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China estuda proibir telas gigantes e frear excessos em carros por conta de segurança

Órgão regulador chinês avança contra recursos extravagantes em veículos novos para reforçar a segurança no trânsito

2 nov 2026 - 15h02
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Resumo
Visando elevar a segurança viária e reduzir distrações, o governo chinês planeja proibir telas multimídia gigantes e dobráveis em veículos. O cerco regulatório, que já vetou maçanetas embutidas para 2027 após falhas em resgates, também mira bancos com reclinação excessiva em movimento e luzes dinâmicas em LED. A ofensiva marca uma guinada no país, que deixa de priorizar o apelo visual extravagante para focar na padronização e proteção dos ocupantes.

O mercado automotivo chinês ficou mundialmente conhecido por popularizar cabines futuristas repletas de telas gigantes e tecnologias extravagantes. Contudo, essa corrida pelo excesso digital começou a acender o sinal vermelho entre as autoridades.

O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China (MIIT) estuda endurecer as regras de homologação para proibir veículos equipados com centrais multimídia exageradas e restringir outros recursos internos em prol da segurança viária.

A medida em estudo faz parte de um cerco regulatório mais amplo que o governo chinês tem imposto sobre as montadoras. Recentemente, o país deu um passo histórico ao banir o uso de maçanetas embutidas e retráteis em veículos novos a partir de 2027.

A decisão foi motivada por relatórios de acidentes graves em que falhas elétricas pós-colisão travaram as portas, impedindo o resgate rápido das vítimas. Com a norma, as fabricantes serão obrigadas a adotar sistemas de abertura mecânica tradicional ou com acionamento emergencial de fácil acesso.

Interior do novo BYD Dolphin Mini
Interior do novo BYD Dolphin Mini
Foto: Divulgação | BYD / Estadão

Os riscos das supertelas e das novas restrições

Agora, o foco das autoridades recai sobre o excesso de estímulos visuais dentro da cabine. Com a proliferação de painéis que ocupam toda a extensão frontal — incluindo monitores dedicados exclusivamente ao passageiro —, o governo aponta que a distração do condutor tornou-se um problema crítico de segurança pública. Por isso, o MIIT pretende submeter multimídias oversized, além de telas flexíveis e dobráveis que começam a despontar no setor, a testes severos de colisão, estresse térmico e fragmentação de vidro para evitar riscos estruturais ou balísticos aos ocupantes.

A ofensiva governamental também mira outros itens extravagantes da indústria, como os bancos com regulagem eletrônica avançada ("gravidade zero") e as animações personalizadas em faróis e lanternas de LED.

Os assentos que reclinam excessivamente e erguem o suporte de pernas deverão ter seu uso bloqueado com o veículo em movimento, garantindo a posição ideal dos ocupantes em relação aos cintos e airbags. Já as iluminações dinâmicas externas serão padronizadas para eliminar elementos estéticos que possam ofuscar ou distrair os motoristas que trafegam logo atrás.

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No fundo, todas essas restrições refletem uma guinada estratégica no ecossistema automotivo do país. Após anos incentivando a inovação desenfreada e o apelo visual para consolidar a China como potência global dos carros elétricos, o governo agora prioriza a padronização, a maturidade regulatória e a segurança viária.

Estadão
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