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Não se trata de furar, mas de formar mais filas, diz Wizard

Empresário diz que Ministério da Saúde dá apoio à iniciativa para aquisição particular de doses; pasta não se manifestou

8 abr 2021
05h10
atualizado às 07h27
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Um dos principais defensores da compra da vacina contra a covid-19 pelo setor privado, o empresário Carlos Wizard afirma que a organização de um consórcio de empresários para comprar 10 milhões de doses tem apoio do governo federal. Como as fabricantes disseram que vão priorizar o setor público, dele iz que o grupo precisa ter um "aval" do Ministério da Saúde para conseguir negociar. Nesta semana, a Câmara aprovou uma lei que libera a aquisição de doses pela iniciativa privada, mesmo sem o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

"Ontem (anteontem, na terça), recebemos um documento do ministério nos autorizando e oferecendo apoio para essa iniciativa. O trabalho é em total consonância e harmonia com o Ministério da Saúde", afirmou. O Estadão procurou a pasta sobre a declaração, mas não teve confirmação até as 19 horas desta quarta-feira.

Os empresários Luciano Hang e Carlos Wizard. 
Os empresários Luciano Hang e Carlos Wizard.
Foto: Divulgação / Estadão

"Não se trata de furar fila. É formar mais filas", alega. "Queremos formar várias filas, a do SUS, e as nossas filas, junto da sociedade civil organizada, através dos empresários", diz o empresário. Jarbas Barbosa, diretor da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde no continente, afirma que a aquisição de doses pela iniciativa privada vai ampliar as desigualdades.

Wizard diz que 30 dias são suficientes para a chegada das doses, assim que houver liberação na esfera nacional. O custo estimado é R$ 100 milhões de dólares, 10 dólares por dose. Questionado sobre a possibilidade de deduzir o custo no imposto de renda, o empresário disse que não é o momento de se tentar um benefício pessoal. "Não estamos em clima de troca troca, de buscar alguma vantagem", declara. "O objetivo é poupar vidas e retomar a população à normalidade."

Ele também parabenizou a relatora do projeto de lei, a deputada Celina Leão (PP-DF). "É uma primeira vitória", disse, ao se referir à aprovação na Câmara. Conforme relatou ao Estadão, ele e o também empresário Luciano Hang viajaram recentemente a Brasília, quando teriam discutido o tema com os ministros da Saúde, Marcelo Queiroga, e da Economia, Paulo Guedes, e com os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco, e da Câmara, Arthur Lira.

Segundo ele, o consórcio que lidera a compra da vacina reúne "centenas de empresários". Metade das doses seria doada ao Ministério da Saúde. A ideia é que os funcionários sejam imunizados em farmácias credenciadas, o que estaria sendo negociado com uma associação do setor, que preferiu não se pronunciar pelo tema ao ser procurada pela reportagem.

Wizard conta que o consórcio negocia com fabricantes da Ásia, da Europa e dos Estados Unidos, mas não cita nomes. "Nós, como empresários, vamos estar abertos a todos aqueles que têm vacina com eficácia e segurança", diz.

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Estadão
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