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Ciclo de palestras promove diálogo com jovens gaúchos sobre combate à violência contra a mulher

Iniciativa da Demà Aprendiz reúne participantes do Programa Partiu Futuro Reconstrução em 30 cidades do RS e culminará em Fórum com mais de mil jovens em Porto Alegre

1 jul 2026 - 18h01
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O Rio Grande do Sul registrou 42 feminicídios no primeiro semestre de 2026, índice 16% maior do que o registrado no mesmo período do ano anterior. O total já representa mais da metade dos 80 casos contabilizados em todo o ano passado, segundo dados da Secretaria Estadual da Segurança Pública.

Foto: Zé Carlos de Andrade / Porto Alegre 24 horas

Somente no primeiro trimestre deste ano, o Estado registrou 24 feminicídios, ficando atrás apenas de São Paulo (86), Minas Gerais (42), Paraná (33) e Bahia (25), conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Diante desse cenário, ampliar o debate sobre prevenção da violência contra a mulher e fortalecer uma cultura baseada no respeito, na equidade e na proteção tornaram-se prioridades do Ciclo de Palestras "Diálogos que Protegem - Vozes pela Vida: Juventude, Respeito e Cultura da Paz", promovido pela Demà Aprendiz, tecnologia social da Renapsi, em 30 cidades gaúchas.

A iniciativa envolve jovens da segunda edição do Programa Partiu Futuro Reconstrução e busca conscientizá-los sobre o fortalecimento da cidadania, por meio de reflexões sobre os direitos das mulheres e o enfrentamento das diversas formas de violência. As atividades são construídas considerando as realidades de cada território e abordam temas como equidade de gênero, saúde mental, responsabilidade social, cultura de paz e protagonismo juvenil, contribuindo para a formação de cidadãos comprometidos com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Nesta quarta-feira (1º), cerca de 50 aprendizes de Porto Alegre e da Região Metropolitana participaram de uma roda de conversa com a extensionista do Programa Clínica Feminista Antirracista Interseccional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Lara Werner. Durante o encontro, realizado no Tecnopuc, o grupo refletiu sobre como identificar situações de violência, romper ciclos de naturalização de comportamentos abusivos e atuar como agentes de transformação em suas comunidades.

"Quando começamos a conversar com os adolescentes, percebemos que muitos têm uma história para contar de alguém da família ou de uma pessoa próxima que sofreu ou sofre algum tipo de violência. Estamos vivendo uma realidade grave de crimes contra as mulheres, e precisamos disputar a consciência desses jovens para construir uma sociedade baseada no respeito e na igualdade, sem naturalizar essas situações", enfatiza Lara.

De acordo com a extensionista, levar esse debate para a juventude busca ampliar a compreensão sobre o impacto da violência na sociedade. "É fundamental trazer esse tema para os jovens, mostrando que a violência contra a mulher impacta toda a população. Precisamos falar também sobre equidade de gênero, sobre a importância das mulheres e sobre como identificar sinais de relações abusivas", afirma.

Para Lara, o conhecimento é uma ferramenta para a criação de redes de proteção. "A construção de ambientes protegidos passa pelo diálogo. Os jovens precisam saber que existem espaços seguros e adultos responsáveis para acolher e orientar. Quando têm informação, eles também se tornam agentes importantes no território, capazes de identificar situações de violência e encaminhar essas demandas", complementa.

A escuta pelos jovens foi destacada pelos participantes da atividade. Para Kauê Viana de Souza, 18 anos, de Viamão, discutir o tema é uma forma de fortalecer a solidariedade. "É muito importante conversarmos a respeito e termos empatia nesse momento, porque se eu tenho uma história triste e outra pessoa também, eu não quero que aconteça a mesma coisa que aconteceu comigo ou com ela, e temos que demonstrar que estamos prontos a ajudar quem necessita", afirma.

Lavínia Fagundes Rodrigues, 21 anos, de Viamão, ressalta que o diálogo é essencial para superar o receio e incentivar a busca por ajuda. "É um assunto relevante a ser debatido para enfrentarmos o medo da violência doméstica e mostrar que as mulheres, ou quem presenciar uma situação desse tipo, não devem ter receio de denunciar o agressor porque a vítima receberá proteção das autoridades. Podemos ajudar, seja por meio de uma conversa com essa pessoa, sendo ela próxima ou não", salienta.

A coordenadora Psicossocial da Demà, Ester Melo, explica que os encontros representam um espaço de formação, conscientização e fortalecimento do protagonismo juvenil. "O projeto surgiu com o propósito de levar informação e estimular mudanças de comportamento. Combater a violência contra a mulher começa por reconhecer sinais, respeitar limites, escutar sem julgar e saber onde buscar ajuda. Assim, o Vozes pela Vida reafirma seu compromisso com a formação integral da juventude, promovendo espaços de diálogo, reflexão, aprendizado e responsabilidade social", complementa.

As palestras reúnem representantes de órgãos especializados, como Centros de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), Centros de Referência da Mulher (CRM), Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM), Patrulha Maria da Penha, Procuradoria da Mulher e Promotoria Especializada de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, entre outros.

As atividades realizadas nos municípios encerrarão com um Fórum previsto para o fim deste mês de julho, em Porto Alegre. O encontro terá a presença de mais de mil participantes para ampliar a reflexão sobre juventude, direitos, prevenção da violência e construção de uma sociedade mais segura e igualitária.

A programação conta ainda com uma comissão formada por dez jovens de diferentes municípios gaúchos. O grupo promove reuniões semanais para debater propostas e contribuir para a construção de uma agenda que represente o olhar da juventude sobre o enfrentamento da violência contra a mulher.

Sobre o Programa Partiu Futuro Reconstrução

Ao todo, 2.785 jovens de 75 municípios gaúchos participam da segunda edição do Partiu Futuro Reconstrução. Desse montante, 1.840 são atendidos pela Demà Aprendiz, tecnologia social da Renapsi, em 31 cidades. O programa é realizado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes).

À Demà Aprendiz cabe a coordenação da capacitação teórica e o acompanhamento das atividades realizadas em órgãos públicos, aliando a aprendizagem profissional ao desenvolvimento integral dos participantes para a qualificação no mundo do trabalho. Os jovens conciliam a formação teórica, realizada uma vez por semana, com a atuação em órgãos estaduais e municipais, onde atuam quatro dias por semana.

A iniciativa é voltada a pessoas com idade entre 14 e 22 anos, egressas ou matriculadas na rede pública de ensino, inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) e que foram impactadas pelas enchentes de maio de 2024 ou residem em municípios integrados ao Programa RS Seguro. O contrato tem duração de um ano e prevê carga horária total de 1.040 horas.

Os participantes recebem bolsa-auxílio de R$ 894,52 para uma jornada de 20 horas semanais, vale-alimentação de R$ 550 e vale-transporte, quando necessário. Também contam com carteira assinada e acesso a todos os direitos garantidos por lei, como FGTS, INSS, férias e 13º salário.

Porto Alegre 24 horas
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