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Consumo de álcool pode dificultar a perda de gordura e afetar a recuperação muscular, explica Dr. Jhones Carneiro

Nutrólogo analisa os efeitos das bebidas alcoólicas no metabolismo, no sono e na composição corporal e destaca a importância de hábitos sustentáveis para a saúde.

9 out 2026 - 09h08
(atualizado às 12h50)
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Resumo
O consumo de álcool prejudica a perda de gordura e o ganho de massa muscular ao desacelerar o metabolismo, reduzir a queima lipídica e afetar o sono e a síntese proteica, além de ser altamente calórico. Segundo o nutrólogo Jhones Carneiro, moderar a ingestão favorece a composição corporal, mas deve integrar uma rotina equilibrada com treinos e boa alimentação. Ele enfatiza que a constância e mudanças sustentáveis a longo prazo são mais eficazes do que recorrer a dietas e medidas extremas.

A busca pela redução de gordura corporal costuma estar associada a mudanças na alimentação e à prática de exercícios físicos. Entretanto, um fator frequentemente subestimado pode interferir nesse processo: o consumo de bebidas alcoólicas. Além de acrescentar calorias à dieta, o álcool provoca alterações no metabolismo e pode comprometer aspectos importantes para quem deseja melhorar a composição corporal, como a qualidade do sono e a recuperação muscular.

Jhones Carneiro, nutrólogo.
Jhones Carneiro, nutrólogo.
Foto: Divulgação / Portal de Prefeitura

Segundo o nutrólogo Jhones Carneiro, a influência do álcool vai além do valor calórico das bebidas. Seus efeitos precisam ser considerados dentro de um conjunto de hábitos que inclui alimentação, atividade física, descanso e frequência de consumo.

"Não adianta olhar apenas para uma refeição ou para uma hora de treino. Precisamos entender como aquela pessoa vive durante a semana, quanto se movimenta, como se alimenta, qual é a relação dela com o álcool e quais mudanças realmente consegue sustentar", afirma.

O álcool fornece aproximadamente sete calorias por grama, quantidade superior à encontrada nos carboidratos e proteínas, que fornecem cerca de quatro calorias por grama. Dependendo da frequência e do volume consumido, as bebidas alcoólicas podem representar uma parcela significativa da ingestão energética diária.

Outro aspecto envolve a maneira como o organismo metaboliza o etanol. Como o corpo prioriza sua metabolização, o consumo de álcool pode reduzir temporariamente a oxidação de gorduras, embora isso não signifique que toda ingestão resulte diretamente em ganho de peso.

Sono e recuperação muscular também podem ser afetados

Os efeitos do álcool não se restringem ao metabolismo energético. O consumo, especialmente em quantidades elevadas, pode prejudicar a arquitetura do sono, provocar despertares durante a noite e comprometer a recuperação física.

Para pessoas que praticam exercícios regularmente, esses efeitos merecem atenção. O descanso adequado participa de processos relacionados à recuperação muscular, à regulação do apetite e ao desempenho físico.

Pesquisas científicas também indicam que doses elevadas de álcool após exercícios podem prejudicar a síntese de proteínas musculares, processo fundamental para a recuperação e adaptação dos músculos ao treinamento.

Na avaliação de Jhones Carneiro, a combinação entre treinamento físico, alimentação adequada e descanso tende a ser mais relevante do que a adoção isolada de medidas restritivas.

"Existe uma diferença muito grande entre prescrever uma rotina ideal no papel e construir uma rotina que aquela pessoa vai conseguir executar. A constância costuma ser muito mais interessante do que períodos de grande intensidade seguidos de abandono", explica.

Redução do álcool pode favorecer mudanças na composição corporal

A diminuição do consumo de bebidas alcoólicas pode contribuir para reduzir a ingestão calórica e melhorar aspectos da rotina associados à saúde metabólica. Os resultados, entretanto, variam conforme a quantidade anteriormente consumida, o padrão alimentar, o nível de atividade física e as características individuais.

O nutrólogo destaca que a composição corporal não deve ser avaliada exclusivamente pelo peso registrado na balança. A proporção entre gordura e massa muscular, por exemplo, ajuda a compreender mudanças que nem sempre são acompanhadas por grandes alterações no peso total.

Nesse contexto, o treinamento de força desempenha papel importante na preservação e no desenvolvimento da massa muscular, enquanto atividades aeróbicas contribuem para o condicionamento cardiorrespiratório e o gasto energético.

A combinação dessas modalidades pode ser benéfica, desde que respeite o condicionamento físico, as condições clínicas e as necessidades individuais.

Jhones ressalta que não existe uma quantidade universal de exercícios capaz de produzir os mesmos resultados para todas as pessoas. A idade, o histórico de saúde e a capacidade de manter uma rotina regular precisam ser considerados.

Mudanças sustentáveis são mais importantes do que estratégias extremas

Embora dietas restritivas e programas intensivos de exercícios frequentemente ganhem destaque nas redes sociais, a manutenção dos resultados depende de fatores que vão além de intervenções temporárias.

O consumo de álcool, a regularidade do sono, o comportamento alimentar e a frequência de atividade física fazem parte de um conjunto de fatores que pode favorecer ou dificultar o controle do peso e a manutenção da massa muscular.

Para Jhones Carneiro, identificar os comportamentos que mais interferem na saúde de cada pessoa permite estabelecer mudanças compatíveis com a realidade individual, sem recorrer necessariamente a estratégias extremas.

"O objetivo não é transformar a vida do paciente em algo incompatível com a realidade dele. Quando conseguimos identificar os hábitos que realmente estão interferindo no resultado e modificar aquilo que é possível manter no longo prazo, a mudança tende a ser muito mais consistente", afirma.

O especialista também ressalta que os efeitos de uma mudança de comportamento não devem ser interpretados como uma fórmula universal. A resposta do organismo depende de fatores metabólicos, condições clínicas, alimentação e nível de atividade física.

A redução do consumo de álcool, portanto, pode representar uma medida relevante dentro de uma estratégia mais ampla de promoção da saúde, mas não substitui uma alimentação equilibrada, a prática regular de exercícios ou o acompanhamento profissional quando necessário.

"Não precisamos criar uma vida artificial para obter resultado. Precisamos encontrar dentro da vida real daquele paciente os pontos em que é possível fazer mudanças consistentes. O resultado vem da soma desses hábitos ao longo do tempo", conclui Jhones Carneiro.

Portal de Prefeitura
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