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Cientistas descobrem grande depósito de magma sob a Toscana

21 abr 2026 - 16h16
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Câmara com 6 mil quilômetros cúbicos deverá entrar em erupção num futuro distante. Revelação resultou de método inovador, com potencial para alavancar transição energética.Sob as colinas verdes da Toscana, na Itália, a Terra ferve intensamente. É o que descobriram pesquisadores da Universidade de Genebra, na Suíça, ao encontrarem uma enorme câmara de magma. O reservatório geotérmico abrange cerca de 6 mil quilômetros cúbicos — aproximadamente 120 vezes o volume do Lago de Garda, o maior lago italiano.

O diferencial da descoberta é que não há indício na superfície do gigantesco reservatório de magma. Enquanto estruturas dessa magnitude, em outras regiões do mundo, costumam se manifestar por meio de erupções vulcânicas, formação de crateras ou gêiseres, na pitoresca região não se vê absolutamente nada da rocha derretida e quente no subsolo.

"Sabemos que essa região, que se estende do norte ao sul da Toscana, é geotermicamente ativa", afirma Matteo Lupi, do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Genebra e autor principal do estudo, publicado em abril na revista científica Nature. "Mas não estava claro para nós que ali existisse um volume de magma tão grande, comparável a sistemas de supervulcões."

Apesar do tamanho, a câmara magmática não representa perigo para a população local. "Em algum momento, provavelmente ocorrerá uma erupção aqui", segundo Lupi. "Mas estamos falando de escalas de tempo geológicas. Provavelmente, nessa época, já não haverá mais pessoas vivendo ali."

Registrando o ruído da Terra

Os pesquisadores encontraram o reservatório utilizando uma técnica chamada tomografia de ruído ambiente. Esse método já é empregado na sismologia, área que estuda a origem e a propagação das ondas sísmicas associadas a terremotos.

"Utilizamos sensores que registram ruídos sísmicos. Afinal, a Terra está sempre fazendo barulho," diz Lupi. Esses ruídos têm origem tanto em atividades humanas quanto em processos naturais, como a variação das marés ou o vento.

Quando as ondas sonoras levam um tempo especialmente longo para se deslocar de um ponto de medição a outro, isso indica que as rochas abaixo da superfície terrestre têm um alto teor de fluidos — como ocorre, por exemplo, no caso do magma.

Os pesquisadores na Toscana identificaram esse tipo de ondas lentas ao analisar os dados de 60 sensores instalados para o estudo.

"A uma profundidade entre 8 e 10 quilômetros, as ondas eram particularmente lentas", relata Lupi. Foi ali que sua equipe encontrou a câmara magmática. A partir da análise dos registros, os pesquisadores conseguiram criar imagens em 3D da região abaixo da superfície terrestre.

Recurso para a transição energética

A capacidade de gerar esse tipo de imagem e identificar câmaras magmáticas quentes com essa tecnologia é valiosa para o futuro da transição energética. A energia geotérmica, uma fonte renovável que não depende de condições climáticas, vem se tornando cada vez mais importante.

Segundo Lupi, empresas já poderiam utilizar a tecnologia de tomografia empregada por ele e sua equipe para identificar os locais mais promissores para perfuração em busca de energia geotérmica. O método seria rápido e relativamente barato.

"O único obstáculo é que empresas conservadoras não querem adotar uma tecnologia que não compreendem", afirma. "Na Ásia, já existem muitas empresas que trabalham com esse método. Na Suíça, o ambiente é mais conservador, e ele ainda é pouco utilizado."

A tomografia de ruído ambiente também pode ajudar a identificar depósitos de lítio ou terras raras. Esses recursos são utilizados, por exemplo, em baterias de carros elétricos e chips de computador. Atualmente, o mundo depende fortemente da China para o fornecimento de terras raras, país onde a maioria dos depósitos dessa matéria-prima foram descobertos até o momento.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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