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Empresário cria cama-caixão para vítimas de coronavírus

22 mai 2020
16h47
atualizado às 17h01
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Rodolfo Gomez, a manager of the company "ABC Display" demonstrates how a hospital bed that the company manufactures is transformed into a cardboard coffin, amid the coronavirus disease (COVID-19) outbreak in Bogota, Colombia May 21, 2020. Picture taken May 21, 2020. REUTERS/Luisa Gonzalezz
Rodolfo Gomez, a manager of the company "ABC Display" demonstrates how a hospital bed that the company manufactures is transformed into a cardboard coffin, amid the coronavirus disease (COVID-19) outbreak in Bogota, Colombia May 21, 2020. Picture taken May 21, 2020. REUTERS/Luisa Gonzalezz
Foto: Reuters

Imagens perturbadoras de corpos de dezenas de vítimas de coronavírus esperando para ser enterrados nas ruas de Guayaquil, a maior cidade do Equador, motivaram um empresário da Colômbia a criar algo que ele espera que evite uma situação semelhante em outros países: camas hospitalares que podem ser convertidas em caixões.

Até agora, o sistema de saúde colombiano não está sobrecarregado de pacientes da covid-19 - o país está chegando ao fim de dois meses de quarentena -, mas a pandemia causa superlotação em hospitais e funerárias em outros locais.

Temeroso de que o sistema de saúde de sua nação possa não dar conta das vítimas em algum momento, Rodolfo Gómez, cuja empresa ABC Displays normalmente produz material de marketing, projetou as camas-caixões em papelão.

"Vimos o que estava acontecendo no Equador, que as pessoas estavam levando familiares mortos para as ruas... o que também está acontecendo é que os serviços funerários estão entrando em colapso com a pandemia", disse Gómez, de 44 anos. "Então começamos a desenvolver uma cama que pudesse ser convertida em um caixão."

As camas têm grades de metal, rodas com freios e podem ser inclinadas para cima e para baixo, suportando até 150 quilos. Ele disse que as camas-caixões biodegradáveis custam entre 92 e 132 dólares.

Gómez espera que o custo baixo permita que governos locais e provinciais ajudem a equipar hospitais de forma barata. Converter os leitos em caixões se um paciente morrer também reduzirá uma possível contaminação, argumentou.

"Assim que os corpos são preparados, ele é convertido em um caixão e coberto", disse ele na fábrica de Bogotá, que consegue produzir até 3 mil camas por mês. "Os funcionários que estão próximos não são expostos a um risco."

As primeiras camas-caixões serão doadas ao hospital de Letícia, uma cidade da Amazônia colombiana que tem um número alto de casos e capacidade hospitalar limitada.

Gómez diz que já conversou com clientes em potencial de Peru, Chile, Brasil, México e Estados Unidos.

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