Clínica clandestina de cirurgia plástica é interditada em Porto Alegre
Anvisa e Vigilância Sanitária encontraram galões de substâncias suspeitas e preenchedores com rótulos adulterados em estabelecimento sem alvará
Uma operação conjunta entre a Anvisa e a Vigilância Sanitária resultou na interdição de uma clínica de cirurgia plástica clandestina de Porto Alegre nesta quarta-feira (25). No estabelecimento, que operava sem qualquer alvará ou licença sanitária, as autoridades encontraram um cenário de graves riscos à saúde pública, incluindo produtos falsificados, falta de esterilização e descarte irregular de lixo biológico.
O ponto central da investigação envolve a falsificação de preenchedores cutâneos. Os agentes localizaram galões de líquido semelhante a silicone e frascos de 300 mL rotulados fraudulentamente como "Linnea Safe Body Hidrogel". A verificação oficial constatou que o número de registro utilizado pertence a um produto legítimo composto por polimetilmetacrilato (PMMA), porém, a fabricante original não produz embalagens de 300 mL, comercializando o item apenas em seringas pré-preenchidas de até 5 mL. A suspeita é de que o conteúdo dos frascos maiores seja uma substância não autorizada e potencialmente perigosa.
Além dos insumos adulterados, a fiscalização identificou que próteses de silicone, cânulas e aparelhos de sucção eram mantidos sem evidências de esterilização, o que eleva drasticamente o risco de infecções graves em pacientes. A presença de resíduos biológicos descartados de forma comum no consultório também foi registrada como uma infração sanitária crítica. Amostras do material apreendido foram coletadas para análise laboratorial detalhada.
Devido aos fortes indícios de atividade criminosa e exercício ilegal da medicina, a Polícia Civil foi acionada para acompanhar o caso. A clínica permanecerá lacrada por tempo indeterminado, e os responsáveis poderão responder por crimes contra a saúde pública, além das sanções administrativas aplicadas pelos órgãos de vigilância.