Vídeo de Cláudio Castro em que delatores alegam que ele levava propina em mochila é de 2019
INQUÉRITO FOI ARQUIVADO NO ANO PASSADO PELO STF APÓS O MINISTRO ANDRÉ MENDONÇA JULGAR QUE O MINISTÉRIO PÚBLICO VIOLOU REGRA DE FORO PRIVILEGIADO
O que estão compartilhando: que o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) aparece em um vídeo buscando dinheiro de propina com uma mochila. Denúncia sobre o caso teria sido feita em duas delações premiadas. Legenda da publicação diz: "Acabou para esse bolsonarista".
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: falta contexto. O vídeo que viralizou com estas alegações foi publicado no Instagram em 26 de maio de 2026, mas as imagens são de 2019. O caso foi noticiado em 2020 e a Polícia Federal apontou indícios de recebimento de propina por parte do então vice-governador do Rio em 2024. No entanto, a investigação foi arquivada no ano passado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que encontrou irregularidades no processo.
Atualmente, Castro é investigado em três inquéritos na Justiça. Neste mês de maio, ele foi alvo de duas operações de busca e apreensão por parte da PF: no dia 15, em decorrência da Operação Sem Refino, que apura supostas fraudes e favorecimento envolvendo o Grupo Refit, e no dia 26, na Operação Compliance Zero, que apura a transferência de R$ 3,7 bilhões do instituto Rioprevidência para fundos ligados ao Banco Master.
Cláudio Castro realmente aparece em imagens das câmeras de segurança de um elevador carregando uma mochila. O registro é de 29 de julho de 2019, no Shopping Downtown, onde fica o escritório da empresa Servlog. Quem acompanha Castro no elevador é Flávio Chadud, dono da empresa, suspeita de corrupção envolvendo contratos de assistência social com a Fundação Leão XIII.
Flávio Chadud foi preso no dia seguinte, 30 de julho de 2019. O administrador da Servlog, Bruno Campos Salem, disse em delação premiada que, no dia da visita de Castro à sede da empresa no Shopping Downtown, ele levou R$ 100 mil em propina. O dinheiro teria sido colocado dentro da mochila.
O caso foi noticiado em setembro de 2020 e, em janeiro de 2024, um relatório da Polícia Federal apontou indícios de que Cláudio Castro tinha recebido R$ 326 mil e US$ 20 mil em propina entre 2017 e 2019 em diversas ocasiões, incluindo a ida ao shopping em 29 de julho de 2019.
O vídeo que viralizou, contudo, não diz quando as imagens foram feitas, nem a que propina se refere. Sem essas informações, o conteúdo pode enganar e levar as pessoas a acreditar que as imagens são provas das investigações mais recentes contra o ex-governador.
Foro privilegiado
Apesar dos indícios apontados pela PF, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do processo na Corte, determinou o arquivamento do inquérito por entender que o Ministério Público do Rio de Janeiro violou as regras de foro privilegiado.
Isso porque Castro passou a ser implicado diretamente no caso de corrupção envolvendo a Fundação Leão XIII após o Ministério Público fechar um acordo de delação premiada com o empresário Marcus Vinícius Azevedo da Silva, em 2020. Em um depoimento complementar, em 2022, Marcus Vinícius mencionou envolvimento de Castro no esquema, mas isso teria ocorrido após um "direcionamento" dos promotores na coleta do depoimento.
Em 2023, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou a abertura de uma investigação contra Castro com base naquelas delações. Mas, no entendimento de Mendonça, como Castro já era governador em 2023, ele não poderia ser investigado com base em acordos firmados pela Justiça e pelo MPRJ, e sim pela PGR.
O arquivamento ocorreu em outubro de 2024, houve recurso, mas o STF manteve o encerramento do inquérito contra Castro em junho de 2025.
Este conteúdo também foi checado pela agência Reuters.
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