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X favorece perfis que já postaram desinformação sobre conflito entre Israel e Hamas

Uma semana após receber um pedido de explicações da União Europeia sobre a circulação de desinformação, plataforma continua.

19 out 2023 - 16h16
(atualizado às 18h20)
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X favorece perfis que já postaram desinformação sobre conflito entre Israel e Hamas
X favorece perfis que já postaram desinformação sobre conflito entre Israel e Hamas
Foto: Reprodução/Unsplash

Uma semana após receber um pedido de explicações da União Europeia sobre a circulação de desinformação relacionada a Israel e ao Hamas, o X (ex-Twitter) segue privilegiando conteúdos publicados por perfis que já disseminaram mentiras sobre o conflito.

  • Usando a ferramenta Nitter, o Radar Aos Fatos coletou dados sobre as principais publicações em destaque que usavam quatro hashtags relacionadas ao conflito (#Israel, #Hamas, #Palestina e #Guerra), publicadas no Brasil entre os dias 7 e 11 de outubro;
  • A reportagem analisou as 50 contas com mais publicações destacadas na busca. Juntas, elas tiveram 532 posts recomendados nos cinco primeiros dias de conflito;
  • Entre os 50 perfis com mais publicações recomendadas, metade já publicou desinformação sobre Israel e o Hamas;
  • Das contas que publicaram desinformação, seis pertencem a usuários anônimos (24%), seis são de páginas apócrifas dedicadas a política partidária e outras seis publicam sobre assuntos da atualidade para gerar engajamento;
  • Nove desses 25 perfis (36%) foram criados há menos de um ano;
  • Outras sete das contas que publicaram desinformação (28%) são de assinantes do X Premium, serviço da plataforma que confere um selo azul ao perfil e promete dar mais visibilidade, entre outros benefícios.

Uma das contas com maior número de publicações em destaque sobre a guerra foi a Primacial Notícias, que se apresenta como página dedicada a "notícias dos fatos nacionais e internacionais e um pouco de quase tudo". Criado em agosto deste ano, o perfil teve 26 posts entre os mais recomendados em hashtags sobre o assunto nos primeiros dias de conflito.

Em uma das publicações, que acumula até o momento 158 mil visualizações, a página compartilha um vídeo gravado em 2017 na Ucrânia como se mostrasse cenas recentes de um protesto pró-Hamas. De acordo com o post enganoso, desmentido pelo Aos Fatos, ativistas franceses teriam sido presos após erguerem a bandeira LGBTQIA+ em uma manifestação pró-grupo extremista islâmico.

Publicação de página apócrifa no X dissemina desinformação sobre o conflito ao alegar que vídeo gravado na Ucrânia em 2017 que mostra manifestantes queimando bandeira LGBTQIA+ mostraria ato pró-Hamas.
Publicação de página apócrifa no X dissemina desinformação sobre o conflito ao alegar que vídeo gravado na Ucrânia em 2017 que mostra manifestantes queimando bandeira LGBTQIA+ mostraria ato pró-Hamas.
Foto: Aos Fatos

'Acontecendo.' Página compartilha vídeo de repressão a manifestação LGBTQIA+ na Ucrânia como se mostrasse ato pró-Hamas (Reprodução)

Um usuário anônimo recomendado pelo X também publicou uma imagem descontextualizada sobre o conflito na plataforma. Em post com 550 visualizações que usa hashtags como #StandWithIsrael (esteja com Israel, em português) e #Hamas, a conta compartilhou uma foto antiga que mostra um homem deitado ao lado de um bebê amarrado a granadas. O registro circula nas redes desde 2016 e já foi atribuído a um terrorista sírio.

A mesma imagem também foi publicada por uma página de atualidades recém-criada e também recomendada pelo X.

Notas da comunidade. O X recomendou a usuários até mesmo perfis que tiveram posts sinalizados como desinformativos pelas notas da comunidade. No levantamento, o Radar Aos Fatos identificou que um usuário que teve cinco posts sobre a guerra destacados pela plataforma publicou uma versão editada de um documento da Casa Branca que afirmava que os Estados Unidos teriam enviado US$ 8 bilhões a Israel. Apesar de usuários terem adicionado contexto à publicação, ela segue no ar.

Criadas para combater a disseminação de conteúdo enganoso, as notas da comunidade mostram mensagens redigidas por usuários que teoricamente desmentem ou adicionam contexto a publicações que não trazem informações precisas. Como não passam pela moderação da plataforma, no entanto, essas notas não são confiáveis.

Também receberam destaque da plataforma contas dedicadas à publicação de conteúdos de cunho político. Pelo menos 17 dos 50 perfis analisados publicaram posts que transferem o conflito para o contexto político do Brasil. Em publicação que recebeu destaque, um influenciador alinhado à direita e assinante do X Premium acusou movimentos de esquerda de estarem associados ao nazismo por conta do apoio à causa palestina.

Foto: Aos Fatos

'Fechado com Lula.' Página satírica cujos conteúdos foram recomendados pelo X acusou Hamas de associação com atual governo (Reprodução)

Do outro lado do espectro político, também foi recomendada a conta de um ex-assessor do deputado Márcio Jerry (PC do B-MA) exonerado após publicar conteúdos antissemitas e de apoio aos terroristas do Hamas. Antes de o perfil ter sido excluído da plataforma, sete publicações do ex-assessor ficaram em destaque.

Entre os conteúdos postados por páginas políticas também estão críticas e ataques à cobertura da imprensa brasileira, cujas publicações tiveram menor destaque no X — apenas 10 dos 50 perfis analisados eram de veículos jornalísticos.

Outro lado. A reportagem entrou em contato com o X questionando sobre o destaque dado a publicações de perfis pessoais e apócrifos que já disseminaram desinformação sobre o conflito entre Israel e Hamas, mas mais uma vez recebeu apenas uma resposta automática da plataforma.

O Aos Fatos também tentou entrar em contato com a página Primacial Notícias, mas não conseguiu encontrar nenhum canal para envio de mensagem, seja no próprio X, seja por endereço externo. A reportagem permanece aberta para eventuais comentários.

Referências:

1. X (1, 2, 3)

2. Aos Fatos (1, 2, 3, 4, 5, 6)

3. Associated Press

4. O Estado de S. Paulo

Aos Fatos
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