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Imagem do País nas áreas ambiental e social pode dificultar ofertas no mercado de capitais este ano

Especialistas dizem que empresas precisam estar preparadas para cobranças dos investidores em relação à sustentabilidade

14 jan 2021
10h51
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As expectativas para o mercado de capitais para 2021 são "positivas" para ofertas de ações (IPOs e follow-ons), de dívida corporativa doméstica (debêntures) e internacional (bonds) e operações securitizadas (CRAs e fundos imobiliários), conforme manifestou o vice-presidente da Anbima, José Eduardo Laloni, em coletiva realizada na tarde desta quarta-feira.

Em 2020, mesmo com a crise causada pela pandemia de covid-19, o mercado de capitais captou R$ 369,8 bilhões, volume 15% inferior ao registrado em 2019. Entre os destaques, o segmento de renda variável captou R$ 119,3 bilhões, o maior volume desde 2011, informou Laloni. Desse montante, R$ 74 bilhões em ofertas secundárias de ações e R$ 45,3 bilhões em IPOs.

Porém, especialistas em mercado de capitais ponderam que a imagem brasileira no exterior em questões ambientais, sociais e de governança corporativa (ESG, na sigla em inglês) é um risco mesmo nesse ambiente de abundância de liquidez e juros baixos no mundo e pode dificultar o desempenho das ofertas neste ano.

"Temos uma onda muito forte de sustentabilidade agora. As empresas estão sendo cobradas e vão continuar sendo muito cobradas em questões ESG. Essa cobrança é generalizada, não só para ofertas em renda variável, mas também de dívida corporativa. As empresas precisam se preparar para atender essas cobranças", disse Kieran McManus, sócio da PwC Brasil, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

Com opinião semelhante, Carlos Ferrari, sócio da área de mercado de capitais do escritório NFA Advogados afirma que os "títulos verdes" serão os mais demandados pelo mercado em 2021. "A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) está atenta a essa questão ESG e vai discutir esse assunto neste ano", afirmou.

McManus lembra que mais de 40 empresas estão na fila na CVM para abrir capital neste ano. "Já se consegue prever uma corrida para o mercado de capitais, em IPOs e follow-ons, para diferentes setores. Essa onda de sustentabilidade traz atenção para projetos de energia renovável, painéis solares, etanol e açúcar, e o agribusiness sustentável. Mas também vamos ver ofertas de indústrias com vínculo em tecnologia, educação - que tem uma demanda forte - e do setor financeiro que pretende aproveitar esse bom momento de juros baixos", disse.

Novidades no agronegócio

Ferrari complementa que o segmento de securitização por meio de ofertas de certificados de recebíveis do agronegócio (CRA) deve ganhar ainda mais dinamismo em 2021, mas com a preocupação ambiental no centro dos questionamentos pelos investidores, que exigem os chamados "green bonds", ou títulos verdes.

"Há um amadurecimento do empresariado brasileiro para a questão ambiental. E neste ano vamos ter a novidade do Fundo de Investimento do Agronegócio, que já passou pela aprovação na Câmara dos Deputados e está no Senado Federal. É uma regulação semelhante à do Fundo de Investimento Imobiliário (FII), que está crescendo muito com os juros baixos. O novo fundo poderá colocar recursos diretamente na atividade do agronegócio", apontou Ferrari.

Infraestrutura e privatizações

Sobre o mercado de dívida corporativa, Ferrari disse que o investidor ainda "tem muito interesse" em projetos de infraestrutura, concessões na área de transporte (rodovias, ferrovias, portos, aeroportos), energia, saneamento e telecomunicações. "São setores considerados mais seguros", diz o sócio da área de mercado de capitais do NFA Advogados.

Para McManus ainda há alguma esperança do mercado no andamento das privatizações e das reformas fiscais. "A esperança é a última que morre. Os governos (federal e estaduais) precisam se preparar de maneira adequada para as privatizações, uma forma de gerar recursos num momento de contenção da dívida pública. Existem ativos muito atrativos para o mercado de capitais", conclui o sócio da PwC Brasil.

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Estadão
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