CPMI do INSS pede indiciamento de Filho de Lula e ex-ministros de Bolsonaro
Confira os detalhes do relatório de 4.400 páginas que revela um esquema bilionário de descontos indevidos e atinge o topo da política e do setor bancário brasileiro
O deputado federal Alfredo Gaspar iniciou nesta sexta-feira (27) a leitura do relatório final da CPMI do INSS propõe o indiciamento de mais de 200 pessoas em um esquema de corrupção que drenava recursos de aposentados. Entre os nomes mais impactantes da lista está o de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de acordo com o g1. O parlamentar sustenta que o empresário teria recebido repasses financeiros de um operador central do esquema, conhecido como "Careca do INSS".
A investigação não poupou diferentes espectros políticos e gestões passadas. O texto pede o indiciamento de Mohamad Oliveira Andrade, anteriormente conhecido como José Carlos Oliveira, que foi ministro do Trabalho e Previdência no governo de Jair Bolsonaro. Da atual gestão, o documento cita o ministro da Previdência Carlos Lupi, acusando-o de omissão deliberada e blindagem de agentes criminosos. Outro nome de peso é o de Zequinha Sarney, ex-ministro e filho do ex-presidente José Sarney, apontado como beneficiário de repasses milionários.
O setor financeiro também está no centro do alvo da comissão. Segundo o g1, o relator indicou nomes como Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e Artur Ildefonso Brotto Azevedo, do Banco C6, por negligência na fiscalização de consignados. O esquema consistia em descontos irregulares nos benefícios de idosos, operados por associações de fachada que contavam com a conivência de servidores públicos. Conforme Alfredo Gaspar, o relatório de 4.400 páginas é fruto de seis meses de trabalho intenso e quebras de sigilo.
A sessão de leitura foi marcada por um clima de extrema tensão e trocas de ofensas entre os parlamentares. O presidente da comissão, senador Carlos Viana, precisou intervir após um bate-boca generalizado envolvendo o deputado Lindbergh Faria. Em sua fala inicial, o relator provocou a oposição ao resgatar citações jurídicas polêmicas. "Trocar experiências é sempre muito positivo", afirmou o relator em contexto anterior, mas o tom agora é de cobrança judicial severa.
Apesar da gravidade das acusações, este texto ainda não representa o fim do processo. O documento precisa ser votado pelos membros da comissão para que as recomendações de indiciamento sejam oficializadas. Caso haja um pedido de vista, o senador Carlos Viana já anunciou que convocará uma reunião de emergência para este sábado (28), data em que se encerra o prazo final da CPMI do INSS após decisão do Supremo Tribunal Federal.