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Postagens distorcem fala de Lula no Chile para alegar ameaça às eleições de 2026

PRESIDENTE AFIRMOU QUE 'RITO ELEITORAL' POR SI SÓ NÃO PROTEGE INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS CONTRA ATAQUES

23 jul 2025 - 11h37
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O que estão compartilhando: postagens afirmam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria dito, em discurso no Chile, que "não irá sair do poder" e "não terá eleições em 2026?.

O Estadão Verifica checou e concluiu que: é enganoso. As postagens distorcem um discurso feito por Lula durante encontro com líderes ibero-americanos nesta semana. Durante a fala, ele afirmou que "vivemos em uma nova ofensiva antidemocrática" e que o "rito eleitoral não é mais suficiente" para combatê-la. Ele sugere medidas para defender a democracia, como promover a multilateralismo e regular plataformas digitais. Em nenhum momento, o líder brasileiro afirma que não ocorrerão as próximas eleições no Brasil.

Saiba mais: Na última segunda-feira, 21, o presidente Lula viajou ao Chile para um encontro com líderes do Chile, Colômbia, Espanha e Uruguai para discutir democracia e extremismo, sobretudo no ambiente digital, como preparação para a próxima Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Nas redes sociais, usuários distorceram o discurso de Lula afirmando que o presidente ameaçou acabar com as eleições no Brasil. Porém, o presidente falou sobre a necessidade de fortalecer as instituições democráticas, citando que o "rito eleitoral de 4 ou 5 anos" não é mais suficiente para protegê-las de ataques. Veja o discurso completo abaixo.

"Vivenciamos uma nova ofensiva antidemocrática. Para reagir a esse movimento, Espanha e Brasil promoveram um encontro à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro do ano passado. De lá para cá, a situação no mundo se agravou", disse.

Lula seguiu a fala afirmando a necessidade de "ações concretas e urgentes" e citando que a reunião organizada pelo presidente Gabriel Boric, do Chile, "é um passo nessa direção". "A democracia liberal não foi capaz de responder aos anseios e necessidades contemporâneas", complementou.

"Cumprir o ritual eleitoral a cada 4 ou 5 anos não é mais suficiente. O sistema político e os partidos caíram em descrédito", pontuou. "Por essa razão, conversamos sobre o fortalecimento das instituições democráticas e do multilateralismo em face dos sucessivos ataques que vêm sofrendo".

O presidente brasileiro continuou o discurso defendendo a regulamentação das plataformas digitais e o combate à desinformação. Ele ainda comentou que "liberdade de expressão não se confunde com autorização para incitar a violência, difundir o ódio, cometer crimes e atacar o Estado Democrático de Direito".

O petista comentou ainda sobre a "urgência de lutar contra todas as formas de desigualdade". Ele defendeu a taxação de super-ricos e o combate a desigualdades sociais, de raça e de gênero. "Sem um novo modelo de desenvolvimento, a democracia seguirá ameaçada por aqueles que colocam seus interesses econômicos acima dos da sociedade e da pátria", discursou.

Ou seja: fica claro pelo contexto completo do discurso de Lula que o presidente acredita que, para proteger a democracia, é preciso adotar medidas para regulamentar plataformas digitais, fortalecer instituições, promover o multilateralismo e combater desigualdade. É nesse sentido que Lula diz que o ritual das eleições "não é mais suficiente". Ele não fala em acabar com as eleições.

A viagem de Lula coincidiu com o momento em que o governo vive um embate direto com o presidente Donald Trump. Como noticiou o Estadão, as decisões do líder dos Estados Unidos foram vistas pelo governo Lula como uma interferência à soberania do Brasil.

Como lidar com posts do tipo: As publicações exibem apenas segundos da fala do presidente sobre as eleições, retirando o discurso completo de contexto. Para verificar as alegações dos conteúdos, é possível consultar a fala feita no evento publicada na íntegra nos canais do governo (aqui e aqui) e a repercussão na imprensa profissional.

Estadão
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