Com choro e flores, Tarcísio exalta mulheres em SP, mas nenhuma discursa no palco
Eleitorado feminino tem sido o foco das articulações nessas eleições -- e a direita tem batido nessa tecla em eventos
Tarcisio de Freitas chorou ao falar sobre a sua esposa, a primeira-dama do Estado de São Paulo Cristiane Freitas, durante discurso na convenção partidária do Republicanos, ao ser lançado candidato à reeleição do governo paulista neste sábado, 1º. Depois, a presenteou com flores no palco do Ginásio do Ibirapuera. Do início ao fim do evento, mulheres foram lembradas, exaltadas e celebradas -- mas nenhuma delas falou ao microfone.
O presidente do Republicanos, Marcos Pereira, também usou sua fala para agradecer mulheres. Ele homenageou sua esposa, a esposa de Tarcisio e a primeira-dama da Prefeitura de São Paulo, esposa de Ricardo Nunes. A senadora Damares Alves também estava no palco e foi chamada para o momento. Além de pedir para o público aplaudir as mulheres, disparou:
"Quando falarem que nós, e quando eu falo nós estou falando aqui de Flávio Bolsonaro, estou falando do governador Tarcisio... Quando falarem que nós não respeitamos as mulheres, que nós não valorizamos as mulheres, isto é mentira", afirmou, explicando que o Republicanos foi o partido que na eleição passada mais elegeu vereadoras nas capitais do Brasil.
Conforme apurado pelo Terra, estava previsto no roteiro da cerimônia que ao menos uma mulher fizesse um discurso no palco -- o que não aconteceu por conta de imprevistos.
Entre os eleitores, mulheres são maioria. E a busca pelo voto feminino tem sido foco nesta eleição, principalmente entre as lideranças de direita. Flávio Bolsonaro, em sua convenção partidária, esteve no palco rodeado por mulheres e promete concorrer à Presidência da República com uma vice mulher -- por mais que, perto do prazo final para que o anúncio seja feito, ainda não tenha definido o nome.
A tensão em torno do eleitorado feminino na direita ganhou novos contornos após a briga pública entre Flavio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, sua madrastra. De acordo com últimas manifestações dos envolvidos, a situação está resolvida. Ao exaltarem mulheres, Michelle não foi citada durante a convenção partidária deste sábado.
Relembre: Flávio x Michelle
A relação entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro tem passado por atritos, com o desgaste entre eles escalando após a ex-primeira-dama publicar, no fim de junho, um vídeo em que ataca o enteado. Ela disse ter sido desrespeitada e maltratada, e se posiciona contra estratégias políticas envolvendo alianças do PL.
Em um primeiro momento, Flávio disse que não iria comentar o caso por ser dia de jogo – no caso, Michelle publicou o vídeo em meio à partida do Brasil contra a Escócia pela Copa do Mundo. Mas, no dia seguinte, ele pediu desculpas a Michelle e negou tê-la desrespeitado com relação à aliança do PL com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no Ceará.
Depois, Michelle voltou a comentar o caso, disse que não haver briga e que não tinha "raiva de ninguém”. Segundo ela, apenas "esclareceu uma situação que estava sendo deturpada". Mesmo assim, dias após o desentendimento, ela deixou de seguir os enteados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Carlos Bolsonaro (PL-RJ) no Instagram. Em paralelo, no dia 30 de junho, ela anunciou que deixou a presidência do PL Mulher.
O cabo de guerra entre os dois segue, inclusive com Michelle tendo compartilhado conteúdos sobre uma suposta festa sexual organizada por Daniel Vorcaro, do escândalo financeiro do Banco Master. O ato foi interpretado como uma cutucada em Flávio, que tem relações com o banqueiro investigadas pela Polícia Federal. O senador respondeu à provocação e a chamou de “desinformada” por insinuar que ele participaria de eventos do tipo.
Flávio seguiu na postura de que estava aberto para conversar com a ex-primeira-dama, e disse que aguardava o momento em que ela vestirá a camisa de sua campanha. "No final das contas, tem que estar todo mundo junto para combater esse inimigo do Brasil que é o atual governo", disse.
Uma busca maior plr aproximação aconteceu quando Flávio leu uma carta escrita por Jair Bolsonaro onde, sem citar Michelle, foi dada a mensagem de que o ex-presidente pediu para que deixassem as diferenças de lado. Na live em que ele leu o documento, citou falta de unidade e deixou claro que é ele quem está sendo apontado como a liderança a ser seguida pela direita fiel a Jair.
Agora, no último dia 23, com a pressão das eleições, Flávio pediu desculpas a Michelle em vídeo publicado em suas redes sociais, elogiou a madrasta e disse que a briga entre os dois é explorada pelos adversários políticos. A ex-primeira-dama aceitou as desculpas e, em busca de unidade, chamou o senador para dialogar.
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