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Trump acusa Brasil de desvalorizar real e impõe tarifa sobre aço e alumínio

"Brasil e Argentina estão promovendo desvalorização em massa de suas moedas, algo ruim para os nossos fazendeiros. Portanto, tendo efeito imediato, vou restaurar as tarifas sobre aço e alumínio que são importados pelos Estados Unidos desses países", escreveu o mandatário americano no Twitter.

2 dez 2019
09h07
atualizado às 10h06
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na manhã desta segunda-feira (2) que o país vai retomar as tarifas aplicadas ao aço exportado pelo Brasil e pela Argentina. Ele atribuiu a decisão à desvalorização do real e do peso argentino em relação ao dólar.

Trump acusa Brasil e Argentina de desvalorizarem moeda para tirar vantagem do dólar forte
Trump acusa Brasil e Argentina de desvalorizarem moeda para tirar vantagem do dólar forte
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

"Brasil e Argentina estão promovendo desvalorização em massa de suas moedas, algo ruim para os nossos fazendeiros. Portanto, tendo efeito imediato, vou restaurar as tarifas sobre aço e alumínio que são importados aos Estados Unidos desses países", escreveu o mandatário americano no Twitter.

Trump também cobrou que o Banco Central dos Estados Unidos adote medidas para evitar que países "tirem vantagens de nosso dólar forte". "Isso torna as coisas muito difíceis para nossos fabricantes e fazendeiros exportarem seus bens", afirmou o presidente americano.

Os EUA são os maiores compradores do aço produzido no Brasil, em um mercado que movimenta US$ 2,6 bilhões (ou R$ 8,6 bilhões).

Atualmente, as taxas são de 0,9%, para o aço e 2% para o alumínio.

Em foto de março de 2018, Bolsonaro assina livro de visitas da Casa Branca
Em foto de março de 2018, Bolsonaro assina livro de visitas da Casa Branca
Foto: Alan Santos/Presidência da República / BBC News Brasil

Em março do ano passado, a possibilidade de uma eventual sobretaxa para o aço e o alumínio exportados pelo Brasil gerou pânico entre produtores brasileiros.

À época, em meio à guerra comercial com a China, o presidente americano anunciou alíquotas de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio comprados pelos EUA de outros países, mas deixou de lado Brasil, Argentina, Austrália, União Europeia e Coreia do Sul.

Em abril do ano passado, o presidente americano buscava meios de reduzir o déficit de sua balança comercial e deu início à discussão, quando afirmou que a indústria do aço dos EUA teria sido "sitiada" durante décadas por concorrentes estrangeiros "que ganharam a vida tirando proveito" de leis de comércio desfavoráveis aos americanos.

Segundo Trump, a concorrência gerou demissões em massa e inundou os EUA com "aço barato".

No caso da China, por exemplo, o líder americano afirmou que o desenvolvimento da indústria exportadora se daria à custa de empregos que poderiam ser criados nos EUA, por empresas americanas.

Como resultado dessa ofensiva, Trump escreveu nesta segunda-feira que a sobretaxa adotada no ano passado, que mirava principalmente Rússia, Turquia e Japão, levou a uma alta de 21% das Bolsas americanas.

Por outro lado, para se diferenciar dos chineses, os brasileiros argumentam que a indústria brasileira compra produtos americanos produzidos a partir do aço exportado pelo Brasil, como carros, maquinário pesado e locomotivas, fazendo o dinheiro circular.

Atualmente, os principais produtos da pauta de exportações brasileira para o país são semimanufaturados de ferro e aço, petróleo, celulose e café. Juntos, esses produtos responderam por quase 30% dos embarques para os EUA em 2018, de acordo com os dados do Ministério da Economia referentes a 2018.

Balança comercial Brasil-EUA
Balança comercial Brasil-EUA
Foto: BBC News Brasil

Do total das exportações, 6,8% foram aviões, refletindo a atuação — e a importância — da Embraer.

Entre os produtos que brasileiros importam dos americanos, pouco mais de 26% são combustíveis - óleo diesel e fuel-oil (18%), gás propano liquefeito (3,2%), gasolina (2,9%) e etanol (2,6%), levando em consideração os dados fechados de 2018.

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