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Maia: Impeachment aprofundaria crise contra coronavírus

Presidente da Câmara afirmou que governo federal 'ainda não encontrou caminho' para superar a crise

14 jul 2020
14h21
atualizado às 14h37
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RIO - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que iniciar um processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro aprofundaria ainda mais a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. A declaração foi dada nesta terça-feira, 14, durante uma entrevista à Rádio Metrópole, de Salvador.

Maia: 'Impeachment só aumentaria dificuldade de enfrentar coronavírus'
Maia: 'Impeachment só aumentaria dificuldade de enfrentar coronavírus'
Foto: Claudio Marques / Futura Press

Na avaliação do parlamentar, um eventual afastamento do presidente do cargo é uma "decisão política", e os impactos da covid-19 já são grandes sem estarem envoltos em uma crise política "ainda mais profunda". "O nosso papel é o de fazer essa construção de um diálogo junto com o Executivo e o Judiciário", disse.

Um levantamento feito pelo Estadão no mês de junho mostra que existem 48 pedidos de abertura de impeachment contra Bolsonaro na Câmara, a maioria feita após o início da pandemia. Do total apresentado até agora, 41 foram nos meses de avanço da covid-19. A maioria aponta possível crime de responsabilidade em questões que envolvem a democracia.

Maia também afirmou que o governo federal "ainda não encontrou o caminho" para superar a crise econômica provocada pela pandemia. No entanto, segundo o deputado, apesar do "platô muito alto" alcançado pelo Brasil em relação ao número de novos casos e de mortes por covid-19, o conhecimento médico acumulado até aqui já permite tratar a crise sanitária de uma maneira mais eficaz.

Na seara econômica, Maia declarou ter a esperança de que o País "consiga construir caminhos para que o Brasil de fato possa sair dessa crise mais rapidamente para recuperar os milhões de empregos que perdeu nos últimos meses".

Novo presidente da Câmara

O deputado também comentou sobre a escolha do novo presidente da Câmara Federal. Maia disse que, pela percepção que tem sobre o clima na Casa, o seu sucessor no cargo não será um candidato apoiado pelo governo federal.

A declaração veio em resposta a uma pergunta do apresentador Mário Kertész sobre se o parlamentar acreditava que o vencedor da eleição a ser realizada entre os deputados em fevereiro do ano que vem poderia ser um "bolsonarista puro-sangue".

O questionamento também incluía referências à aproximação de Bolsonaro com o presidente do PTB, Roberto Jefferson, e o PL, de Valdemar Costa Neto. O atual presidente da Casa Legislativa comentou que Jefferson "nem tem voto na Câmara", mas que o PL "tem força, sim".

"Acho que a Câmara escolherá um presidente com essa independência em relação ao Poder Executivo, que não seja então candidato do governo, mas que dialogue", disse. E completou: "Isso é fundamental para que os poderes possam trabalhar com harmonia".

Lei das fake news

O presidente da Câmara também revelou que o apoio que vem dando ao projeto de lei das fake news tem motivação, em parte, pessoal. Maia disse que sofreu "agressões muito pesadas" de uma parte da rede de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.

Ele definiu os autores de ataques como "aquela estrutura comandada em parte nos Estados Unidos, pelo tal do Olavo [de Carvalho], outra parte por aqui [no Brasil] por outros ambientes". E emendou: "Por isso que tenho defendido a importância da lei das fake news."

Entidades internacionais e especialistas em direito digital criticam trechos da proposta, como o artigo 10 da atual redação do projeto, que determina que serviços de mensagem privada guardem, durante três meses, dados sobre envios de mensagens que foram encaminhadas em massa.

O deputado ainda afirmou que existem movimentos cujo objetivo, na sua visão, não seria o de fazer "críticas" ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao Congresso ou ao próprio presidente da Câmara, "mas, sim, impor a posição de pessoas mais radicais".

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