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Poeira do Saara atravessa o oceano Atlântico e chega ao Brasil

Essa poeira favorece o aumento de nuvens de chuva na Região Norte e fornece nutrientes a floresta Amazônica.

10 mar 2022 - 00h59
(atualizado às 13h21)
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Desde a semana passada, a poeira do deserto do Saara, norte da África, atravessa o oceano Atlântico e está chegando sobre parte do Norte do Brasil. A maior concentração de poeira ao esta semana e na próxima é sobre o Iraque, Egito, Chade, Nigéria e Níger.

No Brasil, o estado mais atingido pela poeira esta semana está sendo o Amapá, mas ela vem como parte da nuvens de chuva.

Poeira do Saara e a chuva

A presença da poeira do Saara aumenta os núcleos de condensação para as gotas de chuva e também ajuda no aumento de volume de água e dos raios no Norte do Brasil. O núcleos de condensação são partículas sobre os quais se depositam o vapor de água e gotículas de água e que são muito importantes para a formar as gotas de chuva. Sem eles, as gotas de chuva iam demorar muito tempo para se desenvolver

Pela imagem de satélite, é possível notar que a poeira do Saara atua na faixa equatorial do oceano Atlântico, próximo à África Ocidental.

Foto: Climatempo

Imagem 1: Poeira do Saara atravessa o oceano Atlântico vista por satélites meteorológico. (Fonte: Zoom Earth/NOAA)

Segundo a simulação do modelo de dispersão atmosférica NASA/GMAO, a tendência é que essa poeira se desloque ao longo do próximos dias em direção ao extremo norte do Brasil chegando ao Amapá. No decorrer da próxima semana, a previsão é que esta poeira também consiga atingir outras áreas da Região Norte e do Nordeste do país, se espalhando entre Roraima, o Maranhão e o Rio Grande do Norte, mas em quantidades diferentes. 

Atenção: esse transporte de poeira do Saara sobre o Atlântico tropical é comum e ocorre várias vezes todos os anos, mas com intensidade e abrangência diferenciadas. Há casos em que a camada de poeira é muito densa e interfere na visibilidade em superfície. Mas, em geral, a poeira que vem do Saara não é vista  caindo do céu ou soprada pelo vento e encobrindo objetos, reduzindo a visibilidade na nossa frente. 

Foto: Climatempo

Imagem 2: Previsão de alcance da poeira do Saara na próxima quarta-feira (16). Fonte: NASA.

A poeira do Saara e os furacões

Quando a poeira do Saara atua sobre o oceano Atlântico Norte, principalmente sobre a porção tropical, costuma diminuir bastante a formação de furacões.  A camada de poeira sobre o oceano deixa o ar mais seco e é capaz de reduzir a temperatura da superfície do mar em torno de 1°C. Além disso, a nuvem de poeira vinda do Saara causa um aumento da variação dos ventos em altitude, que é outro fator que inibe o crescimento dos furacões.

Fertilização da floresta Amazônica

Outro grande destaque também é que a poeira do Saara fornece nutrientes para a floresta Amazônica, como o fósforo, que é essencial para a vegetação amazônica.  A nuvem de poeira viaja de oeste para leste, ou seja da África ao Brasil. Esses nutrientes chegam até a Amazônia através dos ventos alísios e pelo posicionamento favorável da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) nesta época do ano.

É natural que durante a estação chuvosa haja contribuição de poeira do Saara sobre a região da Amazônia, por exemplo. Esporadicamente, essa poeira pode vir acompanhada de aerossol de queima de biomassa proveniente da região do Sahel.

De uma forma geral, a maior frequência e maior concentração de poeira do Saara que chega à Amazônia e à faixa norte do Brasil ocorre entre janeiro e maio. 

Climatempo
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