dois países do Golfo aderiram, no sábado (12/09), a uma declaração conjunta do Brics que apela à moderação na guerra no Oriente Médio, em um gesto visto como um sinal de progresso diplomático entre os países divididos pelo conflito. É um avanço em relação a maio, quando o bloco não chegou a um entendimento sobre uma declaração conjunta por causa do conflito.

A cúpula do Brics é um teste à influência diplomática de um bloco criado em 2009 para desafiar uma ordem mundial dominada pelos Estados Unidos e seus aliados ocidentais. Originalmente, era composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, tendo se expandido para Egito, Etiópia e Indonésia, assim como o Irã e os Emirados Árabes Unidos.

Além do presidente do Irã e do príncipe dos Emirados, a cúpula também conta com a presença dos presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, além do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. O Brasil está sendo representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Os organizadores da cúpula e diplomatas têm se concentrado em superar a divisão entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, mesmo com os Estados Unidos e o Irã retomando ataques recíprocos na guerra que já dura seis meses.

A declaração de 45 páginas contém um parágrafo sobre a guerra no Irã. Ela expressa "profunda preocupação" com a escalada no Oriente Médio e apela à "máxima moderação". Nenhum país é citado nominalmente nem responsabilizado.

A guerra envolve diretamente três membros do bloco (Irã, Emirados Árabes e Arábia Saudita), que estão em lados opostos do conflito.

Disputas internas vão além da guerra no Irã

Foi a primeira viagem de Xi Jinping à Índia em sete anos, uma visita que incluiu uma reunião com Modi e que representa um novo passo na normalização das relações bilaterais iniciada em 2024 entre os dois países. Em 2027, a China assume a presidência do bloco.

As relações entre Índia e China ficaram congeladas após um confronto mortal na fronteira entre os dois países na região do Himalaia, em 2020. Tanto Modi quanto Xi desejam um mundo mais multipolar e menos domínio ocidental sobre o sistema financeiro global. Mas os dois países abordam a questão a partir de posições muito diferentes.

A China é a segunda maior economia do mundo, com forças armadas poderosas e assertivas. O foco de Pequim é fazer frente a Washington. A Índia, por sua vez, busca uma política de alinhamentos múltiplos e autonomia estratégica, estabelecendo laços com a Rússia, os EUA e a União Europeia por diferentes motivos, sem se aliar ao campo da China.

A desconfiança persiste, especialmente em relação à fronteira disputada e a quem terá influência na Ásia. O enorme déficit comercial da Índia com a China agrava ainda mais a situação.

A China foi fundamental para a expansão no Brics de cinco para 11 membros. Xi agora quer estreitar os laços dentro do bloco, por meio da cooperação em tecnologias do futuro, indústrias e cadeias de abastecimento resilientes. A ideia é transformar o Brics ampliado em uma rede mais integrada do Sul Global - tecnologicamente e, eventualmente, geopoliticamente.

Assim como a China, a Índia deseja que o Brics dê mais voz ao Sul Global. Mas não quer que o bloco se torne uma aliança antiocidental liderada pela China, o que vem causando a principal tensão no cerne do grupo.

fcl (Reuters, AFP, DW)

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