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Tratamento caseiro com babosa contra pulgas, carrapatos e sarna em cães não tem eficácia comprovada

POSTAGEM RECOMENDA APLICAR NO ANIMAL MISTURA COM ALOE VERA E FOLHA DE MELÃO-DE-SÃO-CAETANO; SEGUNDO ESPECIALISTAS, PROBLEMAS PODEM SER AGRAVADOS SEM MEDICAÇÃO ESPECÍFICA

13 abr 2026 - 16h50
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O que estão compartilhando: que um preparo caseiro com babosa e folha de melão-de-são-caetano eliminaria pulgas, carrapatos, sarna e dermatite de cães. O vídeo diz que o procedimento evitaria gastos com veterinários e remédios.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. Médicos veterinários consultados pelo Verifica explicam que não existem evidências científicas que comprovem a eficácia e a segurança desses tratamentos domésticos. Alguns ingredientes utilizados podem, inclusive, desencadear reações adversas nos animais.

Saiba mais: um vídeo postado no Facebook mostra um homem ensinando a preparar a receita de um composto que combina a "baba" raspada da babosa (aloe vera), com aspecto gelatinoso, com folhas de melão-de-são-caetano. Os ingredientes são processados com água em um liquidificador. O líquido verde resultante, diz ele, deve ser passado no corpo do cachorro infectado três vezes por semana.

"A indústria veterinária não quer que você saiba disso", anuncia o autor da postagem. Ele foi procurado pelo Verifica para que fornecesse mais informações sobre o procedimento e sua suposta eficácia. Não houve resposta até a conclusão deste texto.

O procedimento descrito no vídeo não é válido do ponto de vista veterinário, segundo explica o professor Adriano Pinter, do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP).

"Pode fazer com que os responsáveis pelos animais tenham a falsa sensação de estarem fazendo algo bom. Mas, na verdade, estão realizando uma medida ineficaz", disse.

Pinter avalia que tanto a receita apresentada como a forma de aplicação são inadequadas. O vídeo promete que a mistura é eficaz contra pulgas, carrapatos, sarna e dermatite, condições que exigem tratamentos diferentes.

Segundo Pinter, é fundamental haver um diagnóstico correto para que o animal receba o tratamento adequado. Ações "alternativas" podem, em alguns contextos, atuar apenas como opções complementares.

"Cada um desses parasitas tem um ciclo de vida distinto e tem um método de controle diferente", explicou o médico veterinário. "No caso de sarnas, quanto mais se demora para fazer o diagnóstico e o tratamento, piores serão as chances de o animal se recuperar".

A médica veterinária Cristiane Deon, especializada em dermatologia veterinária, destaca que pulgas e carrapatos, classificados como ectoparasitas, são vetores de diversas doenças potencialmente fatais para os animais.

O controle de pulgas e carrapatos em animais domésticos envolve cuidados específicos, como manejo do ambiente e hábitos regulares de higiene.

Deon lembra que existem no mercado medicamentos específicos, seguros e eficazes para o controle desses parasitas: "O tratamento depende diretamente da causa. Temos uma infinidade de produtos que atuam diretamente nos ectoparasitas, sem causar efeitos colaterais aos pets".

Tanto pulgas como carrapatos, ilustra Pinter, colocam ovos no ambiente. "95% dos carrapatos e pulgas estão no ambiente, apenas 5% estão sobre o cachorro", citou.

Por isso, o tratamento também envolve o uso de produtos nos locais onde o cachorro costuma ficar: na casinha, no tapete, no sofá, entre outros.

"O importante é a repetição. Para pulgas, a repetição deve ser semanal. Para carrapatos, pode ser quinzenal. Por isso, é muito importante o apoio e direcionamento da estratégia feito por um veterinário", indicou o professor.

No caso da sarna, é preciso saber primeiro qual o tipo de infestação antes de começar o tratamento, explica Pinter. Há dois tipos em cães: a sarcóptica (contagiosa) e demodécica (não contagiosa).

"Saber o tipo é muito importante para a condução do tratamento e dos cuidados. Por exemplo, a sarna sarcóptica é uma zoonose e pode passar do cão paras as pessoas", alertou.

Por sua vez, a dermatite, segundo esclarece a especialista Deon, refere-se, de forma geral, à inflamação da pele. Essa condição pode ter diversas causas, como infecções fúngicas, bacterianas, protozoárias e doenças de origem alérgica.

"Cada uma dessas enfermidades exige um diagnóstico preciso e um tratamento específico", explicou a médica. "A ausência de uma abordagem direcionada pode levar à progressão do quadro clínico e, em situações mais graves, a complicações significativas ou até mesmo ao óbito do animal".

Soluções caseiras não são alternativas para tratamentos convencionais

Na avaliação de Deon, existem produtos comerciais com princípios ativos considerados mais naturais, como a própria aloe vera, que foram testados e demonstraram segurança para uso em animais.

No caso dos ectoparasitas, segundo a médica veterinária, embora existam pesquisas laboratoriais sobre o uso da aloe vera no controle de carrapatos, não há recomendação clínica para utilização com essa finalidade.

"Quanto ao melão-de-são-caetano, há estudos que indicam atividade carrapaticida. No entanto, os resultados obtidos não demonstram eficácia suficiente para seu desenvolvimento como produto comercial à base do princípio ativo", explicou.

Pinter ressalta que essas pesquisas foram feitas em laboratório, quando as folhas dessas plantas passam por um processo de extração de substâncias ativas e de forma concentrada. O vídeo analisado não replica essas condições laboratoriais. As folhas são apenas trituradas com água, como lembra o professor da USP.

"Para que tenha algum tipo de ação, mesmo que pequeno, ainda é preciso fazer uma extração em laboratório, com uso de álcool e outros solventes", disse.

O professor ressalta que o combate caseiro a pulgas e carrapatos envolve, fundamentalmente, a higienização do ambiente em que vivem os animais. Para carrapatos, é possível fazer a catação dos parasitas no animal e descobrir o local estão colocando os ovos.

No caso das pulgas, é importante lavar o chão e os panos, colchão ou almofada onde os cães dormem. Água em abundância com sabão é suficiente para matar os ovos e larvas das pulgas no chão. Pode-se também colocar os panos e almofadas expostas diretamente ao sol por pelo menos três horas. O calor também destrói os ovos e larvas.

Mas Pinter alerta: "Para sarnas, não há uma um estratégia caseira. O problema é muito grave e precisa sempre de acompanhamento veterinário".

A veterinária Deon reforça que não existem alternativas domésticas que substituam com segurança e eficácia os tratamentos veterinários convencionais: "Estas soluções podem ser usadas como terapias auxiliares, mas sempre com recomendação de um médico veterinário".

Além de não serem eficazes, as soluções caseiras podem representar um perigo, de acordo com a especialista em dermatologia.

"Preparações caseiras não têm padronização de dose ou concentração, o que aumenta o risco de ineficácia e de efeitos adversos. Nesses casos, ao invés de substituir o tratamento, essas abordagens podem atrasar o diagnóstico correto e permitir a progressão da doença, trazendo riscos à saúde e ao bem-estar do animal".

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Estadão
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