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Israel causou danos a sítios de patrimônio em todo o sul do Líbano, diz ministro

28 jun 2026 - 12h29
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A coroa de uma coluna antiga foi arrancada em um local tombado pela ‌Unesco na cidade portuária de Tiro, no Líbano. Um local de peregrinação tanto para muçulmanos quanto para cristãos foi destruído em outra cidade do sul. Ataques israelenses atingiram o mercado da era mameluca na cidade de Nabatieh, e as tropas arrasaram cidades fronteiriças libanesas com séculos de história.

A campanha aérea e terrestre de quase quatro meses de Israel -- que, segundo o país, tinha como alvo o grupo armado Hezbollah, apoiado pelo Irã -- danificou ou destruiu locais históricos reverenciados em todo o sul do Líbano, disse o ministro da ⁠Cultura libanês, Ghassan Salame, à Reuters.

Apesar do cessar-fogo que entrou em vigor há uma semana, as autoridades ainda não conseguiram ter uma ‌visão completa dos danos, já que as tropas israelenses continuam ocupando uma zona de cerca de 10 km no interior do Líbano, que está interditada aos libaneses, disse Salame.

"Não podemos trabalhar sob a sombra da ocupação", disse ele.

Essa zona de ocupação inclui o Castelo ‌de Beaufort, de origem medieval, bem como aldeias centenárias que abrigavam cristãos, muçulmanos ‌xiitas e sunitas, além de seus locais de culto.

"Há aldeias que foram completamente arrasadas", disse Salame.

Até mesmo cidades antigas fora ⁠da zona foram alvo de ataques aéreos, incluindo Tiro e Nabatieh. Bombardeios intensos atingiram a cidade de Tebnin, gerando temores de que sua fortaleza cruzada também tenha sido danificada, disse Salame.

"O patrimônio não se resume apenas às antiguidades romanas e fenícias", acrescentou ele. "O patrimônio também inclui edifícios históricos, sítios arqueológicos e edifícios com função cultural."

Em resposta a perguntas da Reuters, as forças armadas de Israel afirmaram que não têm como objetivo "causar danos excessivos à infraestrutura civil e só realizam ataques por necessidade militar, levando em consideração a segurança de ‌seus cidadãos", uma referência aos residentes do norte de Israel, que têm sido alvo do Hezbollah.

Afirmou ter levado em conta a existência de "locais ‌sensíveis" e aplicado "um rigoroso processo de aprovação, ⁠conforme exigido". Israel acusou o Hezbollah ⁠de colocar armas no Castelo de Beaufort, alegação que as autoridades libanesas negam.

RUÍNAS ANTIGAS DANIFICADAS

O Líbano atual situa-se na encruzilhada de civilizações, incluindo os ⁠fenícios, bizantinos, mamelucos e cruzados, cada uma deixando sua marca com templos, castelos ‌e mausoléus.

Com quase 5.000 anos, Tiro e ‌suas ruínas romanas são frutos dessa herança. Fundada como uma fortaleza insular, Tiro foi conectada permanentemente ao continente pelas forças invasoras de Alexandre, o Grande.

Ela sobreviveu a repetidas rodadas de conflitos. Após a guerra recente, grande parte da cidade foi reduzida a escombros, e carros cobertos de poeira, com janelas estouradas, estão estacionados ao redor do conjunto de colunas erguidas em ⁠homenagem a deuses há muito esquecidos.

As barreiras instaladas para proteger as ruínas antigas de ataques israelenses ou de detritos voadores foram arremessadas para o meio do local que deveriam proteger.

"Veja os danos que ela sofreu, é como se tudo tivesse explodido por baixo, como se um terremoto a tivesse atingido", disse Adnan Istanbouli, funcionário do departamento de antiguidades do Líbano, enquanto estava perto de um mosaico romano.

Alwan Charafeddine, vice-prefeito de Tiro, afirmou que "esta deveria ser uma das cidades ‌protegidas internacionalmente, ou que nunca deveria ser alvo de nenhum tipo de ataque, em nenhum conflito".

PEDIDO DE MAIOR PROTEÇÃO

Em comunicado divulgado no mês passado, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) manifestou preocupação com o estado ⁠de conservação de Tiro, um Patrimônio Mundial que se encontra sob o status de proteção reforçada da organização.

A organização também se disse "profundamente alarmada" com relatos de danos a uma cidadela na cidade de Chama, no sul do país, e com os combates nas proximidades do Castelo de Beaufort, ao mesmo tempo em que condenou o que descreveu como "ataques ilegais contra bens culturais".

A agência já havia manifestado preocupações semelhantes sobre o destino de sítios históricos no Irã em março.

Quando os bombardeios israelenses se espalharam para as ruínas de Tiro, Salame solicitou à Unesco que reclassificasse o local como Patrimônio Mundial em Perigo, o que acionaria maiores responsabilidades de proteção por parte da Unesco e da comunidade internacional. O local ainda não foi listado como tal.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou no início da guerra -- que ocorreu paralelamente à guerra dos EUA e de Israel contra o Irã -- que Israel destruiria todas as casas ao longo da fronteira do Líbano com Israel.

Salame disse temer que a campanha de Israel apague permanentemente séculos de história libanesa.

"Há algo de sistemático: uma destruição sistemática de vilarejos, aldeias e cidades inteiras", disse Salame.

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