Postagens distorcem fala de Lula no Chile para alegar ameaça às eleições de 2026
PRESIDENTE AFIRMOU QUE 'RITO ELEITORAL' POR SI SÓ NÃO PROTEGE INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS CONTRA ATAQUES
O que estão compartilhando: postagens afirmam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria dito, em discurso no Chile, que "não irá sair do poder" e "não terá eleições em 2026?.
O Estadão Verifica checou e concluiu que: é enganoso. As postagens distorcem um discurso feito por Lula durante encontro com líderes ibero-americanos nesta semana. Durante a fala, ele afirmou que "vivemos em uma nova ofensiva antidemocrática" e que o "rito eleitoral não é mais suficiente" para combatê-la. Ele sugere medidas para defender a democracia, como promover a multilateralismo e regular plataformas digitais. Em nenhum momento, o líder brasileiro afirma que não ocorrerão as próximas eleições no Brasil.
Saiba mais: Na última segunda-feira, 21, o presidente Lula viajou ao Chile para um encontro com líderes do Chile, Colômbia, Espanha e Uruguai para discutir democracia e extremismo, sobretudo no ambiente digital, como preparação para a próxima Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Nas redes sociais, usuários distorceram o discurso de Lula afirmando que o presidente ameaçou acabar com as eleições no Brasil. Porém, o presidente falou sobre a necessidade de fortalecer as instituições democráticas, citando que o "rito eleitoral de 4 ou 5 anos" não é mais suficiente para protegê-las de ataques. Veja o discurso completo abaixo.
"Vivenciamos uma nova ofensiva antidemocrática. Para reagir a esse movimento, Espanha e Brasil promoveram um encontro à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro do ano passado. De lá para cá, a situação no mundo se agravou", disse.
Lula seguiu a fala afirmando a necessidade de "ações concretas e urgentes" e citando que a reunião organizada pelo presidente Gabriel Boric, do Chile, "é um passo nessa direção". "A democracia liberal não foi capaz de responder aos anseios e necessidades contemporâneas", complementou.
"Cumprir o ritual eleitoral a cada 4 ou 5 anos não é mais suficiente. O sistema político e os partidos caíram em descrédito", pontuou. "Por essa razão, conversamos sobre o fortalecimento das instituições democráticas e do multilateralismo em face dos sucessivos ataques que vêm sofrendo".
O presidente brasileiro continuou o discurso defendendo a regulamentação das plataformas digitais e o combate à desinformação. Ele ainda comentou que "liberdade de expressão não se confunde com autorização para incitar a violência, difundir o ódio, cometer crimes e atacar o Estado Democrático de Direito".
O petista comentou ainda sobre a "urgência de lutar contra todas as formas de desigualdade". Ele defendeu a taxação de super-ricos e o combate a desigualdades sociais, de raça e de gênero. "Sem um novo modelo de desenvolvimento, a democracia seguirá ameaçada por aqueles que colocam seus interesses econômicos acima dos da sociedade e da pátria", discursou.
Ou seja: fica claro pelo contexto completo do discurso de Lula que o presidente acredita que, para proteger a democracia, é preciso adotar medidas para regulamentar plataformas digitais, fortalecer instituições, promover o multilateralismo e combater desigualdade. É nesse sentido que Lula diz que o ritual das eleições "não é mais suficiente". Ele não fala em acabar com as eleições.
A viagem de Lula coincidiu com o momento em que o governo vive um embate direto com o presidente Donald Trump. Como noticiou o Estadão, as decisões do líder dos Estados Unidos foram vistas pelo governo Lula como uma interferência à soberania do Brasil.
Como lidar com posts do tipo: As publicações exibem apenas segundos da fala do presidente sobre as eleições, retirando o discurso completo de contexto. Para verificar as alegações dos conteúdos, é possível consultar a fala feita no evento publicada na íntegra nos canais do governo (aqui e aqui) e a repercussão na imprensa profissional.