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Chefe de gabinete de Milei renuncia sob escândalo de corrupção

28 jun 2026 - 12h16
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Manuel Adorni, um dos nomes mais próximos ao presidente argentino, anunciou renúncia após quatro meses de escândalo por acusações de corrupção e enriquecimento ilícito.Manuel Adorni, chefe de gabinete do presidente da Argentina, Javier Milei, e um dos nomes mais próximos ao presidente, anunciou neste sábado (27/06) sua renúncia após quatro meses de escândalo devido a acusações de corrupção contra ele, que resultaram em uma investigação judicial por suposto enriquecimento ilícito.

Adorni nega acusações
Adorni nega acusações
Foto: DW / Deutsche Welle

"Os intermináveis ataques da mídia que tenho suportado me levaram a pedir que, desta vez, o senhor me acompanhe, para que eu possa encerrar este ciclo com o objetivo de proteger a mim e à minha família", afirmou Adorni em uma longa carta dirigida a Milei, publicada em sua conta na rede social X (ex-Twitter).

Gastos extravagantes

Adorni está envolvido em um escândalo cada vez maior desde março, quando foi revelada uma série de gastos extravagantes e não declarados que resultaram em uma investigação judicial que colocou seu patrimônio sob o microscópio da Justiça.

"Sou um simples cidadão que um dia quis colaborar com um projeto que está colocando a Argentina no topo do mundo, um cidadão comum, com uma vida que não é nem mais nem menos do que a que sempre tive. Infelizmente, nem todos querem o que nós queremos, senhor presidente", escreveu Adorni, que afirmou ter sido "tratado como criminoso e corrupto sem um único fato de corrupção" em seu histórico.

Dinheiro oculto

Adorni admitiu, no último dia 10 de junho, que ocultou cerca de 500 mil dólares em suas declarações patrimoniais juramentadas e afirmou que esses recursos correspondiam a poupanças mantidas fora do registro junto com sua esposa, provenientes de seu trabalho no setor privado.

Em meio às tentativas da oposição de convocar Adorni ao Congresso para submetê-lo a um interrogatório com vistas a uma possível moção de censura, Milei destituiu Adorni de suas funções de porta-voz presidencial, que ele exercia paralelamente ao cargo de chefe de gabinete.

Compras com cartão de crédito de funcionários

Naquela mesma sexta-feira, mais cedo, Adorni ficou no centro de uma nova polêmica depois que vieram à tona supostas compras de equipamentos para videogames feitas a partir de sua conta pessoal no Mercado Livre, utilizando cartões de crédito pertencentes a dois funcionários que trabalhavam sob sua supervisão na estrutura da Assessoria de Imprensa Presidencial.

Até este sábado, Milei se empenhou em defender Adorni e mantê-lo no cargo, apesar de o escândalo crescente ter acarretado uma queda na imagem do governo, disputas internas e uma certa paralisia no gabinete ministerial.

"Encerro esta etapa. Retiro-me tranquilo e sereno, mas, acima de tudo, com a consciência tranquila e firme em minhas convicções", concluiu Adorni no comunicado.

md (EFE, AFP)

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